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Clarissa Oliveira Notas sobre política e economia. Análises, vídeos e informações exclusivas de bastidores

Entrada de Moro no jogo preocupa rivais e alimenta discurso defensivo

Ex-juiz ganha com clima de desconfiança que cerca candidatura presidencial e tem a chance de reforçar discurso de unidade da terceira via

Por Clarissa Oliveira Atualizado em 10 nov 2021, 16h34 - Publicado em 10 nov 2021, 09h46

Nas últimas semanas, não foram poucos os políticos que minimizaram para esta colunista a entrada de Sérgio Moro no leque de candidaturas do ano que vem. “Ele nem quer sair para presidente, no fundo ele sabe que não dá mais. Talvez para o Senado”, disse um deles. “Ele tem muita preocupação com a pauta anticorrupção, tinha que ser além disso”, afirmou outro. “Se ele não tivesse sido ministro do Bolsonaro, hoje esse cara estava eleito. Mas ele sabe que jogou esse capital fora”, acrescentou um terceiro.

Pois Moro, como registrou a coluna no fim de setembro, já descartou faz tempo uma disputa ao Senado e bateu o martelo pela candidatura presidencial. Nas conversas que manteve nos bastidores nas últimas semanas, ele deixou claro que não vai se ater à pauta anticorrupção. E, na ótica do ex-juiz, sua ruptura com o presidente Jair Bolsonaro é o que lhe permite entrar com algum fôlego na corrida ao Palácio do Planalto.

As frases relatadas no início deste texto – algumas delas ditas por potenciais adversários de Moro em 2022 –  apenas comprovam que a entrada do ex-juiz na corrida presidencial preocupa esses setores. Moro ganha com esse clima de desconfiança. Até porque ninguém nos partidos situados mais ao centro do espectro político vai bater de frente com o ex-juiz. A tendência é que todos encampem o discurso de união da terceira via, pelo menos num primeiro momento.

Os pré-candidatos do PSDB João Doria e Eduardo Leite, por exemplo, disseram ao Amarelas On Air que estariam dispostos a abrir mão da candidatura mais à frente, em nome de uma aliança capaz de derrotar o presidente Jair Bolsonaro. Se vão de fato sair de cena se seu desempenho deixar a desejar, aí é outra história. Mas Doria, assim como o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, também chegou a dizer que compareceria presença no ato de filiação de Moro ao Podemos, marcado para esta quarta-feira. Tudo em nome de um discurso de unidade.

Se depender de aliados de Moro, o evento de hoje vai sacramentar a pré-candidatura presidencial e servirá de palco para o esboço de um programa que vá além da pauta anticorrupção. O discurso de uma terceira via unida é bonito para quem vê de fora. Mas, na prática, Moro tem duas batalhas pela frente. A primeira é se viabilizar como a alternativa mais forte desse grupo. E só depois disso, se levar a melhor, é que ele poderá se dedicar integralmente a enfrentar nomes como Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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