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Instituto Nacional do Câncer reproduz mitos e lendas populares sobre… o câncer!

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Projeto da nova sede do INCA, no Rio: toda essa estrutura para divulgar tolices sobre o câncer?

 

Uma das funções do Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é desfazer mal-entendidos sobre o câncer. Mas o órgão do Ministério da Saúde está fazendo o contrário. Desinforma os brasileiros ao difundir lendas populares e mitos sobre a doença. Em cartilhas e comunicados, o INCA reproduz pelo menos três erros graves sobre câncer.

Mito 1: “Adoçantes causam câncer”

Numa cartilha sobre prevenção do câncer, o INCA diz que “o consumo frequente de adoçantes artificiais, presentes em produtos light, diet e zero, está associado a algumas doenças, e possivelmente ao câncer”.

Não acredito: o mito do adoçante cancerígeno ataca novamente. Difícil contar quantas vezes essa história já foi desmentida, mas ela sempre renasce. Uma montoeira de estudos com adoçantes já foi feita e, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estudos Unidos, eles “não demonstraram evidência clara da associação com câncer em humanos”.

O mito do adoçante maligno surgiu nos anos 1970, com um estudo de laboratório. Ratos que ingeriram doses cavalares de sacarina (o equivalente a uma pessoa beber 700 latas de refrigerante com adoçante por dia) tiveram um leve aumento da incidência de câncer na bexiga. O governo americano então encomendou novos estudos, que mostraram, todos eles, que o fenômeno não se aplica a humanos, só ao organismo de ratos. Além dos estudos de laboratório, dezenas de pesquisas epidemiológicas confirmaram a segurança da dupla sacarina & ciclamato.

Já o aspartame ganhou fama de cancerígeno em 2005. Um estudo de laboratório injetou doses cavalares de aspartame em ratos (alguns tiveram que aguentar o adoçante equivalente ao de 2 mil latas de refrigerante). Houve aumento de alguns casos de câncer, mas os dados foram desencontrados – a incidência não aumentava conforme a dose. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) analisou a pesquisa e um ano depois confirmou que “o aspartame é seguro”. O incrível é que o próprio INCA, numa outra página, admite a segurança do aspartame. Afinal quem está certo – o INCA ou o INCA?

Mito 2: “Alimentos orgânicos previnem câncer”

“Modos de cultivo livres do uso de agrotóxicos produzem frutas, legumes, verduras e leguminosas, como os feijões, com maior potencial anticancerígeno”, afirma o instituto num  comunicado recente. Uma informação similar está na mesma cartilha que fala sobre os adoçantes.

Isso é uma tolice sem tamanho. Nenhum cientista sério afirma que orgânicos ou que algum alimento tem o poder de combater o câncer. Mesmo assumindo que o INCA falou de prevenção da doença, e não combate, o erro permanece. “Não há evidência de que comer alimentos orgânicos altere o seu risco de ter câncer”, diz o Cancer Research UK, principal centro de estudos sobre câncer na Inglaterra. A Sociedade Americana do Câncer confirma essa posição. E um estudo britânico publicado em 2014, que acompanhou a saúde de mais de 600 mil inglesas durante 9 anos, concluiu que aquelas que comiam mais orgânicos não tiveram menor incidência da doença.

Divulgar informações como essa é irresponsabilidade, pois os relatórios do INCA costumam pautar reportagens de TV, como esta do Jornal Nacional. As crendices populares sobre o câncer acabam sendo alimentadas pelo próprio instituto de pesquisa.

Mito 3: “Defensivos agrícolas causam câncer”

O INCA vem realizando uma campanha contra agrotóxicos baseada mais em ideologia política que em ciência. O relatório citado acima parece mais um manifesto contra a agricultura intensiva e os transgênicos, em vez de um comunicado técnico sobre o câncer. A entidade informa no documento que está alinhada a grupos de que combatem o agronegócio, como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, ligada ao MST. E considera como verdade estabelecida que alimentos cultivados com agrotóxicos são prejudiciais à saúde.

Agroquímicos fazem mal? Bem, depende. Uma pessoa pode morrer se beber 80 litros de água de uma vez só, mas isso não é o suficiente para afirmarmos que água mata. Do mesmo modo, agrotóxicos podem causar doenças (incluindo câncer) se forem manejados fora das regras. Do contrário, são perfeitamente seguros.

Mesmo aqueles comunicados da Anvisa, que de vez em quando causam pânico na população ao anunciar que boa parte dos alimentos têm resíduos de pesticidas, não são motivo para preocupação. O limite máximo de resíduos determinado pela Anvisa está bem abaixo da ingestão diária aceitável. Por isso, raramente um alimento com mais resíduos que o permitido está contaminado ou é perigoso. Como diz o Cancer Research UK, “frutas e vegetais algumas vezes contêm pequenas quantidades de pesticidas, mas não há evidência que esses resíduos aumentam o risco de câncer nas pessoas que os consomem”.

Algumas notícias alarmantes sobre contaminação de alimentos surgem por pura burocracia. Em 2012, os brasileiros ficaram pasmos ao ouvir que 91% das amostras de pimentão “estavam contaminadas”. (Minha irmã conta que depois de ver essa notícia na TV nunca mais comprou pimentão.) Na verdade, por um simples detalhe burocrático, o pesticida em questão, usado em várias hortaliças, não estava cadastrado pela Anvisa para ser aplicado no pimentão. Quando o cadastro foi realizado, a suposta contaminação do pimentão se resolveu. (Pode voltar a comprar pimentão, Lali!)

