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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Para barrar propagação do vírus, por que não priorizar quem circula mais?

Imunizar primeiro idosos e portadores de comorbidades tem uma razão de ser

Por Laryssa Borges Atualizado em 1 jan 2021, 10h35 - Publicado em 1 jan 2021, 08h26

1º de janeiro, 8h03: Passaram-se muitos anos até eu descobrir que não existia essa história de mulheres e crianças primeiro diante do naufrágio de uma embarcação. Foi uma invenção do cinema muito provavelmente para exaltar a importância de proteção dos mais fragilizados, dramatizar a tragédia do Titanic ou tornar a história ainda mais passional. Mas, não, não é real. No caso das vacinas, porém, a lista de grupos prioritários já é conhecida de todos – idosos, indígenas, portadores de comorbidades, professores, trabalhadores da área de saúde, entre outros – e tem razão de ser.

Existem movimentos aqui e acolá que se digladiam para serem imunizados antes – não falo só de ministros de tribunais superiores, pegos de calça curta após pedirem reservas de vacina para eles próprios e seus funcionários – e ainda pequenas bolhas de discussão que levantam a seguinte hipótese: se o objetivo de todos os países é conter a disseminação do vírus, não seria mais sensato priorizar com a vacina grupos que circulam mais e que, por estarem nas ruas, poderiam espalhar com mais velocidade o vírus vilão de 2020? Por esta lógica, deveriam ser imunizados primeiro profissionais autônomos, lojistas, ambulantes, motoristas de transporte público e por aí vai.

  • Quem explica o motivo de idosos, pessoas com comorbidades e moradores de asilos, por exemplo, estarem na linha de frente para serem os primeiros a receberam doses de antígeno anti-Covid é a microbiologista Natalia Pasternak, do Instituto Questão de Ciência: “O mais urgente é evitar hospitalização e morte, e as vacinas foram testadas exatamente na sua capacidade de prevenir doença”. Por isso, digo eu, pelo fato de grupos vulneráveis estarem mais suscetíveis a serem internados e morrerem de Covid-19, são eles os grandes prioritários. “Uma vez que casos graves e mortes estejam sob controle, teremos uma situação econômica e social muito mais manejável e grupos de risco protegidos”, completa Natalia. E, assim, a vida poderia dar os primeiros passos para uma fase pós-pandemia.

    Nosso futuro depois deste ano, porém, ainda depende muito de nossas atitudes no dia a dia. Ir a festas de Réveillon como as da noite de ontem, entupir praias no verão ou achar que o pior ficou para trás só vão garantir ao vírus caminho livre para atuar – e tornar nosso 2021 tão ou ainda mais triste que o ano que se encerrou.

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