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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Valentina de Botas: Novas luzes remoçam o país cansado do inverno da desesperança

VALENTINA DE BOTAS “Inverno da nossa desesperança”, a expressão de Ricardo III nomeia o lindo romance de John Steinbeck em que este afirma que a escuridão que se precipita quando uma luz se apaga é mais densa do que a de antes de uma luz se acender. Desde quando um texto da internet não convence […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 23h58 - Publicado em 2 dez 2015, 17h40

VALENTINA DE BOTAS

“Inverno da nossa desesperança”, a expressão de Ricardo III nomeia o lindo romance de John Steinbeck em que este afirma que a escuridão que se precipita quando uma luz se apaga é mais densa do que a de antes de uma luz se acender. Desde quando um texto da internet não convence como consistente relatório de consultoria? Desde que ele consiste em medida provisória de 2,4 milhões de reais.

Sim, Delcídio, Luís Cláudio, Eduardo Cunha e o resto da súcia são péssimos de álibis. Acham que basta o álibi de terem nascido ávidos de primitivismo numa nação cujas vastidões primitivas couberam inteiras e se alastraram em 13 anos (e contando) de lulopetismo. Desde quando o Brasil todo deixou de ser idiota o tempo todo? Não sei, mas é hora de a escória ter medo: se antes a impunidade era certeza, agora ela não é mais do que uma aposta. O governo apostou e, embora ainda role os dados, está por um fio, ou dois, ambos podres: Calheiros e Cunha.

A redemocratização e o plano Real iluminaram nossas melhores potencialidades, mas o lulopetismo adensou a escuridão anterior, configurando-se no atraso que desliga aquelas luzes porque Lula, anunciando novos amanhãs no embuste do operário que transformaria o país, sofre de senilidade congênita, não pelos 70 anos recentes, mas porque é foco de doenças nascidas com o país, como o patrimonialismo e a corrupção, além da enfermidade adquirida na forma do odioso jeitinho brasileiro, a vigarice malemolente que escamoteia a incompetência tão ridícula quanto arrogante.

Incompreensível o país optar quatro vezes pelos alquimistas dessa escuridão que transformam conhecimento e trabalho em vergonha, liberdade e decência em pecado, competência e seriedade em delito, contraditório em golpismo. Ah, mas a elite não quer que pobre estude. E um regime em que Mercadante e Haddad são ministros da educação quer? Ah, mas os reacionários perseguem Lula porque operário-não-pode-ser-presidente. Operário que anda de jatinhos enquanto manda o povo deixar de ser luxento e troque o metrô pelo jegue? Legalistas e demais idiotas da objetividade murmuram álibis caducos para a múltipla farsa arcaizante, enquanto insistem em negar a base para o impeachment da governante bisonha. Sabem que não há só a reprovação das contas pelo TCU: contra Dilma, há Dilma – a fraude estúpida na parvoíce espertalhona que bloqueia a esperança e os investimentos, desgraçando o país sem parar.

No começo da noite invernosa, eu escondia uma esperança na manga. Escondia até de mim mesma, ficava assim “será que agora é pra valer?”, a cada derrota do bando, o que aquecia essa esperança encabulada. Eu a protegia de olhares curiosos, como a noiva esconde do noivo o vestido de casamento. Quando o território da súcia começou a encolher e os defensores dela minguaram, passei a tirar o vestido da caixa cheirando a guardado e constato que, depois de incontáveis 13 anos e futuros roubados, ele continua atual sob as novas luzes que remoçam um país cansado do escuro inverno da desesperança.

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