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Tarso Genro tenta induzir ao suicídio o preso mais conhecido do Brasil

Para o ex-ministro de Lula, todo alvo de investigações sobre casos de corrupção deve entender que dar um tiro na cabeça é prova de altivez

Por Augusto Nunes - 23 abr 2019, 17h18

Em 2007, quando era ministro da Justiça de Lula, Tarso Genro submeteu-se à vontade de Fidel Castro e ordenou a deportação para Cuba dos pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux. Integrantes da delegação que participava dos jogos Pan-Americanos, no Rio, os lutadores haviam fugido do alojamento e tentavam viajar para a Alemanha quando foram capturados pela Polícia Federal mobilizada por Tarso. Depois de algumas horas de prisão, Lara e Rigondeaux decolaram rumo à ilha-presídio num avião cedido pelo tiranete venezuelano Hugo Chávez. “Eles quiseram voltar”, recitou Tarso Genro. A mentira foi nocauteada em poucos meses pela segunda tentativa de fuga, desta vez, bem-sucedida.

Em 2010, ainda no Ministério da Justiça, Tarso Genro, em parceria com Lula, impediu a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua no país de origem. Promovido a asilado político, o criminoso em recesso só recentemente foi devolvido à Itália e à cadeia. Ao confessar que participou de quatro assassinatos, confirmou que Tarso é um carrasco da verdade. Nem por isso o padroeiro de bandidos perdeu a pose: ele está convencido de que Battisti disse ter feito o que não fez para enganar o promotor.

Neste fim de semana, o ex-ministro escapou do sarcófago político, onde jaz por determinação do eleitorado gaúcho, para ampliar seu vastíssimo acervo de manifestações repulsivas. Com apenas duas frases no Twitter, inspiradas pela morte do ex-presidente peruano Alan Garcia, ergueu um portentoso monumento à safadeza. Confira: Alan Garcia, inocente ou não ─ creio que mais inocente do que FHC na compra da reeleição ─ sobretudo deu um exemplo de dignidade com seu suicídio. Recusou a submissão às execuções sumárias pelos Juízes treinados pela CIA, para fulminar o Estado de Direito na América Latina.

Tarso enxerga no Judiciário peruano uma sucursal da Lava Jato. E acha que, seja culpado ou inocente, todo investigado por envolvimento em casos de corrupção deve entender que dar um tiro na própria cabeça é prova de altivez. Se não seguir o conselho de seu ministro, Lula terá perdido, portanto, uma grande chance de mostrar que é homem digno. Se o chefão fizer o que Tarso recomenda, contudo, o tuiteiro vigarista terá de ser preso por indução ao suicídio (“induzimento”, prefere o nosso Código Penal). Esse delito pode render de dois a seis anos de cadeia.

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Caso acabe numa gaiola, Tarso Genro terá de optar entre a preservação da coerência e a perda da dignidade. Na primeira hipótese, vai mirar-se no exemplo de Alan García.

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