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Ricardo Noblat: Dilma ou Temer: quem é o futuro

Publicado no Globo Dentro do PT e do governo, o clima é de desânimo. Ninguém teve coragem até aqui para dizer à presidente Dilma que o impeachment está na soleira da porta do gabinete dela no terceiro andar do Palácio do Planalto, e que talvez não demore tanto para entrar. “Infelizmente, ela já foi”, limitou-se a […]

Publicado no Globo

Dentro do PT e do governo, o clima é de desânimo. Ninguém teve coragem até aqui para dizer à presidente Dilma que o impeachment está na soleira da porta do gabinete dela no terceiro andar do Palácio do Planalto, e que talvez não demore tanto para entrar.

“Infelizmente, ela já foi”, limitou-se a observar para um amigo na última quinta-feira um dos poucos ministros que Dilma leva em conta. Ontem, confrontado com o tamanho modesto das manifestações, o ministro não mudou de opinião.

Este talvez seja o principal problema de Dilma: ela gosta de pouca gente; quase não confia em ninguém, nem mesmo nos que lhe são mais próximos; e tem horror a políticos.

Em contrapartida, desperta os instintos mais primitivos dos que tratou mal alguma vez, ou não atendeu. Michel Temer? Esqueça. Eduardo Cunha? Não. O maior eleitor do impeachment de Dilma é ela própria.

Outro dia, Dilma pediu aos seus ministros que a defendessem em entrevistas. Poucos o fizeram. A maioria receia dizer algo que seja mal interpretado por Dilma e lhe custe uma repreensão.

Acostumaram-se ao silêncio, e a jogar na retranca. Muitos acumulam mágoas. É duro ouvir gritos vez por outra. Na dúvida, arriscar-se para quê?

Mais seguro é nada fazer que não tivesse sido autorizado previamente por Dilma. Pois uma mulher que já mandou o diretor do Tesouro sair de uma reunião só por que estava despenteado…

Ou que se desentendeu com a ama do Palácio da Alvorada, descontrolou-se e jogou cabides nela, que revidou jogando cabides na presidente… Dilma é uma granada sem pino.

Eu disse ama. Por causa de uma ema que havia bicado seu cachorro, Dilma brigou com o jardineiro do palácio.

Fora os líderes do governo e do PT, e esses mais por obrigação do que por gosto, são raros os políticos de peso na Câmara e no Senado que defendem Dilma, o seu governo e o seu mandato.

No impeachment de Fernando Collor, os chamados cardeais do Congresso mandavam ali e conduziam seus pares. Hoje, na Câmara, manda o baixo clero. E os cardeais que restam se ocupam em conspirar no plenário contra Dilma.

Há muita dissimulação e esperteza. E vontade para arrancar de um governo em ruínas o que ele ainda pode dar.

Por mais que ele dê, contudo, ninguém quer retribuir com os votos necessários para derrotar o impeachment. De resto, Dilma tem fama de quem promete e não entrega.

De resto, o vice-presidente Temer tem fama de que entrega o que promete. E ele tem mais para oferecer do que Dilma.

Temer tem o futuro para oferecer. Um futuro com as mesmas dificuldades enfrentadas por Dilma, mas um futuro.

Com que futuro Dilma acena? Por que se acreditar que, superado o impeachment, o desempenho dela no cargo jamais lembrará o desastre que é?

A presidente sem apoio popular, sem autoridade política, sem plano de governo, de repente se recuperará só por que não caiu?

Para que não caia só lhe restam dois caminhos: brigar com Temer, tomando-lhe o PMDB, ou se recompor com ele. E com ele e o PMDB compartilhar o poder até 2018.

Temer pregou o aparecimento de quem possa unificar o país. Para que seja ele o unificador, terá de unificar primeiro seu partido. É nisso que está empenhado. Por enquanto, Dilma dá sinais de que escolheu brigar com ele.

Não seria o mais recomendável.

Com a carta chorosa, Temer fez 1 x 0 em Dilma. Fez 2 x 0 ao obter maioria na Comissão Especial que julgará o impeachment.

