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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

De dose única a vacina por via oral: o que estão desenvolvendo na pandemia

Ao todo, 64 imunizantes estão sendo administrados em humanos neste momento em todo o mundo e outros 173 estão em fase de experimentos em animais

Por Laryssa Borges 23 jan 2021, 08h20

23 de janeiro, 8h07: Há quatro dias recebi um e-mail da equipe técnica do estudo clínico da Janssen me agradecendo por ser uma das 7.560 pessoas no Brasil que se dispôs a testar desde o ano passado mais uma vacina para fazer frente ao novo coronavírus. “Obrigado por fazer parte da história ao participar do estudo ENSEMBLE da COVID-19. Agradecemos imensamente por você e outras pessoas como você se oferecerem para fazer parte de uma comunidade global de participantes. As pesquisas clínicas são uma parte importante do avanço potencial do tratamento e da prevenção de doenças e não seriam possíveis sem voluntários como você”, diz um trecho da mensagem. Um pequeno gesto para nos encorajar a, juntos, vencermos a pandemia.

Ao longo de 2020, fomos 45.000 brasileiros, argentinos, chilenos, colombianos, mexicanos, peruanos, sul-africanos e americanos a testar um promissor antígeno de dose única e armazenável em temperatura de geladeira prestes a ter sua eficácia revelada pela Janssen, o braço farmacêutico da Johnson & Johnson. A vacina experimental que concordei em testar é uma das 64 desenvolvidas contra a Covid-19 que estão sendo administradas em humanos neste momento em todo o mundo. Outras 173 estão em fase de experimentos em ratinhos de laboratório ou, se em processo mais avançado, em primatas. Parece muito, mas até antes do coronavírus aterrissar em nossas vidas, só 10% de todas as vacinas cruzavam a linha de chegada eficazes e seguras para os pacientes.

Imunizantes de dose única, como o idealizado pela Janssen, não são a regra nesta pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, na fase de testes em humanos, existem apenas 12 candidatas apostando em uma só ampola. Isso equivale a somente 19% de todos os potenciais antígenos anti-Covid. A maior parcela – 59% das que estão em estudo clínico – prevê duas doses para conferir uma imunidade satisfatória contra o coronavírus: cinco com intervalo de 14 dias entre as aplicações, 16 com 21 dias entre cada uma das doses e 17 estabelecendo prazo de 28 dias entre o primeiro e o segundo frascos. Em carreira solo, uma única está investindo em três doses para conferir blindagem contra o vírus.

Os testes de vacinas também incluem avaliar qual o melhor modo de aplicação do biofármaco para que o efeito desejado seja atingido. Só três vacinas, ou 5% das em testes clínicos, estão sendo idealizadas para serem aplicadas por via oral, como um xarope ou gotinhas. As demais vão pelo caminho clássico: injeção mesmo, seja subcutânea (3% dos casos), interdermal (5%) ou intramuscular (75%). Todos os imunizantes aprovados até agora por agências reguladoras são de dupla dose e aplicação intramuscular.

Sendo de dose única ou dupla, ultracongelada ou apenas resfriada em um frigobar, as vacinas são nossa melhor chance de ver o mundo voltar ao esquadro. A cada mês que a pandemia persiste, a economia global perde 500 bilhões de dólares, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). E as mortes vão se acumulando sem trégua. Só no mês passado, amargamos sucessivos recordes de vidas perdidas no mundo: 13.963 no dia 15, 14.468 no dia 22, 15.518 no dia 29.

Por isso, quando chegar a sua vez de receber a vacina, confie na ciência e compareça à unidade de saúde para ser imunizado. Somente quando conseguirmos baixar a circulação do vírus em cada comunidade poderemos pensar em dias melhores. Na pandemia, ninguém está seguro até que todos estejam seguros.

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