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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

Em busca da pancorona, a vacina contra todos os tipos de coronavírus

Cientistas já desenvolveram pesquisas promissoras com camundongos, e os EUA abriram linhas de financiamento para estudos em prol de um imunizante universal

Por Laryssa Borges 14 fev 2021, 11h46

14 de fevereiro, 10h04: Enquanto grandes farmacêuticas travam verdadeiras guerras para produzir vacinas eficazes e seguras para conter o avanço devastador da pandemia, cientistas estão de olho em um projeto ainda mais ambicioso: o desenvolvimento de um imunizante capaz de barrar todos os tipos de coronavírus, seja o que provoca a Covid-19, o que causou a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), o que assustou o mundo com a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e quaisquer outras cepas. As vacinas candidatas já têm até nome um nome provisório: pan-CoV.

O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos abriu linhas de financiamento para cientistas desenvolverem a pancorona e quer montar forças-tarefas para compreender melhor a virologia e imunologia do CoV e, com isso, produzir um antígeno que faça frente às graves doenças respiratórias causadas por diferentes tipos de coronavírus e “obter imunidade pan-CoV potente e durável”. A MERS matou 898 pessoas entre 2012 e 2019. O surto de SARS, cerca de 800 pessoas entre 2002 e 2003. Até ontem, a Covid-19 havia ceifado 2.394.694 vidas em todo o mundo.

Em busca da sonhada pancorona, pesquisadores da empresa VBI Vacines desenvolveram estruturas semelhantes ao vírus, cravejaram sua superfície com proteínas spike dos três coronavírus que causam SARS, MERS e Covid-19 e injetaram a vacina experimental em camundongos. Resultado: os animais não só produziram anticorpos contra os três tipos de coronavírus, mas também foram registradas defesas contra um quarto tipo de coronavírus, que causa resfriados sazonais, e que não tinha tido sua proteína spike incluída no imunizante.

Outro estudo, desta vez publicado na revista científica Science por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, da Universidade de Oxford e da Universidade Rockefeller, testou usar as pontas da proteína spike de oito tipos de coronavírus diferentes. Eles anexaram esses microorganismos a um núcleo de proteína conhecido como nanopartícula e os injetaram, na sequência, em ratinhos de laboratório. As descobertas também foram alvissareiras: os camundongos produziram anticorpos capazes de enfrentar os oito coronavírus, mas também quatro outros que os cientistas nem tinham usado no experimento.

Os resultados ainda são muito preliminares, mas revelam uma ampla possibilidade de pesquisas para que uma vacina universal contra os coronavírus seja desenvolvida em um futuro próximo.

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