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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Reynaldo-BH: A revolução bolivariana acabou na urna de vidro

REYNALDO ROCHA Os blogs chapa-brancas usam e abusam de expressões como “vontade popular” e “popularidade” para justificar agressões aos valores que dizem defender ─ as liberdades democráticas, por exemplo. Eles só conjugam o verbo concordar. Discordar é ofensa. Tenho a impressão de que os protoditadores desta sofrida América Latina estão hoje com barbas e buços […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 18 fev 2017, 08h25 - Publicado em 15 abr 2013, 18h27

REYNALDO ROCHA

Os blogs chapa-brancas usam e abusam de expressões como “vontade popular” e “popularidade” para justificar agressões aos valores que dizem defender ─ as liberdades democráticas, por exemplo. Eles só conjugam o verbo concordar. Discordar é ofensa.

Tenho a impressão de que os protoditadores desta sofrida América Latina estão hoje com barbas e buços de molho.

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Quer dizer então que o projeto popular-revolucionário-libertador do bolivarianismo (seja lá o que isto for!) tem UM opositor na Venezuela em cada DOIS eleitores?

O povo – entidade usada por TODOS os demagogos da América Latina – não viu que o chavismo quebrou o país, implantou uma censura asfixiante (pois econômica aos meios de comunicação independentes), manietou o Judiciário e colocou em coleiras o Parlamento para garantir a farta distribuição de “bolsas” e outras variações do assistencialismo? Que povo ingrato!

Tudo bem que a economia está em ruínas. Que 40% da população dependam de empregos públicos. A saúde melhorou tanto que o defunto ainda insepulto foi se tratar no exterior. Que a educação tenha retrocedido aos níveis de 1960.

Mas os que vestiram as camisetas vermelhas estavam sendo atendidos! Também é certo que os dirigentes – talvez por vestirem camisas e ternos vermelhos, ou casacos iguais aos do chefe – tiveram um pouco mais. Foi o caso do próprio Chaves, com seu exclusivo Bentley de 500 mil dólares.

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Mas a mídia e os institutos de pesquisas (sempre eles) não garantiam que era só questão de tempo a entronização do Maduro, agora em acelerado processo de apodrecimento?  É nisso que dá o controle da mídia. Esmagada pela desinformação e pela mentira, a verdade parece surpreendente quando afinal se impõe.

O herdeiro de uma das mais longas agonias da história do mundo, de um velório sem fim, de uma exposição em urna de vidro como um cinderelo revolucionário só poderia saborear uma vitória esmagadora contra os imperialistas, que até infectaram com câncer a mistura de Cristo com Che Guevara.

Um passaralho cantou nos ouvidos do escolhido. (Será que o colibri voltará agora como corvo para cobrar de Maduro o que não conseguiu? Ou Maduro ouvirá o som da gralha?)

Sem contar a “campanha eleitoral” em que o candidato do governo tinha meros 600% de tempo a mais de exposição que o oponente.

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O que poderia dar errado se menos de 5% da população estaria na dita “classe privilegiada”? Os outros 95% (segundo os institutos de pesquisas) estavam felizes e defendiam ardorosamente a continuidade do chavismo.

Deu um pra um…. Um resultado ainda mais expressivo que os 45% dos brasileiros que disseram NÃO ao PT numa eleição plebiscitária. E – a bem da verdade – sem todos os instrumentos disponíveis na Venezuela.

A eleição na Venezuela foi uma lição. Para todos. Principalmente para a oposição brasileira. E nem preciso dizer a razão.

Por vezes, uma vitória é muito mais amarga que uma derrota.

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O chavismo acabou na urna de vidro.

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