Se agrotóxicos, aditivos e adoçantes tivessem alguma relação relevante com o câncer, a incidência da doença estaria explodindo, mas isso não é verdade. Nas últimas quatro décadas, a incidência de quase todos os tipos da doença pouco mudou, apesar das técnicas de diagnóstico terem evoluído. A exceção é o câncer de próstata, como mostra este gráfico da Associação Americana do Câncer:

cancer incidence

Mitos alimentares e crendices sobre as causas do câncer são comuns em lendas populares e conversas de quem tem pouco estudo. É triste, e meio assustador, encontrar esses erros no instituto que deveria ser a maior referência sobre câncer no país.

@lnarloch

Comentários
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  1. Comentado por:

    Paulo Painho

    Renata – 29/7/2015 às 13:26
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    Um amigo meu VIU por um buraco na parede no centro do Rio um sujeito sem camisa, fumando, suado, engarrafando aquelas garrafas gigantes de água “mineral” (nunca vi ou bebi água que não se enquadrasse nesta categoria) de uma BICA em um lugar imundo. Ao encher o recipiente, ele colocava a tampa com uma ou duas fortes marteladas com um daqueles martelos de borracha de lanterneiros. Em seguida repetia a operação, com o cigarrinho no canto da boca.
    Aí você compra um treco desses no supermercado, mais caro que gasolina, e ainda se pergunta: “O que você faz pra ser feliz”.
    .
    Quem compra água engarrafada para mim é um boboca, que acredita em tudo que vê na TV. Já vi pesquisas que detectaram índices de bactérias e coliformes mais altos nas garrafas de água “mineral” do que na que sai da torneira da sua casa.
    .
    Quem é fiel a uma “marca” de água, aí já é caso de internação. Bebo água do filtrinho comum aqui de casa e nunca tive qualquer problema.
    .
    Só mais uma coisa: assim como toda água é mineral, todo alimento é “orgânico”. Até um pacote de Doritos é orgânico. Ou alguém já fez uma salada luminosa de césio? Ou de alumínio?

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  2. Comentado por:

    Paulo Painho

    Jose Carlos Almeida – 27/7/2015 às 20:14
    .
    5,2 quilos de agrotóxico por habitante? Sério isso? Moro sozinho e não gasto isso de SAL por ano. Um quilo dura uma eternidade! Talvez a Anvisa crie uma lei obrigando cada brasileiro a cheirar todo dia uma carreira de agroTóchico (pronuncia popular) para chegar nesta meta!
    .
    Imagine a quantidade de aspones que ganham salários de dois dígitos por mês para produzir “fatos comprovados” como este! E só precisam aparecer no “trabalho” umas seis vezes por ano, que é pra não dar bandeira…

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  3. Comentado por:

    Marcelo Goncalves

    Neste ano, a Agência Internacional de Pesquisas do Câncer (Iarc) divulgou uma pesquisa na qual classifica cinco pesticidas como possivelmente cancerígenos, sendo quatro deles liberados no Brasil.
    http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/04/agrotoxicos-e-cancer-irresponsabilidade-torna-se-explicita/

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  4. Comentado por:

    Carlos Antonio Anatriello

    Infelizmente lidamos todos os dias com notícias mentirosas como essa. Se realmente o agrotóxico fosse responsável pelo cancêr não haveria um só agricultor que não estivesse com a doença por seu nível de exposição ao agrotóxico chegar a ser até 1 milhão de vezes mais que um consumidor. Todo o inseticida degrada após sua aplicação, e o consumidor ainda o lava para ingerí-lo, portanto quando chega ao consumidor está praticamente nulo o seu efeito, para isso o agricultor não deve comercializá-lo antes da fase de carência para que o inseticida seja completamente degradado. Vemos que o nível de cancêr é maior em outras classes que nunca tiveram contato com agrotóxicos. Existe um apelo muito grande em vender orgânicos, pricipalmente por parte dos sem terras que mentem sobre a agricultura familiar é que produzir orgânicos. Pesquisem, o que é agricultura familiar no Brasil, que em quase sua maioria usam agrotóxicos nos alimentos, que muitas vezes são mais saudáveis que os orgânicos que podem conter coliformes fecais, ovos de solitária, etc por ser produzidos com estercos de animais.

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  5. Comentado por:

    jaimef

    Quem vai produzir organicos para suprir a demanda? MST? Pelamor,Venezuela a vista.

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  6. Comentado por:

    jcb

    num oferecimento de Monsanto…

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  7. Comentado por:

    Samir Abdelnur Filho

    Vc colocou outro grafico em q mostra uma curva ascendente p cancer de garganta e pulmões….precisa alinhar as informações do seu blog…Sou leitor dos teus livros…curto sua abordagem, principalmente sobre história, te tenho como um escritor bastante divertido de se ler, respeito bastante seus artigos….mas vc tá com um problema aí…tem gráficos conflitantes….revise os senão fica complicado te levar á sério…ademais usar dados americanos….sei lá…eles tem toda uma matriz alimentar diferente da nossa, dados brasileiros seriam mais legais….

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  8. Comentado por:

    Rodolfo

    Colunista da veja alinhado à agrodindústria… nada de novo no front.

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  9. Comentado por:

    Edgley

    Sim, está tudo certo com todos os produtos citados pelo colunista… Como estava tudo certo com a gordura trans e tantos outros produtos que hoje sabemos nocivos aos seres humanos, não é mesmo? A grande mídia costuma apoiar seus patrocinadores… Sendo assim, a que devemos atribuir o número crescente de cânceres em todo o mundo? À vontade divina?

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