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Primeiro bloco da entrevista concedida à coluna, por FHC, em novembro de 2009

Na primeira viagem ao exterior como ex-presidente, Fernando Henrique embarcou para Paris e se hospedou, com Ruth, na casa de um amigo. Ali, foi surpreendido por um telefonema de Lula, que estava a caminho de Davos, na Suiça. Depois da introdução amistosa, o novo presidente informou ao antecessor que Antonio Palocci, ministro da Fazenda, gostaria […]

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Na primeira viagem ao exterior como ex-presidente, Fernando Henrique embarcou para Paris e se hospedou, com Ruth, na casa de um amigo. Ali, foi surpreendido por um telefonema de Lula, que estava a caminho de Davos, na Suiça. Depois da introdução amistosa, o novo presidente informou ao antecessor que Antonio Palocci, ministro da Fazenda, gostaria de dizer-lhe algo. “Só queria agradecer pelo bom trabalho”, ouviu Fernando Henrique.

A frase se referia ao comportamento de FHC no período que separou o triunfo eleitoral e a posse de Lula. O governo não só abriu as portas a todas as informações disponíveis como condicionou à aprovação do sucessor a tomada de decisões que produzissem efeitos a longo prazo. Mas, como a política econômica não sofreu mudanças relevantes, é possível que Palocci estivesse pensando num universo mais abrangente ao dizer a frase revelada só agora, quase sete anos depois.

Esta e outras revelações temperam o longo e denso depoimento a VEJA.com que começa a ser divulgado hoje. Nestas cinco partes, que compõem o primeiro dos três blocos da entrevista,  Fernando Henrique reconstitui pedagogicamente fatos históricos deformados pela má memória, pela má vontade ou pela má fé. A inflação, por exemplo, não foi derrotada por Lula em 2003, mas por FHC em 1994, quando o então ministro da Fazenda de Itamar Franco comandou a implantação do Plano Real, que o PT primeiro rechaçou e, depois, prometeu revogar.

O ex-presidente conta que, ao longo de oito anos, todos os projetos enviados ao Congresso pelo governo foram rejeitados pelo PT. Comenta o processo de privatização, analisa o papel das agências reguladoras, pulveriza acusações e invencionices, fala com franqueza dos erros que cometeu, diz o que pensa sobre a Petrobras ou a Vale, trata sempre com desembaraço e serenidade os numerosos temas propostos.

Tudo somado, o primeiro bloco do depoimento informa que o Brasil de 2009 não existiria se não tivesse existido um governo que modernizou extraordinariamente o país ─ apesar da resistência feroz do PT.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

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  1. Comentado por:

    • Tania

    Ricardo Setti, Augusto, deixou no espaço dele o vídeo, um minuto e dez segundos, em que Hélio Bicudo fala sobre o que ouviu de J.Dirceu sobre o Bolsa Família: não deveria, a esta altura, mas ainda me impressiono ao ver alguém com autoridade moral, assim, desmascarando os falsários. Um abraço. [Post de 12/11/2014 às 19:30 Política & Cia]. Agora ele está de férias, mas vocês dois na TVeJa são ótimos, principalmente quando ele, mais formal, tenta se segurar para não rir das coisas que vc diz: é muito bom!
    Obrigado, Tania. Um abraço.

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  2. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Ainda não tinha assistido a esta entrevista, Augusto. Ela é comovente. Há tanto a dizer. Uma conversa com um jornalista da sua linhagem não tem jeito de ser ruim e, com uma pessoa e estadista como FHC, o prazer de testemunhá-la está garantido. Esta, além de tudo, documenta um tempo, uma era; é do passado, mas também documenta o futuro, mostra ao Brasil que ele poderia ser agora, em novembro de 2014, um país não apenas muito melhor, mas sobretudo diferente do que esta coisa em que se transformou. É como se víssemos a nação no retrovisor, como se nos afastássemos do futuro e nos aproximássemos cada vez mais de algum ponto entre os anos 50 e 70. É por aí que se situa a mentalidade dos donos do regime que arruinou aquele país do retrovisor. Me comove constatar mais uma vez o zelo de FHC pelos brasileiros ao, afastando-se da preguiça moral de contar com a preguiça intelectual do povo trigueiro e malemolente que só quer saber de praia e Carnaval, confiar na nossa capacidade de fazer a complexa transição de uma moeda para outra, tendo de lidar com três delas, e sair dela ileso, livre da inflação, com o cotidiano saneado e com a nação pronta para se modernizar. A batalha das privatizações que provaram a capacidade do grande estadista de se abrir ao novo quando o novo se impõe como a melhor alternativa; a natural postura republicana na passagem do bastão para a administração seguinte; o desapego digno em relação ao poder expressa na viagem “de cair na real” à Europa com d. Ruth, sem sustos nem traumas, sem comitivas nem pompas ou circunstâncias, sem bandas e fanfarras, sem limusines nem serviçais, sem exageros primitivos nem caprichos jecas. A serenidade sem paixão, mas com verdade e sentimento, com que FHC responde a tudo, conta tudo, narra um Brasil inteiro de um tempo, já salpicado pelas vilezas do lulopetismo, atesta a elegância também moral de um presidente que rabiscou uma nação que colidiu com o primitivismo. Não tenho ídolos, Augusto, eu os tive na juventude, mas eles morreram todos e a juventude passou. Agora, aprendi, creio, a admirar as pessoas concedendo-lhes o direito a defeitos, deslizes, ressalvas. Com seus erros e equívocos, FHC tem a minha mais ardente admiração e profunda gratidão. Depois de tudo, não posso deixar de mencionar como você está bonitão com esse monte de cabelo. Um beijo
    Um beijo, Valentina.

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