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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Como pequenos grupos conseguem espalhar o horror por metrópoles gigantescas?

Para especialista americano, fórmula que aterrorizou Paris foi cunhada nos atentados de Mumbai de 2008

Por Mariana Barros - Atualizado em 9 Feb 2017, 18h09 - Publicado em 16 Nov 2015, 13h11
Militares franceses armam forte esquema de segurança na Torre Eiffel depois dos atentados da última sexta-feira (Foto Reuters/Yves Herman)

Militares franceses armam forte esquema de segurança na Torre Eiffel depois dos atentados da última sexta-feira (Foto Reuters/Yves Herman)

Como é possível um pequeno grupo de homens armados conseguir espalhar o terror por uma megalópole inteira? Para Bruce Riedel, diretor de Inteligência do Instituto Brookings, centro de estudos baseado em Washington, a receita usada nos horrendos atentados de Paris da última sexta-feira foi cunhada em novembro de 2008, em Mumbai.

Naquela ocasião, a cidade indiana, que é uma das mais populosas do mundo, assistiu a um massacre matematicamente improvável. Dez terroristas mataram 164 pessoas e feriram mais de 300. “Mumbai tem sido estudada tanto por terroristas quanto por contra-terroristas por ter estabelecido um padrão de ouro sobre como um pequeno grupo de fanáticos suicidas pode paralisar uma cidade, atrair a atenção global e aterrorizar um continente”, escreve Riedel.

Tanto na França quanto na Índia, homens armados abriram fogo simultaneamente contra alvos fáceis em áreas urbanas bem movimentadas. Os ataques foram repetidos em sequência, espalhando horror pela população. E os lugares escolhidos, relacionados ao lazer, ao relaxamento, à diversão e à história das cidades, chocam ainda mais ao se convertem em cenários de tragédia.

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Em Paris, os terroristas usaram coletes à prova de balas, o que potencializou seu poder de fogo. Em Mumbai, a escolha foi pelos telefones celulares, usados para receber em tempo real os comandos enviados por chefes localizados no Paquistão e elevar ao máximo o número de vítimas. Até o momento, investigadores do atentado da capital francesa não identificaram o mesmo grau de sofisticação na comunicação do grupo que agiu na sexta-feira.

O Estado Islâmico (EI), que se apresentou como responsável pela matança na França, já havia repetido a receita de Mumbai em outras ocasiões. Ações semelhantes ocorreram no Iraque e foram planejadas para tomar as ruas de Madri, mas os agentes do EI foram surpreendidos e presos por autoridades espanholas no início deste mês, antes que o pior acontecesse.

Até mesmo a Al-Qaeda buscou a mesma fórmula para Copenhague em 2009. Não deu certo porque o FBI conseguiu prender o paquistanês-americano responsável por arquitetar a emboscada.

Do lado policial, os atentados de Mumbai também foram exaustivamente estudados. Isso contribuiu para que a polícia francesa estivesse mais preparada e os socorristas soubessem melhor como agir.

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Embora seja possível reagir com maior eficiência e, alguns casos, até frustrar ações de antemão, torna-se impossível impedir o terrorismo de ceifar vítimas inocentes depois que o gatilho é puxado pela primeira vez.

 

Por Mariana Barros

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