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Coluna da Lucília Por Lucília Diniz Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Pensar fora da caixa dentro de casa

Como manter o corpo e a mente saudáveis no confinamento

Por Lucília Diniz - Atualizado em 26 mar 2020, 19h07 - Publicado em 26 mar 2020, 18h33

Mais uma vez, a vida imitou a arte e o que era enredo de filme tornou-se realidade na nossa rotina. O mundo está em quarentena e viramos todos personagens de Hollywood. Ir a farmácia ou ao supermercado passou a ser uma aventura inescapável na medida que os serviços de entrega ficam mais congestionados. Vestimos máscaras e usamos álcool gel avaliando o risco de tocarmos em cada superfície. Não é nada fácil manter a sanidade mental em tempos de guerra entre a humanidade e um invasor desconhecido, sobre o qual temos muito a aprender e que atende pelo nome de coronavírus.

Muita solidariedade tem chegado digitalmente. Todo dia há plataformas de streaming e de TV à cabo liberando gratuitamente novas séries, filmes on-demand, e-books, cursos online de filosofia a negócios, espetáculos abertos de ópera, entre outros produtos culturais. Fora as dicas de novas playlists e podcasts que passarmos a ouvir. Se o trabalho em home office libera todo esse tempo para curtirmos as mais variadas atividades culturais, é de se questionar. Mas não dá para negar a boa vontade desses provedores em oferecer entretenimento a quem responsavelmente entrou em quarentena.

Por outro lado, usar todo tempo livre para aumentar nosso consumo de informação diante das telas certamente não fará bem ao corpo. Ainda mais se ele estiver mal alimentado com comida gordurosa e calórica entregue em casa pelos aplicativos. Um dado alarmante que saiu essa semana é que, segundo estudos do NHS, serviço nacional de saúde britânico, 40% dos pacientes graves internados pelo coronavírus tem menos de 60 anos, enquanto que 70% dos pacientes em UTI com a Covid-19 são obesos. O que sugere que a obesidade pode ser um fator de risco tão importante quanto a idade.

É por isso que vejo com bons olhos um movimento a favor de cozinharmos em casa nesse momento de recolhimento; até porque, pilotar o forno e o fogão sempre foi uma excelente alternativa de entretenimento e aprendizado – ainda mais com um bom livro de receitas à mão. Crianças adoram estar do lado dos pais na cozinha, nem que seja rasgando folhas de manjericão. Planejar os cardápios da semana, assim como imaginar algo diferente preparado com um ingrediente esquecido na dispensa, são tarefas desafiadoras que podem se tornar muito prazerosas. E há inúmeras plataformas digitais que reúnem receitas práticas, saudáveis e deliciosas (inclusive minhas) para ajudar na nossa sobrevivência.

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Fazer exercícios no confinamento também é fundamental, caso contrário, o sedentarismo cobra seu preço. Alongamentos, ioga e treinos funcionais que usam o próprio corpo como carga são boas alternativas, assim como tirar o pó da esteira. Até o momento, praticar caminhada ao ar livre sem tocar em nada, evitando passar perto de outras pessoas e mantendo distância de aglomerações, ainda não foi totalmente contraindicado pelos médicos. Mas pode ser proibido a qualquer momento pelo governo em nome da saúde e da ordem pública, como já aconteceu em outros países.

Para combater a tristeza do isolamento social, prestar visitas virtuais aos amigos através do Facetime, Skype e outras plataformas que permitem congregar mais pessoas, como o Whereby e o Zoom, podem gerar muitos sorrisos de alegria. Marcar bate-papos e trocar experiências “olho no olho” ajudam bastante a aplacar a sensação de isolamento. Bonito também é ver tantos artistas produzindo shows, baladas e saraus online, usando ferramentas desse tipo. A solidariedade e a compaixão estão em alta.

Vale terminar dizendo que criar uma rotina saudável é fundamental em tempos de incerteza, especialmente privilegiando hábitos que mantenham nossa mente ocupada sem tirar os pés do chão. É tempo de considerar atividades online que privilegiem a troca de informações, o aprendizado, o reequilíbrio do corpo, a comunhão com o próximo e, por que não, a descoberta de novos prazeres.

Isso sim é pensar fora da caixa… mesmo entre quatro paredes.

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