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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

Sinal verde para as vacinas: um salto gigantesco para os brasileiros

A chegada dos imunizantes é uma grande e histórica conquista na luta contra o coronavírus

Por Claudio Lottenberg Atualizado em 18 jan 2021, 15h12 - Publicado em 18 jan 2021, 14h29

O Brasil começa a trilhar agora seu caminho para a imunização efetiva da população brasileira. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu a autorização para o uso emergencial da vacina Coronavac, fabricada e desenvolvida pelo Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac; e da vacina da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca. Trata-se de uma grande e histórica conquista, a ser celebrada por todos nós, brasileiros.

Vivemos em tempos de divergência. Todos os dias, com muitas pessoas, sobre os mais diversos assuntos, entramos em discussões e chegamos mesmo ao rompimento de relações. Com as vacinas e os programas de vacinação não foi diferente: não só há os que desconfiam da procedência de algumas delas, como os que criticam a eficácia dos imunizantes e os que se recusam por princípio a serem vacinados.

Mas independentemente de toda discórdia, nós temos agora uma luz no fim do túnel a nos orientar. Há quase um ano, o Brasil foi atingido pelo novo coronavírus, e desde então profissionais de saúde e cientistas lutam em uma guerra sem tréguas. A chegada da vacina é um evento extremamente importante nessa luta: ela pode representar uma reintegração de todos nós à vida em sociedade e, sobretudo, fortalecer o nosso país.
Essas aprovações representam também um marco da ciência brasileira. As vacinas que chegarão aos brasileiros a partir de agora são produto do trabalho de pesquisa do qual médicos e cientistas do Instituto Butantan e da Fiocruz participaram, para garantir a eficácia e a segurança. As duas instituições são centros de excelência dos quais todos podemos nos orgulhar.

Importante é lembrar também que, se a chegada da vacina é de fundamental importância, ela é também mais um passo num caminho ainda bastante longo.

Além de todo um trabalho técnico e logístico para garantir que ela chegue aos pontos mais distantes de um país continental, há também um percurso igualmente árduo de educação e convencimento a ser feito. As medidas sanitárias de prevenção e controle na disseminação da Covid-19, como distanciamento social e uso de máscara e álcool em gel, ainda farão parte do cotidiano de todos nós por algum tempo. Precisaremos continuar a luta contra o negacionismo para promover conscientização e mudanças de comportamento.

Mas nos permitamos uma celebração. Aguardamos este momento por muito tempo, e chegar aqui foi doloroso para muitos. Teremos com o início da vacinação o avanço lento e gradual, mas seguro, da chamada imunização de rebanho. Com ela, aos poucos iremos ganhando resistência contra o novo coronavírus. Não será a solução absoluta para a doença, mas com ela estaremos em uma posição de vantagem. Seremos mais capazes de fazer avançar as pesquisas por vacinas mais eficientes e, quem sabe, algum medicamento, um antiviral. Mas aí entramos no terreno da previsão. A hora é de apreciar o que já obtivemos, e a vacina é a grande conquista agora.

Talvez pudéssemos parafrasear aqui o astronauta Neil Armstrong (que pousou na Lua em 20 de julho de 1969) e dizer que as vacinas são, na verdade, um salto gigantesco não só para os brasileiros, mas para todas as nações e populações. Viva às vacinas! Viva à vida!

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