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Três missas negras em sete dias

O olhar homicida e o estoque de insultos ficaram na portaria. O Fernando Collor que apareceu na sede provisória do governo no começo da noite de terça-feira era o católico compassivo  que anda assombrando a tribuna do Senado com leituras de escritos do Papa. O encontro foi excluído da agenda oficial, como deve ocorrer com conversas entre bons companheiros. […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 22 fev 2017, 14h12 - Publicado em 8 ago 2009, 00h07

O olhar homicida e o estoque de insultos ficaram na portaria. O Fernando Collor que apareceu na sede provisória do governo no começo da noite de terça-feira era o católico compassivo  que anda assombrando a tribuna do Senado com leituras de escritos do Papa. O encontro foi excluído da agenda oficial, como deve ocorrer com conversas entre bons companheiros.

Oficialmente, Lula só queria explicar a Collor, contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, que Hugo Chávez é gente fina. Trataram exclusivamente das coisas do Congresso. O anfitrião, acusado pelo ex-presidente de tentar forçar o aborto da filha, cumprimentou o visitante que acusou de corrupto. Acharam positivo o balanço do primeiro dia da ofensiva tramada para socorrer José Sarney, que ambos chamaram mais de uma vez de ladrão. Ficou combinado que o ataque seria retomado por Renan Calheiros na quarta-feira e encerrado na sexta por Paulo Duque.

O presidente do Conselho de  Ética, nomeado pelo governador Sérgio Cabral, fez o serviço sujo com muita animação. Sepultou entre comentários debochados as denúncias restantes e deu o assunto por liquidado. Está longe do fim. Os sacerdotes da seita dos primitivos rezaram três missas negras em sete dias. Terão de celebrar muitas outras. Collor vai virar gente da casa. Se Lurian aparecer por lá em noite de visita, o pai pedirá que traga um prato de salgadinhos (e um balde de gelo) para o tio Fernando.

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