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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

SP acerta ao ampliar a testagem ao setor privado

A emissão do novo certificado resulta de uma parceria do governo estadual com Instituto Coalizão Saúde (Icos)

Por Claudio Lottenberg 25 jun 2020, 14h35

A testagem em massa é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como alternativa eficaz para tentar frear a disseminação da Covid-19 e rastrear sua contaminação. O Brasil, que avançou na lista dos países com maiores casos de contaminados pelo novo coronavírus, se destaca por seus baixos índices de testagem.

A política de isolamento social, embora com consequências danosas para a economia, é a única medida eficaz para preservar vidas. Afrouxá-la aos poucos depende de testagens em massa, se não quisermos correr mais riscos.

O processo de saída do isolamento tem que ser feito de forma muito equilibrada. Mesmo com todas as medidas de segurança e prevenção (como uso de máscaras, lavagem frequente das mãos e distanciamento social), é difícil reduzir a zero o risco de contaminação. Ainda assim, muitas indústrias não podem interromper suas atividades e outras precisam retomá-las com segurança o quanto antes.

Chega em boa hora, portanto, o programa de certificação de testagem, extensivo ao setor privado, anunciado na última segunda-feira pelo governador de São Paulo, João Doria. A emissão do novo certificado resulta de uma parceria do governo estadual com Instituto Coalizão Saúde (Icos).

Criado e presidido por mim, o Icos tem o objetivo de buscar novos avanços em saúde. Iniciativa inovadora de controle da doença, o instituto visa incentivar a adesão do setor privado à testagem.

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A empresa que aderir ao programa deverá seguir os protocolos e as orientações do Comitê Técnico do Icos, como utilizar apenas testes homologados pela Anvisa. A coleta das amostras será realizada por profissionais de saúde capacitados e devidamente paramentados com os equipamentos de proteção individual e em local com condições sanitárias preconizadas para esse procedimento.

O teste é importante, pois identifica as pessoas que têm ou tiveram a doença ou que são negativos. Dessa forma, é possível identificar os indivíduos que devem ir para quarentena e aqueles que podem retornar ao trabalho.

Nesse processo, devemos considerar a natureza da atividade profissional. É preciso levar em conta a intensidade de contato com o público, condições de ventilação no ambiente de trabalho e proximidade física entre as pessoas. Devemos ainda considerar o tamanho da empresa (quanto maior ela for, maior sua capacidade de financiar mais testes). Por último, o processo vai considerar o número de funcionários da empresa.

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Inicialmente, os trabalhadores serão separados em quatro grupos: 1) os recuperados, com permissão para realizar atividades presencialmente; 2) os infectados suspeitos, que devem ficar em isolamento ou com ações de contenção) 3) os integrantes de grupo de risco, que devem ficar em home office ou serem afastados; e 4) aqueles sem diagnóstico, que devem ser testados em rodízio ou de acordo com aparecimento de sintomas e da natureza de sua atividade. Vale lembrar que sintomas como febre, dores no corpo, calafrios, dor de garganta e dificuldades respiratórias podem ser indicativos do quadro da Covid. Pessoas com tais sintomas podem representar risco ao próximo.

Todo esse arcabouço é criado em conjunto com questionários, para viabilizar a retomada dentro de uma perspectiva segura e que impeça uma nova curva de crescimento.

A nova iniciativa, que amplia a testagem para o setor privado, poderá ser replicada em outros estados. Nossa ideia é que São Paulo seja referência em testagem no país e no mundo, tornando-se um case de sucesso.

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