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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Ensinamentos de Jan Gehl e Jane Jacobs motivam projeto em Limeira para criar bairro fácil, agradável e seguro

Chamada de Bairro da Gente, iniciativa ouviu moradores para planejar a reforma de uma área de 300 mil metros quadrados por parceria público privada (PPP)

Por Mariana Barros - Atualizado em 8 fev 2017, 17h18 - Publicado em 8 jul 2016, 08h02
Mapa do Bairro da Gente, a ser implantado em Limeira (Fotos Divulgação)

Mapa para moradores dizerem o que querem do Bairro da Gente, a ser implantado em Limeira (Fotos Divulgação)

Um projeto no interior de São Paulo batizado de Bairro da Gente pretende colocar em prática os ensinamentos de dois “papas” da vida urbana, a americana Jane Jacobs e o dinamarquês Jah Gehl. Jacobs é autora do livro Morte e Vida das Grandes Cidades, em que argumenta, entre outras coisas, que quanto mais movimentada é uma rua, mais segura ela se torna. Já Gehl em seu Cidades para Pessoas questiona por que a escala urbana é pautada mais pelos edifícios do que pela maneira como os moradores usam e vivem em cada espaço. A partir da combinação dessas duas visões, o projeto buscou criar um bairro pelo qual fosse fácil, seguro e agradável circular. A própria equipe de Gehl participou da elaboração do masterplan, que será implantado a partir de uma parceria público privada (PPP).

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O local escolhido foi uma área de 300 mil metros quadrados em Limeira, cidade de 300 mil habitantes no interior paulista. O ponto de partida é um antigo aeroclube desativado, e a repaginação inclui melhorar ou criar 30 lugares deste perímetro, entre praças, terminais de ônibus, mercado e escolas.

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Cidade de Limeira, no interior paulista

Cidade de Limeira, no interior paulista

Em conversa com o blog Cidades sem Fronteiras, dois dos autores do projeto, Iury Lima e Raouda Assaf, contaram o quanto o diálogo com a comunidade foi determinante para a definição do que fariam dali em diante. Em dinâmicas e conversas, ouviram, por exemplo, crianças e idosos dizerem sentir medo dos carros, receio causado pela alta velocidade com que transitavam. Para resolver isso, foram criadas calçadas largas priorizando o pedestre e vias mais estreitas para carros, cujo desenha obriga os motoristas a tirarem o pé do acelerador.

Além de incentivar deslocamentos a pé e de bicicleta, o projeto lançou mão de outras estratégias para aumentar a presença de pessoas nas ruas. O bairro é de uso misto, ou seja, com residências, comércio e serviços intercalados, e também de renda mista, para que não vire nem um Minha Casa Minha Vida nem um condomínio clube (embora preveja a construção de unidades do programa do governo federal). Houve ainda a preocupação de criar arquiteturas diferentes umas das outras, sempre no esforço de tornar a paisagem mais interessante e viva.

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O Bairro da Gente faz uso ainda de uma técnica inovadora chamada “place branding”, que investiga a identidade e a vocação de um local a partir da colaboração dos moradores, criando neles um senso de pertencimento. No caso de Limeira, o trabalho foi feito pela starup Places for Us, a primeira agência brasileira especializada no assunto. Basicamente, sua tarefa é fazer com que espaços que poderiam ser insossos e ganhem definição e significado para se tornarem lugares que as pessoas gostem de frequentar.

O projeto está em fase de aprovação e as obras estão previstas para serem entregues em até dez anos.


Por Mariana Barros

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