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Quatro verdades sobre o embargo americano a Cuba

Antonio Milena/Milenar

Sem lucro, sem comida

A excelente notícia do provável fim do embargo a Cuba está fazendo muita gente repetir equívocos graúdos sobre o assunto. Abaixo esclareço quatro pontos dessa história:

1. A causa da miséria em Cuba é o comunismo, não tanto o embargo
Uma reportagem da BBC Brasil, publicada no UOL, diz que “o bloqueio econômico empobreceu o país” e “também ampliou o mercado negro e fez com que muitos cubanos tentassem escapar do país rumo aos Estados Unidos”. Ou seja: tudo de ruim que há na ilha é culpa dos americanos. Peraí. Não é novidade que, em qualquer país comunista, a causa do desabastecimento e do mercado negro é a falta de segurança de propriedade e a proibição do lucro. Isso fica evidente na criação de gado em Cuba. Como mostra o Duda Teixeira nesta ótima reportagem, quem tem cabeças de gado na ilha é proibido de abater os animais, pois todas as vacas são usadas para aliviar o racionamento de leite. O governo controla a quantidade de gado que cada produtor possui. Quando um animal morre, é preciso chamar um funcionário do estado para avaliar se foi abatido ou morreu de causa natural. O leite só pode ser vendido no mercado negro ou para o governo.  O caminhão estatal passa de vez em quando para coletar a quantidade estabelecida por lei a cada produtor, pelo preço definido pelo governo. Como não há regularidade na coleta, é comum o leite estragar antes do caminhão do governo passar. É fácil entender que, numa situação dessas, sem poder lucrar com o próprio trabalho, as pessoas têm menos incentivos para criar gado. Há menos produtos no mercado e, por oferta e procura, eles custam mais caro. Resultado: 80% da comida consumida em Cuba vem de fora – a maior parte dos Estados Unidos. E a carne, quando aparece em algum mercado oficial, sai pelo equivalente a 150 reais o quilo (ou seja, é só para turistas). É verdade que o embargo não ajuda – mas o que realmente empobrece Cuba é a impossibilidade de lucrar produzindo o que as pessoas querem. Poxa, BBC!

2.  Contra o bloqueio, a favor do comércio
Quem atribuiu ao embargo tudo de ruim que acontece em Cuba está, sem querer, defendendo o livre comércio. Se a falta de comércio internacional empobrece, logo o comércio com outros países enriquece. Essa frase enfureceria Che Guevara, mas os economistas concordam: mais livre comércio internacional, mais prosperidade, menos pobreza. Uma vistosa prova disso são os poucos países que, dos anos 1960 para cá, fizeram todo o contrário de Fidel. Coreia do Sul, Cingapura e Hong Kong, tão pobres quanto Cuba há 50 anos, abriram a porteira para o capitalismo internacional. Hoje estão mais ricos que a Europa. Tomara que Cuba siga o mesmo caminho.

3. Eles queriam o embargo
Fidel Castro e Che Guevara não só lutaram pelo bloqueio econômico como o consideravam a principal razão da revolução de 1959. Che repetiu diversas vezes que o objetivo era “cortar todos os laços de Cuba com o capital internacional”. Em Argel, em 1965, ele disse que os países socialistas que estabelecerem relações com os capitalistas “são, de certo modo, cúmplices da exploração imperialista”. Por isso,”os países socialistas têm o dever moral de pôr fim à sua cumplicidade tácita com os países exploradores do Ocidente”. Che levou essa ideia a consequências desastrosas, mas o pensamento era comum na época. Nos anos 1960, quase todos os países do Terceiro Mundo, seduzidos pela ideia de que a dependência econômica é a raiz da pobreza, fecharam fronteiras ao comércio. Deu tudo errado, é claro, pois um sinônimo de autossuficiência é pobreza.

