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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Imundície no Rio é lembrete da dificuldade de gerenciar a crescente produção de lixo urbano

O lixo amontoado pelas ruas do Rio de Janeiro é mais do que o rescaldo da folia carnavalesca. Com a greve dos garis da Comlumb, iniciada no final da semana passada, pudemos ter a dimensão da imensa quantidade de lixo que somos capazes de produzir em pouquíssimo tempo. No Aterro do Flamengo, na Lapa, na […]

Por Mariana Barros Atualizado em 31 jul 2020, 04h19 - Publicado em 5 mar 2014, 16h14
Restos acumulados na Lapa, um dos cenários da imundície causada pela greve de garis no Rio de Janeiro (Severino Silva/Agência O Dia)

Restos acumulados na Lapa, um dos cenários da imundície causada pela greve de garis no Rio de Janeiro (Severino Silva/Agência O Dia)

O lixo amontoado pelas ruas do Rio de Janeiro é mais do que o rescaldo da folia carnavalesca. Com a greve dos garis da Comlumb, iniciada no final da semana passada, pudemos ter a dimensão da imensa quantidade de lixo que somos capazes de produzir em pouquíssimo tempo. No Aterro do Flamengo, na Lapa, na Glória, em Ipanema ou no centro as calçadas têm tanto lixo acumulado que fica difícil caminhar por elas. O cheiro piora a cada hora que passa, ao ponto de os lojistas do Saara terem decidido limpar a região por conta própria (leia mais aqui)

Esse cenário de imundície é um lembrete do que vem por aí. Enfrentar o lixo é um dos mais complexos desafios das cidades, já que a quantidade de resíduos que produzimos só tende a aumentar. Um estudo realizado por dois pesquisadores do Banco Mundial, Daniel Hoornweg e Perinaz Bhada-Tata, aponta que a quantidade de lixo gerada por uma população está diretamente relacionada à sua renda e que, com base nesse critério, há países mais propensos a aumentar sua geração de resíduos do que outros.

No estudo, as nações foram classificadas conforme a renda e agrupadas em quatro grandes faixas: rendas baixa, média baixa, média alta e alta. O Brasil foi enquadrado na categoria renda média alta, cujas projeções de produção de lixo não não tão preocupantes quanto as da categoria de renda média baixa. Esse grupo, que inclui Angola, Bolívia, China, Equador, Egito, India, Marrocos, Nigéria, Paraguai, Síria, Tailândia e Turquia, entre outros, será o maior responsável pelo volume de resíduos gerado no planeta em 2025.

Ainda assim, o tamanho da população e a crescente migração urbana fazem do nosso lixo um problema de grandes proporções. De acordo com o estudo, o 1,03 quilo produzidos por dia per capita pelos brasileiros se transformarão em 1,6 quilos por dia per capita em 2025. Neste período, o total de resíduos no país saltará de 149 096 para 330 960 toneladas diárias.

O quadro mundial é igualmente preocupante. Hoje, produzimos o dobro de lixo do que produzíamos dez anos atrás. Passamos de 680 milhões de toneladas para 1,3 bilhão de toneladas por ano. Em 2025, estima-se uma produção de 2,2 bilhões de toneladas de detritos, isso tudo considerando apenas a população urbana. O custo para gerenciar o enorme montante de resíduos será de 375 bilhões de dólares, bastante superior ao gasto atual, de 205 bilhões de dólares.

A maneira como cada país, especialmente os de renda média baixa, decidir livrar-se desse montão de lixo será decisiva para determinar como estaremos vivendo daqui a dez anos. Se não houver esforços para tratar e dar um destino adequado a tudo o que não nos serve mais, a sujeira que hoje se acumula na paisagem carioca pode integrar uma triste rotina urbana em diversas regiões do mundo.

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