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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.
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Vacina não significa que pandemia acabou

Medidas de saúde pública, uso de máscaras e distanciamento social não podem ser afrouxados agora

Por Laryssa Borges 15 dez 2020, 10h28

14 de dezembro, 17h13: Faço parte do grupo de segurança do estudo clínico que tenta desenvolver mais uma vacina que previna ou diminua a gravidade da Covid-19. Isso significa que fui escolhida aleatoriamente para ser testada todas as quatro vezes em que comparecer à clínica onde sou voluntária, no Rio de Janeiro. Cada exame vai tentar descobrir se desenvolvi anticorpos contra o novo coronavírus e por quanto tempo eles permanecerão no meu corpo. Depois que o ensaio clínico principal for concluído, no segundo semestre de 2021, ainda ficarei mais um ano sendo acompanhada para que a equipe médica verifique se a blindagem oferecida pela vacina permanece. A primeira das medições de anticorpos vai ser amanhã. Minha cabeça dói por antecipação.

Por mais que tenhamos muitos motivos para comemorar a aprovação do uso comercial dos imunizantes – Estados Unidos e Canadá começaram suas vacinações hoje com o antígeno produzido pela Pfizer – uma vacina por si só não acabará com a pandemia. O alerta havia sido feito há semanas pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Adhanom, mas parece que as pessoas não querem ouvir. Como nem todos os brasileiros serão vacinados no médio prazo (seja por serem negacionistas convictos, seja porque não fazem parte dos grupos definidos como prioritários pelo Ministério da Saúde), o vírus vai ter uma espécie de “espaço de manobra”, como disse Adhanom, para continuar circulando.

Até este “espaço” ser domado com uma vacinação em massa e o nível de infecção chegar a patamares irrisórios, vai demorar para que possamos nos aproximar uns dos outros com algum grau de alívio. Enquanto isso, pessoas que abandonam as máscaras, que batem ponto em festas como se o mundo tivesse voltado ao normal ou que idolatram teorias conspiratórias e minimizam a gravidade do vírus continuarão sendo um risco.

Com a palavra o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos: “Uma vacina agora não é um substituto para as medidas normais de saúde pública. Somente quando o nível de infecção na sociedade estiver tão baixo que não seja mais uma ameaça você pode pensar na possibilidade de recuar nas medidas de saúde pública”. Até lá, mantenhamos a guarda e tentemos combater o nível de hesitação dos anti-vacina.

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