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Revivendo a Belle Époque

Felipe Moraes Casa lotada, meia luz, burburinho, suspense no ar. A programação variada – e jamais repetida – excita a platéia ávida pelas surpresas que animarão mais uma noite. Apresentados por um mestre de cerimônias devidamente paramentado, aos poucos os números se revelam. Assim é o Trixmix Cabaret, espetáculo de variedades que há três anos […]

Felipe Moraes

Casa lotada, meia luz, burburinho, suspense no ar. A programação variada – e jamais repetida – excita a platéia ávida pelas surpresas que animarão mais uma noite. Apresentados por um mestre de cerimônias devidamente paramentado, aos poucos os números se revelam. Assim é o Trixmix Cabaret, espetáculo de variedades que há três anos e meio movimenta a noite paulistana e já enriquece seu currículo com 40 apresentações de casa cheia.

“A característica do espetáculo de variedades é conseguir reunir diferentes elementos artísticos, como o humor, o teatro, a dança, a música e o circo em um único espaço”, explica Emiliano Pedro, idealizador do show ao lado de Raquel Rosmaninho. “Nós percebemos que em São Paulo existia uma lacuna que poderia ser preenchida com o show de variedades”. A ideia é popularizar no Brasil um novo gênero de entretenimento já assimilado por grandes cidades da Europa e dos Estados Unidos. Por aqui o movimento já deu seus suspiros, mas sempre restritos à classe artística e entusiastas.

“Você tinha na cidade alguns cabarés na década de 90 que eram mais usados para testar novos esquetes”, recorda Emiliano. Não é difícil encontrar no Trixmix Cabaret artistas renomados como Márcio Ballas, um dos fundadores do espetáculo de improvisação Jogando no Quintal, ou Grace Gianoukas, diretora do show Terça Insana.

Originários da geração que ajudou a imprimir novos rumos ao circo moderno na cidade, Emiliano e Raquel integraram os grupos Circo Escola Picadeiro e Acrobático Fratelli e rodaram a Europa protagonizando acrobacias e malabarismos ou organizando espetáculos. “Morando em Londres nós convivemos com uma forma contemporânea de fazer o chamado show de variedades”, explica Raquel.

Materializada nos Teatros de Revista e nos Cafés Teatro, a versão brasileira dos cabarés desapareceu na década de 60, com o advento da televisão, quando já se encontrava em franca decadência. Diferentes na forma de apresentar, mas muito semelhantes em suas propostas, esses locais viveram o apogeu entre os anos 20 e 40. “O termo ‘cabaret’ foi se distorcendo e acabou associado a show de strip-tease”, lamenta Emiliano. “Ficou estigmatizado. Nossa batalha é justamente resgatar o conceito original do termo, que está diretamente relacionado a um espaço de diversão e prazer”.

A declaração é endossada pela pesquisadora Neyde Veneziano em “De pernas para o ar – Teatro de revista em São Paulo”, livro que explica como o gênero, reduzido à categoria de Revista de Bolso, feneceu no país: “Foi nos anos 60 que os nus começaram a avançar para o proscênio. Ao mesmo tempo que os corpos despidos investiam em direção ao show de strip-tease, as mulheres vestidas, na plateia, recuavam. Revista era espetáculo assistido por famílias. Mudou o caráter e mudou, também, o público que o prestigiava”, escreve a pesquisadora. A repressão imposta pela ditadura militar acabou banindo o gênero dos teatros.

Essencialmente democrático, o Trixmix Cabaret busca repaginar a atmosfera da Belle Époque com a arte e os valores das cidades contemporâneas. “Há a retomada da atmosfera burlesca, com uma linguagem circense muito forte, de grupos como o Cirque du Soleil que ajudaram a popularizar o circo contemporâneo pelo mundo”, ressalta Emiliano. “Nossa ideia é propiciar um lugar onde você possa comer, beber, conversar, assistir um espetáculo com apresentações variadas e dançar no final”.

Diferentemente dos autênticos cabarés europeus, em que o grand finale se dava com a apresentação das vedetes, ou no Brasil, geralmente encerrados ao som das tradicionais marchinhas, o Trixmix Cabaret prefere afastar as mesas e convidar os presentes a esticarem a noite conduzidos por um DJ. Marcada para este sábado, a última apresentação do ano será no Estúdio Emme, em São Paulo. Uma oportunidade imperdível para reviver a Belle Époque

Trixmix Cabaret
Local: Estudio Emme, Av. Pedroso de Morais, 1036, São Paulo. Tel.: (11) 3021-2410
Quando: Sábado, 04 de dezembro
Horário: 21h
Ingressos: de R$ 20 a R$ 40

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  1. Comentado por:

    Lílian

    Augusto, gostei do comentário: “é um encontro de várias viagens”. Você já observou que país de “esquerda” investe em Arte e Esporte, com certeza eu devo estar sendo exigente. Abraços!

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  2. Comentado por:

    mimi

    A vida é um Cabaret canta febril e elétrica, Liza Minelli na Alemanha, durante a ascensão do nazismo. Cantora e dançarina do Kit Kat Klub de Berlin, sob tensão constante das ameaças dos nazistas do início dos anos 30 nos convida a celebrar a vida.

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  3. Comentado por:

    Raduan Gael

    Excelente texto. A vida é como ela é. É a vida como ela é. Ela é a vida como é. E eu, sonolento assim mesmo, como ela na vida que é.

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  4. Comentado por:

    K

    O texto está uma delícia! Pra quem ficou com vontade de conferir, a temporada 2011 do Trixmix Cabaret está em cartaz toda quarta-feira, no Estúdio Emme, em Pinheiros!

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