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Caçador de Mitos Por Leandro Narloch Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia

A Ucrânia acaba de proibir partidos comunistas. O Brasil deveria seguir o exemplo?

Não: as pessoas devem ter a liberdade de defender mesmo as ideologias totalitárias mais repugnantes. Mas é incoerente proibir o nazismo e permitir o comunismo

Por Leandro Narloch - Atualizado em 10 fev 2017, 08h22 - Publicado em 29 out 2015, 09h44
Lênin transformado em Darth Vader, em Odessa, na Ucrânia.

Lênin transformado em Darth Vader, em Odessa, na Ucrânia.

O parlamento da Ucrânia aprovou na semana passada uma lei proibindo a existência de partidos comunistas. A lei atingiu três partidos do país, que não poderão disputar eleições e divulgar ideias ou símbolos. Basta lembrar que o Holodomor, o genocídio ucraniano causado por Stalin, matou mais gente e em menos tempo que os campos de concentração nazistas, para entender o ressentimento dos ucranianos com o comunismo.

Deveríamos ter uma lei semelhante no Brasil?

Como liberal, adepto da livre circulação de ideias, pessoas e coisas, eu tendo a achar que não. As pessoas devem ser livres para tomar as atitudes mais absurdas e disparatas, seja defender uma ideologia totalitária, divulgar o criacionismo ou assistir a uma peça do Teatro Oficina.

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O problema é que esse raciocínio também vale para o nazismo. Se o critério é a liberdade a ideologias totalitárias, é incoerente permitir o comunismo e proibir o nazismo. Ou se permite ou se proíbe os dois.

Um comunista atual poderia argumentar que prega um comunismo democrático, bem distante das experiências totalitárias do passado. No Maranhão, por exemplo, o PCdoB ganhou a eleição para o governo local prometendo levar mais capitalismo para o estado. Mas, de novo, esse raciocínio também vale para o nazismo. Se um skinhead afirmasse pregar um nazismo democrático, ou criasse o Partido Nazismo e Liberdade (PNOL), recusando os métodos de Hitler para optar por uma via cor-de-rosa da ideologia, deveria ser autorizado a pregar suas ideias?

A nova lei ucraniana acredita que não. Resolveu a incoerência adotando a proibição irrestrita. Veta “regimes totalitários comunistas e nacional-socialistas em geral”.

Os Estados Unidos adotam a posição oposta – permitem ambos. Partidos nazistas americanos têm até página oficial e de vez em quando arranjam confusão com os grupos comunistas.

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Fico do lado dos americanos – não só pela defesa da liberdade, mas por acreditar que a próxima onda de intolerância não virá em forma de comunismo ou nazismo, e sim com uma roupagem de sustentabilidade ou cidadania coletiva.

O fato é que a lei brasileira é contraditória. Proíbe uma ideologia totalitária, mas permite outra. Duas semanas atrás, Mauro Iazi, militante do PCB, disse que é preciso dar aos conservadores “um bom paredão, na frente de uma boa espingarda” e “uma boa cova”. Foi aplaudido pela plateia. Saiu do evento em liberdade.

@lnarloch

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