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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Reynaldo-BH: O único legado da Copa 2014 será o aumento da herança maldita

REYNALDO ROCHA O preço dos ingressos da Copa do Mundo, imposto pela Fifa, é extorsivo e fora da realidade da maioria dos brasileiros. A cerveja é americana. O cachorro-quente é hot-dog falsificado. E são mais caros que uma refeição em restaurante popular.

Por Augusto Nunes - Atualizado em 31 jul 2020, 05h48 - Publicado em 9 jul 2013, 20h54

REYNALDO ROCHA

O preço dos ingressos da Copa do Mundo, imposto pela Fifa, é extorsivo e fora da realidade da maioria dos brasileiros. A cerveja é americana. O cachorro-quente é hot-dog falsificado. E são mais caros que uma refeição em restaurante popular.

O PT, na busca eterna de um nacionalismo vulgar, exilou, no próprio Brasil, os brasileiros torcedores.

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O ufanismo que adotado pela ditadura militar fez com que Lula chorasse ao comemorar a escolha da sede da Copa. Ele assinou a rendição incondicional do país frente a quem só tem a lucrar com a subserviência estatal, fruto do mesmo delírio que nos humilha diariamente.

O elefante estrelado de Brasília, o estádio que não merece ser chamado de Mané Garrincha, será uma edificação fantasma onde times de Luis Estevão vão se confrontar com os outros de pouca relevância para arquibancadas vazias.

Em São Paulo, o amigo petista de Lula ─ André Sanches ─ conseguiu criar um estádio. Já perdi a conta que quantos estádios a cidade de São Paulo possui. No Rio de Janeiro, o Maracanã voltará a ser o centro do futebol carioca. Até a cobertura ameaçar desabar como no Engenhão. Em Belo Horizonte, todos os caminhos levam ao engarrafamento da Pampulha. As vias de acesso já existiam ANTES dos projetos da Copa.

Em todo o Brasil é o mesmo cenário: o legado que teremos, como já disse Aldo Rebelo, é “de orgulho nacional!” Lembrei-me de “Por que me ufano de meu país”, do Conde Afonso Celso, um dos maiores absurdos sociológicos de todos os tempos. Deixou discípulos.

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O legado maior da Copa de 2014 está por acontecer. E acontecerá. A revolta que explodiu nas ruas ─ de um povo que sequer foi convidado para a festa que financiou ­─ será ainda mais intensa.

O que leva um governo a gastar nesta Copa no Brasil o mesmo valor que foi gasto nas Copas da África do Sul, Alemanha e Japão/Coreia JUNTOS? E escondendo o fato que mais de 90% dos recursos para o evento saíram de nossos impostos, como doação a estados ou financiamentos a grupos privados que têm 30 anos para pagar, usando a renda do que foi financiado?

A Fifa deve mesmo repetir, como o bandido envergonhado: “Eu não escolhi o Brasil. O Brasil é que pediu para sediar a Copa!”. Talvez seja a única verdade neste enredo de horror. A Fifa aproveitou-se de quem se dizia (e agia como) dono do Brasil. E o dono do Brasil, acreditando-se dono de nossos destinos e esperanças, assinou o cheque em branco. Que foi preenchido com os números que a FIFA quis.

Na alegre companhia de empreiteiras (os novos patrões do responsável por esse desvario), atravessadores, lobistas e corruptos de todos os tipos.

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Discordo de Aldo Rebelo. O legado, se houver algum, será a vergonha e revolta. Sobretudo por sabermos que cada centavo gasto (acompanhado de outros tantos roubados) poderia ter sido usado em benefício do país.

De legado em legado, o PT só aumenta o tamanho da verdadeira herança maldita.

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