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Por Leandro Narloch
Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia
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A livre imigração é uma bandeira da esquerda ou da direita?

Ao se opor à imigração, a direita brasileira adere à caricatura que a esquerda lhe atribui

Por Leandro Narloch
Atualizado em 31 jul 2020, 00h25 - Publicado em 25 set 2015, 02h38

Meu post anterior provocou a fúria de eleitores e seguidores do deputado Jair Bolsonaro. Foram mais de duzentos comentários, muitos deles afirmando que virei um cara de esquerda ao criticar o deputado e defender portas abertas para imigrantes haitianos, bolivianos e sírios. Com respeito aos críticos, preciso dizer que acredito no contrário: ao se opor aos imigrantes, Bolsonaro está deixando seu lado esquerdista sair do armário.

Em 1980, Ronald Reagan e George Bush disputavam a vaga de candidato do Partido Republicado à presidência dos Estados Unidos. Durante um debate, alguém perguntou a opinião dos dois sobre a imigração. Os dois políticos da direita, que mandariam nos Estados Unidos até 1992, se disseram favoráveis.”Tornamos ilegais alguns tipos de trabalho que eu gostaria de ver legalizados”, disse Bush. Reagan afirmou que os Estados Unidos deveriam “tornar possível para eles [os imigrantes] virem para cá e trabalhar legalmente com um visto e pagar impostos aqui. E se eles quiserem voltar, que voltem. Podem passar. Abram as fronteiras nas duas direções”.

Como Reagan e Bush, Milton Friedman, o pai do neoliberalismo, defendia a imigração – mas não qualquer tipo de imigração, apenas a ilegal. “É uma coisa boa ter imigrantes ilegais”, ele dizia. “É bom para os Estados Unidos. É bom para os cidadãos do país. Mas só é bom se for imigração ilegal”. Friedman acreditava que a imigração legal é incompatível com o estado de bem-estar social: é preciso escolher um dos dois.

Seriam Bush-pai, Ronald Reagan e Milton Friedman três caras de esquerda?

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A imigração em massa sabota diversas bandeiras da esquerda. Aumenta a estatística de desigualdade, pressiona para baixo o salário de trabalhadores pouco qualificados, enfraquece os sindicatos e diminui a aceitação do povo a políticas de transferência de renda.

O economista Erzo Luttmer mostrou em 2001 que, nos Estados Unidos, o valor dos programas de redistribuição de renda é menor nos estados onde a população é mais diversa. “Se indivíduos preferem contribuir para sua própria raça, etnia ou grupo religioso, eles optam por menos redistribuição quando membros de seu grupo constituem uma parte menor dos beneficiários”, diz ele. Quer diminuir o peso do Estado? Diversifique a população.

Controlar a imigração é aderir ao dirigismo e à engenharia social, duas práticas tipicamente de esquerda tão combatidas por Edmund Burke, o pai do conservadorismo britânico. “O que eu não entendo é por que a esquerda apoia a imigração”, diz o jornalista Ed West no Telegraph, o jornal da direita britânica.

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Ao se opor à imigração, a direita brasileira cai na caricatura que a esquerda tenta lhe atribuir. Dá munição à ideia de que “a direita é contra os pobres”. Não, a direita não é contra os pobres, mas contra os pobres que querem ganhar dinheiro pela expropriação, e não pelo esforço próprio. Não é o caso dos imigrantes.

@lnarloch

 

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