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Caçador de Mitos Por Leandro Narloch Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia

Desigualdade gera inflação?

Por Leandro Narloch Atualizado em 31 jul 2020, 00h59 - Publicado em 8 jul 2015, 12h32
A nota de 100 trilhões de dólares, do Zimbábue: inflação irresistível

A nota de 100 trilhões de dólares, do Zimbábue: inflação irresistível

Já se sabe há um bom tempo que a inflação aumenta a desigualdade, mas seria possível afirmar também o contrário, que desigualdade gera inflação?

Os economistas Roel Beetsma e Frederick van der Ploeg, da Universidade de Amsterdã, acham que sim. Para eles, em democracias pobres e desiguais, o governo tende a relaxar o controle da inflação para bancar políticas populistas.

Dado que em uma sociedade desigual a maior parte dos títulos do governo está na mão de poucas pessoas ricas, e dado que o partido eleito representa os interesses do eleitor médio, que é pobre, as políticas monetárias e fiscais vão beneficiar (pelo menos no curto prazo) esse eleitor. O ônus fica com o eleitor rico que vê suas economias serem corroídas pela inflação.

Do mesmo modo, países onde o eleitorado é mais jovem tendem a ter inflação mais alta, para prejuízo dos mais velhos e ricos.

“O partido no poder perceberá que é do interesse de sua clientela (o eleitor médio) impor o imposto inflacionário numa tentativa de tirar dos ricos para diminuir os impostos de todos. Portando, uma má distribuição de riqueza traz as sementes da inflação alta”, dizem os dois economistas.

A teoria parece precisar de ressalvas – muito economista diz, por exemplo, que a inflação prejudica muito mais os pobres ou pequenos investidores, que não conseguem se proteger tão bem da inflação quanto os ricos. Mas talvez a ideia ajude a explicar por que, na América Latina, o monstro da inflação sempre renasce.

@lnarloch

 

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