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Por Laryssa Borges
A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.
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Pesquisa registra sequelas sete meses após Covid; mulheres têm quadro pior

Fadiga e falta de ar foram os sintomas mais prevalentes em pacientes que se recuperaram da Covid, diz estudo

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 mar 2021, 17h09

14 de março, 11h55: Em dezembro de 2022 completarei 25 meses como voluntária do ensaio clínico da Janssen-Cilag, e a pesquisa de desenvolvimento da vacina AdVac26, de dose única e refrigeração comum, será declarada oficialmente encerrada. É um longo caminho até chegar lá e por meses serei monitorada para que se detectem efeitos adversos, eventuais doenças não-relacionadas ao imunizante, exposição a infectados e possível necessidade de doses de reforço para garantir a blindagem contra o novo coronavírus. Pesquisas de médio e longo prazo com pacientes que receberam vacinas experimentais e com aqueles que, não vacinados, tiveram Covid e se recuperaram são fundamentais para que possamos projetar o que o futuro nos espera.

Um recente estudo de cientistas das universidades de Glasgow, Oxford, Edimburgo, Liverpool, do Imperial College, de Londres, e da Universidade de Sechenov, em Moscou, acompanhou 325 pacientes entre fevereiro e outubro de 2020 que já tinham sido contaminados pelo vírus. A ideia era entender sequelas de longa duração da doença e eventuais fatores demográficos que poderiam prolongar a plena recuperação daqueles que já haviam derrotado o vírus. Cientistas americanos classificaram esse quadro como PASC (Post Acute-Sequelae of Sars-CoV-2), sigla para, em tradução livre, descrever “Sequelas Agudas do Pós-Covid”.

O resultado, ainda preliminar, da pesquisa é preocupante. Especialmente para mulheres. Especialmente para aquelas abaixo dos 50 anos de idade. Segundo os cientistas, o acompanhamento dos pacientes pós-Covid revelou que sintomas contínuos foram relatados por 93% deles: metade dos participantes não estava totalmente recuperada após sete meses, 77% relataram fadiga, 54% informaram falta de fôlego ao fazer esforço e cerca de 25% reportaram ter detectado uma nova deficiência, seja de visão, caminhada, memória, capacidade de cuidar de si próprio ou comunicação (exceto audição). Fadiga e falta de ar foram os mais prevalentes, e, no caso das mulheres, as sequelas foram significantemente maiores do que nos homens.

Os pesquisadores concluíram, com base no universo de pacientes entrevistados, que mulheres com menos de 50 anos de idade tinham cinco vezes mais chances de reportar que não tiveram uma recuperação completa, duas vezes mais chances de relatar pior fadiga e seis vezes mais chances de informarem falta de fôlego do que os homens. A pesquisa revelou ainda que sobreviventes da Covid que foram submetidos a aparelhos de respiração invasiva, como intubação, foram quatro vezes mais propensos a relatar uma recuperação incompleta em comparação com aqueles que tiveram tratamento mais ameno. A idade média dos pacientes entrevistados foi de 59 anos e 59% deles eram homens.

O governo brasileiro contabilizou, até sábado, 10.084.820 pessoas recuperadas da Covid.

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