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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Em SP, faixas verdes para pedestres reproduzem projeto de Nova York, mas falham na execução

Nos EUA pedestres e veículos foram separados por pinos, tartarugas e até vasos de plantas

Por Mariana Barros Atualizado em 31 jul 2020, 00h27 - Publicado em 18 set 2015, 16h16
Nova York também criou espaços para pedestres, mas com separação da via com pinos ou vasos de plantas (Fotos: The New York City Department of Transportation)

Área do Brooklin revitalizada por projeto que criou praças de pedestres em Nova York (Fotos: NYC Department of Transportation)

Nesta semana, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad anunciou um projeto piloto que prevê a criação de faixas verdes exclusivas para pedestres. A primeira via a receber essa demarcação foi a Rua Vergueiro, na Liberdade, região central da capital paulista. A faixa tem 1,5 metro de largura e 750 metros de comprimento e foi pintada numa região onde é grande o fluxo de pedestres, devido à concentração de universidades.

Nova York experimentou algo semelhante em 2013, movido principalmente pelo esforço de melhorar a sensação de segurança dos moradores. Partindo da ideia de que ruas mais seguras são as de maior circulação, a cidade ampliou as áreas de permanência, como bancos e praças, aproveitando espaços mortos como rotatórias e cotovelos em esquinas.

No Brooklin, o cotovelo de um cruzamento que servia de ponto de encontro para traficantes e prostitutas foi convertido em uma simpática praça. O resultado foi imediatamente sentido pelos comerciantes, que assistiram a um aumento significativo nas vendas. Jovens americanos que, ao contrário de seus pais, preferiram a agitação da cidade à rotina pacata do subúrbio, também gostaram da medida. Com pouco dinheiro para gastar com moradia, eles se viram empurrados para as regiões menos nobres e com poucos espaços públicos que pudessem frequentar.

A maneira como essas zonas foram demarcadas contrasta bastante com a fórmula adotada em São Paulo. Em nenhuma das “plazas” nova-iorquinas a tinta bastou demarcar a área dos pedestres e protegê-los dos veículos. Em todos os pontos, a pintura foi combinada a tartarugas ou pinos instalados no chão. Alguns lugares ganharam até mesmo charmosos vasos de plantas. Não é o que se vê na Rua Vergueiro, onde apenas a tinta verde separa os pedestres dos carros e ônibus que tafegam na via.

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A iniciativa demonstra a vontade política de Haddad de criar espaços na cidade onde o carro não é a medida de todas as coisas. Demonstra ainda que a falta de verbas não é sentença que deva condenar propostas ao papel. Por outro lado, é preciso lembrar que o pedestre é o elo mais frágil da cadeia alimentar urbana e, portanto, o que mais precisa ser protegido. Incentivar as pessoas a se aproximar de veículos sem oferecer nenhum obstáculo físico é permitir que ocorram acidentes. As faixas verdes são interessantes no mérito e refletem a tendência global de abrir espaço nas cidades para os pedestres. Mas se não forem executadas corretamente farão dar errado aqui algo que tem dado certo no mundo todo.

ESCLARECIMENTO:
Após a publicação deste post, a assessoria de imprensa da prefeitura de São Paulo entrou em contato para esclarecer que a implantação das faixas verdes ainda não está completa e só deve ser concluída no mês que vem, com mecanismos que separarão os pedestres dos veículos. Diz o comunicado: “A intervenção receberá pintura antiderrapante na cor verde, reforçada com uso de outros elementos de sinalização, tais como segregadores, balizadores e tachas refletivas. Nos quatro pontos de ônibus do trecho, as calçadas serão alargadas e os ônibus farão a parada na sua própria faixa, sem ter necessidade de avançar sobre a faixa de pedestres. Atualmente, é proibido estacionar carros no local de segunda a sexta-feira, das 6 horas às 23 horas. Com o novo passeio, será proibido estacionar por período integral.”

NOTA MINHA: É ótimo saber que o projeto prevê contemplar a segurança dos pedestres. Trata-se do ponto fundamental para que a iniciativa dê certo. Cabe registrar, porém, que os pedestres já estão usando a faixa neste momento e continuarão a usá-la nas próximas semanas mesmo sem disporem de nenhuma proteção.

Faixa verde para pedestres na Rua Vergueiro, na Liberdade (Foto: Ricardo Bastos/Fotoarena/Folhapress/Veja São Paulo)

Faixa verde para pedestres na Rua Vergueiro, na Liberdade. Segundo a prefeitura, a obra fica pronta no mês que vem (Foto: Ricardo Bastos/Fotoarena/Folhapress/Veja São Paulo)


Por Mariana Barros

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