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Coluna da Lucília Por Lucília Diniz Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Na balança das horas

Dentre os mitos alimentares, comer à noite talvez seja o mais conhecido, desconsiderado e temido. Prepare-se para ouvir uma verdade sobre esse assunto.

Por Lucília Diniz - Atualizado em 16 jan 2020, 21h44 - Publicado em 16 jan 2020, 20h44

Anos atrás, nutricionistas propagavam o conselho: “tomar café da manhã como um rei, almoçar como um príncipe e jantar como um mendigo”. No último caso, tanto em outras épocas como agora, isso significaria comer muito pouco, ou nada após o crepúsculo. No entanto, a hora em que se consome um alimento não é o que determina o aumento de peso. Afinal, pilotos de voos comerciais que cruzam diversos fusos horários pesam quanto?

Em meu processo de emagrecimento, consegui perder 60 quilos mesmo jantando todos os dias. Calorias são calorias. Se são consumidas calorias em excesso, mais do que o corpo consegue queimar, ganha-se peso. Não importando se o sol brilha lá fora, se está nublado ou se está visitando o Ártico, com noites que duram meses. Portanto, comer à noite não engorda.

Como argumento, neste caso tanto o Centro de Saúde da Universidade de Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, como a publicação americana WebMD, concordam. O que vai fazer você ganhar peso é o motivo pelo qual você estaria comendo neste horário. Se for por fome, será saciada uma necessidade; e qualquer caloria a mais será acumulada se não for queimada, ponto. Mas, se for para calar um apetite emocional, o problema é outro. Ou melhor, este é exatamente o problema.

As pessoas comem à noite por vários motivos, que muitas vezes têm pouco a ver com a fome. Tanto que se diz “assaltar a geladeira”, não “fazer uma visita à geladeira”. Na calada da noite, sem ninguém vendo, perde-se o controle. Nessa situação, é muito fácil consumir toda a caixa de chocolates antes que você perceba, de um cardápio que consiste, invariavelmente, em grandes porções de alimentos altamente calóricos (como batatas chips, biscoitos, doces). Consumidos enquanto se está sentado em frente à televisão, ao computador ou com o smartphone em mãos.

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Há crime em sucumbir a desejos, comer para lidar com tédio ou para sufocar o estresse? Crime contra si próprio, eu diria. São crenças antigas que não fazem sentido em um mundo 24 horas conectado. O segredo não reside em seguir (ou temer) um único dogma. Se você vai acreditar em alguma coisa que explique os quilos a mais, vá pelo senso comum.

Meu exemplo serve apenas para mim? É justo pensar assim já que cada indivíduo é, ora, individual em sua biologia. Se for pensar novamente no exemplo de reino, basta lembrar que não vivemos em um conto de fadas.

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