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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Quatro meses depois de ter igreja pichada, Pampulha vira patrimônio da Unesco. O que isso significa na prática?

Preservação depende da iniciativa local, e os ganhos econômicos são difíceis de medir

Por Mariana Barros Atualizado em 30 jul 2020, 22h16 - Publicado em 18 jul 2016, 13h50
Igrejinha da Pampulha pichada em março revela dificuldade de preservação (Reprodução)

Igrejinha da Pampulha pichada em março revela dificuldade de preservação (Reprodução)

A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) anunciou ontem que o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade. É o 20º local a ganhar o título no Brasil e o 4º em Minas Gerais.

No mundo, há mais de 1.000 locais tombados como monumentos culturais e naturais, entre igrejas, parques, pinturas rupestres, túmulos, castelos, centros históricos, elevadores de navio e sítios arqueológicos. Mas o que o título agrega na prática?

O primeiro ponto é que ele passa a ser inspecionado periodicamente pela UNESCO, o que, em tese, contribuiu para a sua presrvação. Mas o orçamento para tal e mesmo os cuidados a serem tomados é de responsabilidade local, o que na prática nem sempre funciona.

Em duas ocasisões, a falta de comprometimento de governos locais fizeram com que áreas sob a responsabilidade deles perdessem o selo de Patrimônio da Humanidade. O primeiro caso ocorreu em Omã, em 2007,  após uma área protegida ao redor de uma casa no deserto ser radicalmente reduzida — o governo encontrou petróleo no subsolo e descartou qualquer esforço de prervação do sítio, tombado desde 1994.

Outro a perder o título foi o Vale do Elb, em Dresden, depois de que uma ponte de quatro pistas foi construída e estragou a paisagem. A Alemanha ignorou os apelos da UNESCO de que a obra prejudicaria a vista sobre o vale do rio, e o vale saiu da lista em 2009, apenas cinco anos depois de ter entrado nela.

Pichação vista de longe (Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)

Pichação vista de longe (Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)

Há quatro meses, a Igrejinha da Pampulha, oficialmente a Igreja de São Francisco de Assis, teve seus painéis de autoria de Candido Portinari pichados. Embora ainda não tivesse o reconhecimento da UNESCO, já era tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Isso, porém, não evitou a depredação, comprovando que esse tipo de selo, por si só, não garante vida longa a um lugar se outras medidas não forem tomadas em conjunto.

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Sobre os ganhos econômicos, a classificação de um local como Patrimônio da Humanidade tende a aumentar a visitação de turistas, mas é difícil precisar o quanto. Em Bordeaux, por exemplo, o selo foi concedido em 2000. Desde então, a visitação cresceu de 26.000 para 44.000 pessoas por ano, um aumento de 75%. Ninguém vai negar que parte disso tenha sido reflexo da decisão da UNESCO, mas o contexto econômico e cultural, como a popularização do consumo de vinhos e o crescente interesse pela gastronomia, também tiveram seu papel nessa escalada.

O selo internacional conferido à Pampulha não é o final da história, mas apenas o começo dela, o que significa que as administrações locais encontrem maneiras de investir na preservação e de alavancar o turismo local sem prejudicar o que ali há de melhor.

 

Por Mariana Barros

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