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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Os efeitos colaterais mais relatados por voluntários da vacina da Janssen

Vacinas são muito seguras. Pena que sempre conhecemos alguém que espalha barbaridades em fake news sobre imunizantes

Por Laryssa Borges Atualizado em 14 jan 2021, 14h03 - Publicado em 19 dez 2020, 09h36

18 de dezembro, 14h39: Dias depois de ter voltado da clínica onde me submeti à segunda bateria de testes em busca da vacina anti-Covid, tenho coriza, o nariz coça impiedosamente e a dor de cabeça não para mesmo depois de ter tomado um analgésico. Síndrome gripal, esse gigantesco guarda-chuva de opções de sintomas para deixar qualquer um ressabiado na pandemia. Pego o meu oxímetro, aquele que me fez passar por maus bocados como voluntária. Oxigenação de 99%. Tudo normal. Febre? Não. 35,8ºC.

Como todos os voluntários, serei acompanhada pela equipe de pesquisadores do ensaio por 25 meses. Ainda não sei se desenvolvi os anticorpos contra a Covid-10 após ter recebido, em novembro, uma dose da potencial vacina. O estudo continua na fase de duplo-cego, situação em que nem o voluntário nem o médico sabe quais dos participantes tomou a ampola verdadeira e quem recebeu uma com soro fisiológico. O duplo-cego deve ser aberto muito em breve, em janeiro, já que o laboratório Janssen-Cilag anunciou ter concluído a última fase de testes com voluntários e, na sequência, já vai calcular a eficácia da vacina e entrar com pedido de uso emergencial.

Até agora, me informam os pesquisadores do Instituto Brasil de Pesquisa Clínica (IBPClin), onde recebi minha dose como voluntária, os efeitos colaterais mais comuns nos pacientes que participam do estudo em busca de uma vacina anti-Covid foram estado febril, dor de cabeça e dor no corpo. Essas, aliás, são reações muito comuns a qualquer vacina e geralmente passam em até três dias. Vacinas testadas e aprovadas por órgãos reguladores são muito seguras. Pena que sempre conhecemos alguém que espalha barbaridades em fake news sobre imunizantes.

Entre os voluntários da pesquisa de que participo e das outras em desenvolvimento, alguns tiveram sintomas de Covid e, por isso, estão sendo acompanhados por uma equipe médica em casa. É a comparação entre o número de infectados que receberam placebo com o número de contaminados que receberam a vacina que permite aos médicos calcular a eficácia da dose. Quanto mais casos de contágio houver no grupo placebo em relação aos casos do grupo vacinado, mais eficiente é o antígeno, já que conclui-se que ele está ajudando a evitar que o grupo vacinado contraia Covid.

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