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Só no campo do ridículo a oposição oficial enfrenta o governo de igual para igual

Infiltrada numa das três frases reservadas à decomposição moral do país, a palavra corrupção apareceu uma única vez entre as 3.612 proferidas por Dilma Rousseff no discurso de posse. “Serei rígida na defesa do interesse público”, começou a presidente. “Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito”, prosseguiu. “A corrupção será combatida […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 20 fev 2017, 14h52 - Publicado em 31 maio 2011, 07h54

Infiltrada numa das três frases reservadas à decomposição moral do país, a palavra corrupção apareceu uma única vez entre as 3.612 proferidas por Dilma Rousseff no discurso de posse. “Serei rígida na defesa do interesse público”, começou a presidente. “Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito”, prosseguiu. “A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia”, encerrou.

Quatro  meses antes da posse, Dilma fizera o possível para livrar do camburão a primeira amiga Erenice Guerra, que transformou a Casa Civil na base de operações da quadrilha formada por parentes e agregados. As acusações não passavam de invencionices da oposição, disse mais de uma vez a candidata em campanha. Cinco meses depois da posse, Dilma faz o possível para impedir a apuração do milagre da multiplicação do patrimônio de Antonio Palocci. A mando de Lula, que retomou a lengalenga, a presidente anda repetindo que também as acusações ao ministro não passam de invencionices da oposição.

Neste fim de semana, todos os líderes do PSDB se juntaram em Brasília para tratar do futuro do partido. Não poderia haver ocasião mais oportuna para a vigorosa contra-ofensiva. Numa ação bem concatenada, os chefes tucanos tratariam de evocar o falatório da posse, protestar contra a obstrução das investigações sobre os crimes cometidos pelo bando de Erenice, exigir que o misterioso enriquecimento de Palocci seja prontamente esclarecido e mostrar ao país que, como no escândalo da mensalão, o governo sempre atribui aos adversários incêndios provocados pelo fogo amigo. Também seria pertinente perguntar a Dilma se e quando pedirá de volta atribuições sumariamente confiscadas por Lula, que baixou em Brasília para inaugurar no fim de maio um terceiro mandato.

Não sobrou tempo para isso. A oposição oficial tinha mais o que fazer. Tinha, sobretudo, outra guerra da secessão a travar, agora pela conquista da presidência do Instituto Teotônio Vilela. Metade do partido queria José Serra no cargo. Prevaleceu a outra, favorável à candidatura de Tasso Jereissati. Serra ganhou como prêmio de consolação a presidência de um conselho de sábios.

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Pelo menos no campo do ridículo, a oposição oficial enfrenta o governo de igual para igual.

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