4. Pelo fim do embargo brasileiro ao Brasil
Apesar do embargo imposto pelos Estados Unidos, Cuba tem um comércio exterior proporcionalmente maior que o do Brasil. Em 2011 (último dado coletado pelo Banco Mundial), as exportações de bens e serviços eram 20% do PIB; as importações, 19%. O Brasil consegue ter um comércio exterior ainda menor em relação ao PIB: 13% das exportações e 15% das importações (dados de 2013). Para o empresário Roberto Rachewsky, isso mostra que os brasileiros vivem um embargo autoimposto. O curioso é que justamente quem é contra o embargo em Cuba costuma defender as barreiras alfandegárias e a burocracia para importação no Brasil. Vai entender.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Mercio

    Excelente post, mesmo listando apenas 4 das 400 milhões de verdades que precisam ser ditas sobre a ditadura na ilha.
    Uma delas é que o tal “bloqueio” não era um problema para os castros até o ano 1991, mas um motivo de orgulho, visto que o cheque em branco que a URSS pagava todo ano (também conhecido em Cuba daquela época como “orçamento da república”) dava sustentação às miragens megalomaníacas e disfuncionais dos comunistas no poder. Só quando os soviets mudaram a música e deixaram de enviar o cheque em branco (“orçamento”) foi que o ditador comunista da ilha começou a reclamar dos USA pedindo para acabar com o “bloqueio” (de parte dos USA, apenas um embargo), mas esquecendo sempre de comentar o bloqueio interno imposto pela ditadura, que afunda o pais e mata todo tipo de iniciativa.
    Sem tirar esse bloqueio interno, verdadeira sabotagem nacional e que só depende do grupo que já leva 56 anos no poder, não haverá solução para Cuba como nação. E disso o raul castro teve muito cuidado de não falar quando anunciou as “mudanças” nas relações com os USA recentemente.
    Então, como sempre, discurso de comunista é só para enganar e confundir.

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  2. Comentado por:

    Guardiola

    Em 2013, nos EUA, as exportações de bens e serviços eram 14% do PIB; as importações, 17%. Cuba é mais aberta que os EUA? Sinceramente, não tô entendendo nada.

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  3. Comentado por:

    Malu

    Texto elucidativo. Denota bem a visão deturpada com relação à Cuba.

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  4. Comentado por:

    Fernando

    A internet é interessante pois ela permite que coisas absurdas sejam divulgadas. Esta matéria consegue ser um festival de equívocos. Na verdade há espaço para todos. Não houve uma nação que acreditou num louco e fez uma guerra mundial? Tudo é possível. E antes de qualquer coisa, não sou comunista não!!!!!!!

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  5. Comentado por:

    Sam

    Absurdo!!! Texto manipulador ” Fidel Castro e Che Guevara não só lutaram pelo bloqueio econômico como o consideravam a principal razão da revolução de 1959″.
    FORA REVISTA VEJA!!!

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  6. Comentado por:

    Ben Sughari

    O interessante é que a esquerda sempre aparece nos comentários super chocada com a matéria tão bem explanada. Uma sugestão : Cadê os argumentos? !!!!!!!!!!

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  7. Comentado por:

    william hoberg mattos

    Excelente !!! O pior :” é que temos professores que idolatram esses criminosos, que impuseram a miséria mais chocante e espúria que a América Latina já conheceu. Não só o comunismo destruiu em Cuba o Comércio, o empreendedor, a propriedade privada, – destruiu a cultura – a música, a dança, os cassinos nostálgicos, deixando um vazio e uma ‘ baba-musical ‘-, desses trovadores de merda, com aquelas cancões revolucionárias horrendas; Pablo Milanês e Cia. de porcarias afora… Tenho pesquisado com meus próprios recursos, a destruição desse país, através dos assassinatos em massa, documentados em jornais antigos, revistas, livros, internet, etc; desde o famoso 07 de Janeiro de 1959, quando fanáticos adestrados como cães, não permitiam mulheres grávidas – e, não a favor do novo regime – de serem socorridas para um (Parto) de emergência. Cruel! Mais de meio milhão de mortos. Milhares de torturas em ‘ Villa Marista,’ com seus famosos banhos de fezes às Sete horas da Manhã. Esse Paraíso é amado pela esquerdopatia seminal do PT e dos tarados mentais da verminosa esquerda brasileira. O embargo econômico foi a retórica dos irmãos siameses-Castro, de usar a farsa contra seu próprio povo. A Gerontocracia mata milhares de cubanos todos os anos. Os tubarões agradecem. Comida farta naqueles mares bravios.

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  8. Comentado por:

    Humberto

    Como sempre tendencioso o autor, esperava uma explicação neutra , conquanto saiba que neutalidade absoluta, é impossível, ainda mais numa reflexão política-econômica…

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