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Por Coluna
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Vlady Oliver envia à coluna um documento histórico: O MANIFESTO DO MARCOLA

AO POVO BRASILEIRO Em 12 de maio de 2006, durante a realização do maior ataque de nossa organização contra a polícia do Estado de São Paulo, tomamos a decisão firme de executar 45 opositores de nossos interesses imediatos. Não fugi de minhas responsabilidades. Em 1977 comecei minha carreira, com nove anos de idade, na Baixada […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 07h40 - Publicado em 10 out 2012, 16h49

AO POVO BRASILEIRO

Em 12 de maio de 2006, durante a realização do maior ataque de nossa organização contra a polícia do Estado de São Paulo, tomamos a decisão firme de executar 45 opositores de nossos interesses imediatos. Não fugi de minhas responsabilidades.

Em 1977 comecei minha carreira, com nove anos de idade, na Baixada do Glicério, como um trombadinha comum. Minha nacionalidade tropical, no entanto, continuou intacta.

Por mais da metade de minha vida me dediquei ao sol quadrado e aos livros. Li mais de três mil.

Por longos anos também fui considerado por muitos um pária da sociedade e um inimigo do Brasil. Acho que eles estavam certos.

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Nas madrugadas que se sucederam ao fatídico 12 de maio, depredamos agências bancárias do sistema, incendiamos ônibus do sistema e espalhamos nossa doutrina, forçando o sistema a negociar conosco. 107 companheiros foram sumariamente negociados com o sistema.

Fui transformado em inimigo público número 2, porque o número 1 agora é o outro.

Também sou acusado até hoje, injustamente, de chefe de quadrilha. PCC é só um churrasco na laje, para os iniciados na nossa boa vida.

Fui convocado a depor na CPI dos Bingos, onde encontrei criminosos muito mais perigosos do que eu. Me identifiquei com todos.

Hoje, vivo como condenado e líder de uma facção que o Estado jura existir para me manter como exemplo de que o crime não compensa. Tivesse eu sido político, teria compensado.

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Fui denunciado pelo Ministério Público pelo suposto assassinato de um bombeiro, o que considero um exagero. Somos sempre inocentes, por uma questão de princípios. De fins também.

Fiz do crime minha razão de viver, ao contrário destes democratas de araque. Não confundo ódio, vingança, covardia moral e hipocrisia com meus negócios escusos. A única vez que eu o fiz, acabei por aqui.

Espero ansiosamente que os novos condenados venham jogar gamão comigo.

O creme não compensa. O crime talvez.

Presidente Bernardes, 10 de outubro de 2012

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Marcos Willians Herbas Camacho ( O Marcola )

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