Fez 3 x 0 quando Eliseu Padilha, ministro da Aviação Civil, pediu as contas do cargo para ficar ao seu lado.

Fez 4 x 0 ao trocar o líder do PMDB, aliado de Dilma, por um líder seu aliado.

Temer guarda a bala de prata para matar Dilma, se for o caso: a antecipação do congresso que levaria o PMDB a romper com o governo.

Comentários
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  1. Comentado por:

    rosemary

    Nem um nem outro.
    Equipe de especialistas para fazer a faxina e reorganização do Estado.
    Fim dos partidos políticos oportunistas: no máximo 6.
    Fiscalização total e eterna.

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  2. Comentado por:

    Mandav

    Ricardo, você escreveu “A presidente sem apoio popular, sem autoridade política, sem plano de governo, de repente se recuperará só por que não caiu?”
    Não é “só por que não caiu”, mas “só PORQUE não caiu”. Vamos cuidar mais da nossa “inculta e bela”? O desprezo à norma culta é característica da esquerda…

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  3. Comentado por:

    Lobista

    A República dominada por doleiros, rentistas, operadores de fortunas amealhadas ilicitamente, grupos de poder e lobistas. E o PMDB que se fartou em todos os governos:”PMDB não existe mais.O PMDB não existe mais. O governo Dilma Rousseff não existe mais.A PF pegou dois ministros, Celso Pansera e Henrique Alves: o primeiro é ligado à turma governista de Luiz Fernando Pezão e Jorge Picciani, o segundo é ligado a Michel Temer.A PF pegou também Eduardo Cunha e os operadores de Renan Calheiros e José Sarney.A cúpula do PMDB se desfez.” Nota do site O Antagonista
    O grande loby:
    http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6161:manchete110811&catid=34:manchete

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  4. Comentado por:

    analu

    Em tempo: O Teori Zavascki negou ao MPF busca na casa do Renan!

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  5. Comentado por:

    Maria Neuma

    E quem deu esse gás todo a essa maluca? Com tanta burrice e incompetência, que espelho lhe daria notícias boas? Ou ela não se enxerga em nenhum espelho?

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  6. Comentado por:

    analu

    Temer fará 5 x 0 quando conseguir enquadrar o Renan.
    Temer fará 6 x 0 quando conseguir que o PMDB rompa om o governo.
    Temer fará 7 x 0 quando conseguir a votação do impeachment.

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  7. Comentado por:

    prof Arnaldo

    O governo de Gilma acabou , alguem seria capaz de imaginar Gilma na Presidencia, por mais tres anos? Nao seria possivel, pois o Brasil nao suportaria. As possiveis solucoes sao a renuncia ou o impeachment . O proprio PT , Gilma e Gilmo sao os responsaveis pelas crises de toda a ordem que assolam o Brasil de hoje, apos treze anos desse governo socialista bolivariano.O brasil nao quer a sua falencia, chega de corrupcao e imcompetencia !!!

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  8. Comentado por:

    Antonio Carlos Ferreira

    Infelizmente nenhum nem outro. Se ocorrer o impeachment a Dilma cai e o Michel assume. Mas será por pouco ou nenhum tempo, porque a ação que está no TSE derrubará o Michel, e teremos novas eleições em sessenta dias. Assim nenhum nem outro. O caso do TSE é bastante claro porque a campanha foi bancada com dinheiro de propina e isto a lavajato já provou. Indiscutivelmente o processo será julgado procedente com a conseqüente cassação de ambos os mandatos. O da Dima se estiver , ainda, no poder, e o do Michel que se elegeu com ela, com o dinheiro do PT e do PMDB. Uma pena o nosso sofrimento como brasileiros, mas esta é a situação jurídica e não política que se apresenta. Não vamos fundamentar juridicamente, vamos apenas sintetizar para não entrarmos em parafuso. É tanta maracutaia que a nossa auto estima fica muito baixa. O artigo do Noblat é bom. Mas não diz tudo.

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