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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Thaís Oyama revela os bastidores do governo Bolsonaro no 1° ano de mandato

O livro recém-lançado pela jornalista descreve os principais momentos desse período pelos olhos, ouvidos e bocas de seus protagonistas

Por Branca Nunes - Atualizado em 26 fev 2020, 20h59 - Publicado em 23 fev 2020, 07h05

Confira trechos da entrevista de Thaís Oyama ao programa Perguntar não Ofende, da rádio Jovem Pan:

“Em 2017, quando fui acompanhar o então deputado Jair Bolsonaro numa viagem pelo Nordeste, levei o maior susto ao chegar com ele a bordo de um avião de carreira e ver uma multidão no aeroporto que gritava ‘Mito!, Mito!’. Não esperava isso. Fomos a quatro ou cinco capitais e a mesma cena se repetiu. Não tinha visto nada parecido nem na campanha do Lula. A reportagem de capa da revista Veja tratava desse fenômeno, mas num tom de quem imagina que aquilo era transitório, um surto que não demoraria a passar”.

“A ideia do livro surgiu quando finalmente caiu a ficha de que ele seria o próximo presidente. Como todos os personagens eram pouco conhecidos, não sabia direito quem teria algo relevante a dizer. Então, tateei bastante no começo para ver quais fontes renderiam boas histórias. Eu ia para Brasília semana sim, semana não, conversava com todo mundo, voltava para São Paulo e escrevia. Neste primeiro ano de governo, toda semana acontecia uma coisa nova”.

“Optei por não entrevistar os filhos do Bolsonaro por temer que eles fechassem as portas para outros entrevistados. O entorno do presidente, em compensação, me recebeu muito bem. Acho que eles estavam querendo contar uma história, algo que era novo, contar como era Bolsonaro. Estavam entusiasmados com o novo governo”.

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“A conversão de Bolsonaro às privatizações foi autêntica e ele, que era um estatista, entendeu a questão. Hoje, ele é um convicto defensor das privatizações graças às aulas do ministro Paulo Guedes”.

“O livro mostra que Bolsonaro, num dia pelo menos, decidiu demitir Sergio Moro. Quem o demoveu dessa ideia foi o general Augusto Heleno, com o argumento de que o governo iria acabar. Não só porque o Moro é um dos ministros mais populares, mas porque os generais das Forças Armadas o apoiam”.

“Quando assumiu, Bolsonaro tratava os militares com certa deferência. Ele declarou, por exemplo, que passaria todas as manhãs na sala do general Eduardo Villas Bôas para cumprimentá-lo. Com o tempo, principalmente depois da demissão do general Santos Cruz, a relação com os militares foi sofrendo um certo desgaste, embora nunca tenham pensado em deixar o governo Bolsonaro. Eles acham que a imagem do Exército está muito atrelada à do governo”.

“Debito a declaração do Bolsonaro sobre Patrícia Campos Mello a uma certa estultice. Ele não ganha nada com isso. Foi incompreensível do ponto de vista político e condenável do ponto de vista da ética”.

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“Do dia da posse do Bolsonaro até hoje, o Brasil certamente melhorou em muitos aspectos. Na área econômica, por exemplo. Ainda mais depois daquele desastre que foi o governo Dilma Rousseff. Mas precisamos ficar atentos com relação a essas pisadas na bola. Não sou da turma que acha que existe uma ameaça à democracia, isso não está em jogo. Mas acho que ele acendeu várias luzes amarelas”.

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