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Como diminuir a diferença entre o salário de homens e mulheres?

As mulheres têm todo o direito de exigir um salário igual ao de homens no mesmo cargo. Mas para atingir a igualdade nas pesquisas de renda média seria preciso convencer as mulheres a tomar decisões diferentes

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ADENDO: mulheres e salários, dois ou três esclarecimentos.

A Folha de S.Paulo do domingo cravou que “dois séculos separam mulheres e homens da igualdade no Brasil”. De acordo com a reportagem, só daqui 85 anos homens e mulheres terão a mesma renda média, e a igualdade política demorará ainda mais. Há otimismo demais na manchete do jornal. A igualdade de gênero levará muito mais tempo, se um dia acontecer. Pois exigiria mudanças de atitude que poucas mulheres (com uma boa dose de razão) estão dispostas a tomar. Para o salário médio das brasileiras ser o mesmo dos homens, seria preciso, entre outras coisas:

1. Impedir que tantas mulheres trabalhem com educação, recursos humanos ou pediatria

A economista Claudia Goldin, de Harvard, explicou anos atrás que um dos motivos para o menor salário das mulheres é justamente a emancipação feminina. Quando as mulheres saíram de casa e entraram no mercado de trabalho, aumentaram a oferta de candidatos nas áreas que elas preferem, como educação e RH. Por oferta e procura, os salários nessas áreas caíram. Também é assim na medicina. Dermatologistas e pediatras (maioria mulheres) ganham menos que cirurgiões do aparelho digestivo (90% homens). Uma igualdade de gênero exigiria intervir na livre escolha profissional, na tentativa de convencer as mulheres a ingressar em áreas que muitas delas não gostam.

2. Convencer ou obrigar as mulheres a optar por trabalhos desagradáveis

Os homens ocupam a maior parte das vagas de trabalhos perigosos e que exigem mais esforço físico. São a imensa maioria dos coveiros, desentupidores de esgoto, soldadores, motoboys, pedreiros, carregadores, mineiros e estivadores do Brasil. E 75% das vítimas de acidentes de trabalho. Como profissões mais difíceis e perigosas costumam remunerar mais que outros cargos de mesma qualificação, a igualdade de gêneros exigiria convencer as mulheres a ingressar nesses trabalhos. Só quando houver igualdade na taxa de acidentes de trabalho será possível haver igualdade de salários.

3. Convencer ou obrigar as mulheres a permanecer na carreira até a aposentadoria

Considere o caso de uma mulher de 50 anos que comunica ao marido a decisão de parar de trabalhar. Como o casal já conquistou um patrimônio e uma boa poupança, ela decidiu pedir demissão e dedicar mais tempo ao neto e a viagens com as amigas. Deveria o marido dizer que, em nome da estatística de igualdade de gênero, a mulher tem de continuar no trabalho? Pois parte da desigualdade se explica pela menor vontade das mulheres em vencer na carreira. Uma pesquisa da Whirlpool, dona das fábricas de geladeiras Brastemp e Consul, constatou que apenas 19% das funcionárias da empresa sonham ser diretoras, enquanto 32% dos homens têm esse objetivo.

As mulheres têm todo o direito de exigir um salário igual ao de homens no mesmo cargo e com a mesma experiência e carga horária. Mas, como muitas pesquisas já mostraram, pelo menos três quartos da diferença de salários têm a ver com diferenças de perfil e de escolhas  profissionais. Para melhorar a estatística, seria preciso tornar as mulheres menos livres.

ATUALIZAÇÃO: o primeiro título deste post, “É realmente interessante para as mulheres ganhar o mesmo que os homens?”, causou mal-entendidos e protestos. Por isso mudei para o título atual. Neste adendo, faço outros esclarecimentos.

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  1. Comentado por:

    Hélcio Lauriano

    Vamos a uma regra? Pela lei, todo trabalho, com a mesma nomenclatura, com a mesma qualidade de realização, o mesmo em igualdade em essência realizado por homem ou por mulher, dá direito ao que percebe menor remuneração, igualar a sua retirada salarial. Salvo engano, estou correto! A questão está mais em aceitar se sujeitar a remuneração oferecida. Caso se perceba, exiga e corra atrás de se fazer justiça.

