Clique e assine a partir de 9,90/mês
CannabiZ Por Ricardo Amorim Novidades e reflexões sobre o mercado da cannabis legal, no Brasil e no mundo

Há espaço para a cannabis medicinal na luta contra o novo coronavírus?

Sem remédios ou vacinas, potencial anti-inflamatório do canabidiol poderia ajudar a reduzir os sintomas mais graves dos pacientes de COVID-19

Por Ricardo Amorim - 1 abr 2020, 16h56
Laboratórios ao redor do mundo estão dedicados ao combate ao novo coronavírus Egberto Nogueira/Ímãfotogaleria/.

Em tempos de pandemia e isolamento social, todos torcemos pela descoberta de uma cura ou o desenvolvimento de terapias que melhorem as condições dos infectados. Governos e empresas estão destinando bilhões de dólares para pesquisas de combate ao novo coronavírus, mas os resultados são lentos porque devem obedecer aos rigores do método científico. Na tentativa de salvar vidas que não podem esperar, os profissionais de saúde usam as armas de que dispõem no momento. Vêm daí as experiências com remédios regularmente empregados, por exemplo, no tratamento de malária, lúpus e HIV. Como vem sendo amplamente divulgado, os resultados obtidos com o uso dessas drogas ainda são preliminares, inconsistentes e carecem de validação científica.

Para ampliar esse leque de opções, a Cannalogue, empresa canadense de cannabis medicinal, informou que está buscando autorização para realizar um teste clínico para investigar se o CBD pode ajudar a reduzir a gravidade dos sintomas da COVID-19. O médico Mohan Cooray, CEO da Cannalogue, disse que está tentando acelerar o processo de licença para tentar ajudar ainda enquanto a epidemia se alastra pelas Américas. A premissa para a pesquisa são as propriedades anti-inflamatórias do CBD. Segundo Cooray, há inúmeras evidências de que o canabidiol ajuda a conter os efeitos das inflamações no corpo humano. Para ele, o mesmo princípio poderia ser útil nas infecções pelo novo coronavírus. “Não estou garantindo que o CBD terá efeito”, disse. “No entanto, a hipótese que estamos analisando é que o CBD pode reduzir a gravidade do novo coronavírus porque reduz a resposta inflamatória do corpo. E isso precisa ser investigado”, concluiu.

Efeitos comprovados e potenciais pacientes

Ainda que a COVID-19 esteja concentrando todos os esforços sanitários atuais (e nem poderia ser diferente), pessoas que sofrem com outras moléstias já conhecem bem os benefícios das terapias com cannabis. Mesmo se as pesquisas direcionadas às infecções pelo novo coronavírus apontarem que a erva não tem efeitos sobre a doença, as indicações clínicas para o uso de canabinoides seguem crescendo.

Continua após a publicidade

Abaixo apresento um levantamento realizado pela equipe técnica da brasileira Cantera/OnixCann que traz uma lista de condições (coluna 1) que podem ser tratatadas com os derivados da cannabis e seus respectivos números de pacientes no Brasil (coluna 2). Para estimar o potencial de mercado para seus produtos, a Cantera usou, para cada uma delas, o índice de refratariedade (coluna 3), que é o percentual de pacientes que não respondem às terapias alopáticas convencionais. A coluna 4 exibe o total de pacientes refratários que, ao menos em tese, poderiam se beneficar dos tratamentos com canabinoides. Importante notar que não é válido somar as linhas para se obter um total geral de pacientes em potencial, uma vez que a mesma pessoa pode apresentar dois ou mais quadros simultaneamente. Ainda assim, trata-se de um contingente considerável para o qual as autoridades também precisam olhar, senão agora, por conta da epidemia, o quanto antes.

Ricardo Amorim/Cannabiz/Reprodução

 

Publicidade