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Clarissa Oliveira Notas sobre política e economia. Análises, vídeos e informações exclusivas de bastidores

Debate sobre desoneração ampla tem cheiro de nova CPMF

Sem um imposto sobre transações financeiras ou outro mecanismo semelhante, ideia de reduzir impostos sobre todos os salários é uma conta que não fecha

Por Clarissa Oliveira 23 set 2021, 13h44

O ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve ontem com o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) para discutir a desoneração da folha de pagamentos em 17 setores da economia. Depois de muita pressão e muita dor de cabeça, o governo estendeu o benefício no ano passado, o que tranquilizou um universo de empresas que respondem por nada menos do que 6 milhões de empregos. Era uma medida necessária, com a qual o governo não tinha como brigar. Mas o benefício agora tem que passar por uma nova negociação para ser prorrogado.

 Eis que o relator do projeto que trata do assunto sai do encontro repetindo exatamente as mesmas palavras que Paulo Guedes costumava dizer lá atrás, quando tentava usar a desoneração da folha para esses 17 setores para barganhar a recriação de uma nova CPMF. O relator nega que essa seja a intenção. Mas seja qual for a ideia que paira na cabeça do ministro da economia, o mecanismo não teria como ser muito diferente. Os dois falam em desoneração ampla, sem aumento de impostos. Para isso seria necessária uma ampla (e boa) reforma tributária, algo que o governo ainda tem muito longe no seu horizonte.  

O fato é que o Brasil vai chegar ao fim do ano com um quadro de inflação em escalada, à beira da recessão, juros altos e às vésperas de uma eleição presidencial. Vários economistas ouvidos pela coluna entendem que dificilmente o governo Bolsonaro consegue escapar de um aumento de impostos. O que tenderia a acontecer, na avaliação desses especialistas, até o fim do ano. Afinal, ninguém quer falar em CPMF ou qualquer coisa minimamente parecida em ano de eleição. 

 

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