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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Um problema a menos para a vacina da Pfizer, já recusada pelo governo

Empresa disse à agência regulatória de medicamentos dos EUA que imunizante pode ficar duas semanas fora de temperaturas extremas antes de ser aplicado

Por Laryssa Borges Atualizado em 19 mar 2021, 15h34 - Publicado em 22 fev 2021, 11h30

22 de fevereiro, 10h36: O governo brasileiro abriu mão, ainda no ano passado, de dar seguimento à oferta de 70 milhões de doses da vacina anti-Covid produzida pela farmacêutica Pfizer em parceria com o laboratório alemão BioNTech. Os motivos levavam em conta supostas exigências da empresa de se eximir de possíveis danos colaterais provocados pelo imunizante e a dificuldade de um país continental como o Brasil e com forte desigualdade social disponibilizar ultracongeladores para armazenar o antígeno em temperaturas entre 60 e 80 graus abaixo de zero. Agora um novo golpe contra nós, brasileiros: a Pfizer anunciou que sua vacina se mantém estável e perfeita para uso quando resfriada por duas semanas em refrigeradores farmacêuticos, com temperaturas entre 15 e 25 graus negativos e muito mais fáceis de serem disponibilizados.

As novas diretrizes de armazenamento foram apresentadas pela empresa à FDA, a agência regulatória de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos. A ideia é que este novo cenário permita à Pfizer apresentar aos potenciais compradores uma alternativa à falta de freezers de temperatura ultrabaixa. “Se aprovada, esta nova opção de armazenamento ofereceria às farmácias e centros de vacinação maior flexibilidade na forma como administram o fornecimento da vacina”, disse o CEO da Pfizer, Albert Bourla, ao dar entrada ao novo protocolo da vacina Pfizer.

Segundo a empresa, foram estudados lotes do imunizante fabricado nos últimos nove meses, com ampolas retiradas dos primeiros testes clínicos e também doses da escala comercial atualmente em produção. De acordo com a Pfizer, em temperaturas que variam de 60 a 80 graus negativos, sua vacina pode permanecer armazenada por até seis meses. Entre 15 e 25 graus abaixo de zero, por duas semanas, e antes de misturada com o diluente para a aplicação em pacientes, também pode ser refrigerada por até cinco dias na temperatura padrão de refrigeradores domésticos, entre 2⁰C e 8⁰C.

A temperatura de geladeira comum é um grande facilitador em países como o Brasil, cujos gargalos históricos no financiamento da ciência e da pesquisa resultam, em plena pandemia, na falta de congeladores específicos para a estocagem de vacinas feitas à base de RNA mensageiro, como as da Pfizer. O resfriamento comum permite que outros imunizantes, como a CoronaVac, a Covishield (fabricada pela parceria Oxford/AstraZeneca) e a Janssen, possam ser mais facilmente transportados e aplicados em brasileiros. Das três, apenas a vacina da Janssen, da qual sou voluntária nos ensaios clínicos, ainda não apresentou pedido para aplicação emergencial junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela aguarda sinal verde da FDA, cujo corpo técnico vai se reunir no próximo dia 26, para apresentar também no Brasil requisição para uso em território nacional.

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