Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês
Clarissa Oliveira Notas sobre política e economia. Análises, vídeos e informações exclusivas de bastidores

O que o mercado ouviu ao pedir explicações ao time de Paulo Guedes

Clima no Ministério da Economia é de "total desilusão" diante da insistência do governo de furar o teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil

Por Clarissa Oliveira Atualizado em 22 out 2021, 12h07 - Publicado em 22 out 2021, 11h42

Desde a última quarta-feira, quando surgiu a notícia de que o governo anunciaria naquela tarde o Auxílio Brasil de R$ 400, os telefones de secretários e auxiliares do Ministério da Economia não pararam de tocar. Na ponta da linha, estavam empresários, grandes gestores de fundos de investimentos, sócios de corretoras. A nata da Faria Lima. Aquela turma que tem acesso livre à cúpula da pasta e consegue sem dificuldades informações a respeito de tudo o que acontece por ali.

As perguntas ao telefone variavam desde o risco de uma saída de Paulo Guedes do cargo ou de uma debandada – agora confirmada – de seus secretários, até pedidos de explicações sobre o que esperar daqui para frente. Alguns já especulavam sobre quem seriam os substitutos na alta cúpula da Economia. Outros faziam um discurso quase negacionista diante da clara intenção do presidente Jair Bolsonaro de jogar de vez pela janela as promessas de uma abordagem liberal na economia.

Em um desses diálogos, um representante do mercado discutia com auxiliares de Guedes as novas queda da bolsa e alta do dólar registradas na quinta-feira, um dia depois de esses dois indicadores já terem balançado com o anúncio do novo Auxílio-Brasil. E comentava que achava a queda dois dias seguidos exagerada. “É como se o mercado não aceitasse o que está acontecendo, como se ainda quisesse fechar os olhos para o que está aí”, disse. Outro interlocutor ouviu da equipe de Guedes que o clima no ministério era de “absoluta desilusão”. “Ficou claro que o pessoal ali já desistiu de fazer as coisas do jeito certo”, relatou à coluna.

Mesmo com a declaração de Bolsonaro de que Paulo Guedes fica no governo, muita gente no mercado não saiu convencida. Entre os nomes especulados para sua substituição, o que pareceu ter mais receptividade entre fontes do mercado ouvidas pela coluna é o do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Mas outros dizem não ver motivo para que ele abandone o barco a essa altura do campeonato. “Acho que ele já chegou até aqui, já tá meio no fundo do poço. Talvez o melhor seja esperar a eleição mesmo”, disse um deles.

Leia também: Dólar opera em alta e bolsa abre em queda após debandada na equipe econômica

Continua após a publicidade

Publicidade