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  2. Comentado por:

    Roberto

    Leandro Narloch, seu texto foi bem áspero, mas está cheio de verdades nele.
    Homens e mulheres não ocupam as mesmas funções no mercado de trabalho, mas feministas querem apontar discriminação de salário com um único números brutos, é patético, só funcionaria se houvesse paridade de funções, sendo que não há nem de profissões.
    Diferença de salário ocupando mesmo cargo e função existe em todo lugar, mas ninguém vê.
    Normal que você sofra uma tonelada de ataques de feministas cegas, mas parabéns por trazer a verdade à tona. Hoje em dia quem fala a verdade é machista.

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  3. Comentado por:

    Mauricio

    Neste caso, perfeito o artigo de Leandro.Só desejo acrescentar que as leis do direito de família e a previdenciária(tempo de aposentadoria) necessitam ser reformadas para que as mulheres deixem de ter esses privilégios anacrônicos .As feministas esquerdistas então demonstram que o que realmente desejam com estes argumentos de “igualdade no mercado de trabalho” são privilégios, e não igualdade verdadeira.

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  4. Comentado por:

    Marcelo

    Fui ler o tal adendo… para ver se melhorava.
    Leandro, sou homem, branco, jovem, como você. Com toda certeza, não sou de esquerda. Não me ofendi com seu texto. O tema não me provoca paixões. Não achei que você foi ou é machista ou misógino. Não fui levado a má interpretação pelo primeiro título, pois eu nem o tinha visto. Apenas achei que você foi completamente infeliz com os argumentos, exemplos e comparações. Foram de uma limitação absurda. Chegam a parecer de uma lógica infantil. Imagino que você estava em um dia bem ruim, pois, tendo esse seu currículo e sendo colunista da Veja, você deve escrever muito melhor do que isso. Mas, sinceramente, cheguei aqui por acaso, e não fiquei com a menor vontade de conhecer seus textos anteriores para tirar minha conclusão final. Tenho até receio de ser um padrão seu, e ficarei sem entender a lógica da Veja, que diferente dos demais, não parto do princípio que é uma revista ruim. Cuida mais da próxima, esconder-se atrás do selo de “politicamente incorreto” pode lhe dar dinheiro, mas não respeito!

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  5. Comentado por:

    Lucas Araujo

    Leandro, refaz a matéria, ta péssima, falaciosa, sem embasamento, com argumentos esdrúxulos. Refaz os livros tambem, fontes duvidosas, pensamentos rasos… Refaz logo a carreira inteira, sucesso apoiado em falacia e sensacionalismo barato, assim você ajuda a concluir que a direita deste pais é realmente uma piada.

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  6. Comentado por:

    Paulo

    Profissão mais perigosa tende a pagar mais.Excesso de oferta de emprego nas áreas que as mulheres gostavam mais ajudou a ter um salário menor.E tem mais, a maior parte do texto é pesquisa de uma psicologa, estão atacando só o homem por não entenderem o texto. Não vi nada de injusto. E quanto a dupla jornada das mulheres, quantos homens estão fazendo horas extras enquanto a mulher está trabalhando em casa e depois o dinheiro vai para família e é sabido que mulher gasta muito mais que homem. A industria dos cosméticos estão ai para provar. Então maior parte do dinheiro acaba indo para as mulheres indiretamente. Sem falar em vestuário que mulher gasta muito.

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  7. Comentado por:

    Rafael Vianna

    Rapaz olha essa infestação de socialista aqui, chamem a dedetizadora capitalista para limpar essa praga! esses cara que são pagos para ficar difamando os postes conservadores e liberais meu deus esse caras não tem um pingo de consciência com a sociedade, só pensam neles acima de tudo (não que seja errado pensar em si).

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  8. Por issߋ a relevância do controle dee pragas.

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