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Canal independente Mova-se traz vídeos sobre como as pessoas se deslocam pelas cidades do mundo

A plataforma, dedicada à mobilidade sustentável, produz e divulga conteúdos de boas práticas e ideias para servir de inspiração

Estação túnel de Curitiba, que passa por modernização, tema de um dos vídeos do Canal Mova-se (Reprodução)

Estação tubo de Curitiba, que passa por modernização, tema de um dos vídeos do Canal Mova-se (Fotos Reprodução)

Era para ser uma coisa simples, mas ir de um ponto a outro da cidade, qualquer que seja ela, virou uma das tarefas mais complicadas na rotina de quem vive nos grandes centros. Sem improvisar, fica cada vez mais difícil conseguir sair do lugar. Pegar o carro para sair de casa já não é mais um ato automático como era dez anos atrás. Criado em abril do ano passado, o Canal Mova-se dedica-se justamente a ajudar as pessoas a se deslocarem com maior facilidade, divulgando ideias e incentivando boas práticas.

Há reportagens por exemplo sobre a modernização das estações tubo de Curitiba, sobre bikes no Rio de Janeiro usadas mais para transporte do que para o lazer ou sobre o funcionamento do VLT (veículo leve sobre trilhos) de Barcelona, o Tranvía. O canal produz e também compartilha conteúdos enviados por internautas, sempre sobre o tema da mobilidade sustentável.

O responsável pelo Mova-se é Paulo Henrique Bogo, sócio fundador da produtora de vídeos Arvitec Brasil. Em 1998, a empresa foi escolhida para produzir a Expo Lisboa, o que levou Bogo a registrar e acompanhar todo o processo de recuperação da zona degradada da cidade. Ao longo da temporada lisbonense de dez anos, ele se envolveu cada vez mais com os temas urbanos e com mobilidade.

Interior do Tranvía,  usado em Barcelona

Interior do Tranvía, usado em Barcelona

Para Bogo, os deslocamentos são o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. “É preciso mostrar que as cidades brasileiras podem ser mais humanas e democráticas, com transporte público de qualidade, mais estruturas cicloviárias e calçadas acessíveis, gerando menos acidentes e um ar mais limpo”. Segundo ele, a opção pelo automóvel — que parecia ser a resposta mais eficiente — levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição e de ocupação do espaço público. No Brasil, a frota de automóveis e motocicletas teve crescimento de até 400% nos últimos dez anos.

A partir do conteúdo do Mova-se, Bogo já aponta algumas constatações para nos movermos com mais agilidade e menos estresse. A primeira é a necessidade de implantação de sistemas sobre trilhos, como metrô, VLT, ônibus elétricos ou movidos a biocombustível. Integrar esses meios às ciclovias é outro ponto fundamental para que funcionem da melhor forma. A segunda constatação é que a mobilidade depende de calçadas em boas condições, ou seja, niveladas e sem obstávulos. É importante lembrar que um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é a pé. A terceira constatação é que sem melhorar o transporte público os motoristas não deixarão o carro em casa, impedindo que as vias por onde hoje só trafegam veículos voltem a ser locais de convivência.

Na semana passada, a série de encontros Esquina teve como tema Como viver em São Paulo Sem Carro, com participação do jornalista Leão Serva e da ativista do grupo Corrida Amiga Sílvia Cruz. O Canal Mova-se esteve lá para registrar o encontro. A reportagem pode ser vista abaixo:

 

Por Mariana Barros

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