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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Empresa americana usa Big Data para identificar o perfil dos moradores de cada CEP do país

Diga-me onde moras e eu te direi quem és. É o que promete (e entrega) a empresa de análise de dados Esri. A companhia desenvolveu um banco de dados sobre a população americana baseado no local de moradia dessas pessoas. Funciona assim: no site do projeto, digita-se um CEP qualquer para consulta e tem-se como […]

Por Mariana Barros Atualizado em 31 jul 2020, 02h50 - Publicado em 17 out 2014, 18h12

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Diga-me onde moras e eu te direi quem és. É o que promete (e entrega) a empresa de análise de dados Esri. A companhia desenvolveu um banco de dados sobre a população americana baseado no local de moradia dessas pessoas. Funciona assim: no site do projeto, digita-se um CEP qualquer para consulta e tem-se como resultado uma série de informações sobre os moradores dali, como a média de renda e de idade, a densidade populacional e até mesmo os segmentos mais presentes naquele pedaço. Para empresas em busca de um público-alvo preciso, é um prato cheio (a Esri ganha dinheiro justamente identificando oportunidades de mercado).

O ZIP LookUp, como é chamado o projeto, fica entre o surpreendente e o assustador. Surpreendente pela variedade e profundidade dos perfis de moradores e pela boa precisão ao localizá-los no mapa. E assustador justamente pelas mesmas razões, afinal como a empresa conseguiu saber tudo isso? A resposta atende pelo nome de Big Data, esse imenso volume de dados digitais que prolifera na internet. A empresa não revela as fontes exatas usadas, mas entre as mais prováveis estão redes sociais como Facebook e Twitter e sites de comércio online. Neste ano, a empresa Datalogix, parceira do Facebook, revelou dispor de dados sobre moradores de praticamente todos os domicílios americanos, além de detalhes de transações via internet feitas por eles no valor total de 1 trilhão de reais.

No caso da Esri, as informações coletadas foram analisadas até que se identificasse uma repetição entre determinada preferência e determinada localidade, ou seja, um padrão. O passo seguinte foi analisar esses padrões até se chegar a 67 grandes grupos de consumidores. Para cada grupo foi levantando um perfil detalhado sobre como pensam, do que gostam, o que fazem e, principalmente, seus hábitos de consumo.

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Vejamos, por exemplo, o que pensam os moradores de Beverly Hillsuma das regiões mais ricas dos Estados Unidos. O CEP de lá virou até nome de seriado, “Beverly Hills, 90210″, traduzido no Brasil como “Barrados no Baile” e grande sucesso nos anos 1990. O perfil de 73% dos habitantes de lá pode ser descrito da seguinte forma:

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“Conquistamos nossos objetivos de carreira corporativa e podemos agora operar nossos próprios negócios. Somos casados ​​com filhos mais velhos ou sem filhos. Cada tarefa de manutenção em nossas casas luxuosas é realizada por um tipo de serviço contratado. Contamos ainda com serviços pessoais em salões de luxo, spas e centros de fitness e fazemos compras em lojas sofisticadas para qualquer coisa que desejamos. Viajamos com freqüência e não poupamos para tirar férias de luxo ou visitar nossas segundas casas, tanto nos EUA como no exterior. As noites e os fins de semana são preenchidos com óperas, concertos de música clássica, jantares de caridade e compras. Apoiamos as artes e outras instituições de beneficentes. Gostamos de ler para expandir nosso conhecimento e dependemos da internet, do radio e dos jornais para nos sentirmos bem informados. Passar tempo com a família e um pequeno círculo de amigos íntimos é uma prioridade para nós.”

Agora, segue a descrição dos “Trendsetters”, grupo que corresponde a 20% dos moradores de Beverly Hills e parece ter inspirado a criação de Brendon, Brenda e sua turma:

“Acreditando que só se é jovem uma vez, queremos viver a vida ao máximo, sem restrições. Somos jovens solteiros, educados e com bons empregos e gastamos o que ganhamos nos endereços mais luxuosos da cidade e com entretenimento. Boa parte da nossa despesa é com o aluguel. Mesmo estando entre os gastadores, procuramos aconselhamento financeiro e criamos carteiras de investimento. Dos pés às cabeças, nos vestimos como dita a moda e passamos nossas noites e nossos finais de semana às voltas com eventos relacionados a arte e à cultura local, jantando fora ou explorando novos hobbies. Temos de estar conectados o tempo todo e consideramos as mensagens de mídia social e de texto essenciais para a comunicação e para a nossa vida social. E-readers e tablets são nossos aparelhos preferidos, exceto quando se trata de revistas sobre moda feminina e estilo de vida, que preferimos ler impressas. Compramos refeições orgânicas rápidas nas lojas Whole Foods e Trader Joe”.

Se eles vivessem na era do Big Data, será que seriam assim?

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Por Mariana Barros

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