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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Pizza e salada: o gosto bom dos pratos simples

“A descoberta de um novo prato traz mais alegria à humanidade do que a descoberta de uma nova estrela”, escreveu o gastrônomo Anthelme Brillat-Savarin

Por Deonísio da Silva Atualizado em 17 set 2018, 14h42 - Publicado em 16 set 2018, 11h23

Deonísio da Silva

A pizza Margherita, com muçarela, tomate e manjericão, para indicar as três cores da bandeira italiana, foi inventada por um pizzaiolo chamado Raffaele Esposito. A rainha Margherita visitava Nápoles em 1889 e ele resolveu homenageá-la.

E quem inventou a Salada Caesar, pronunciada “Tcízar” no Brasil, sem que traduzam salada? Na década de 20, com a vigência da Lei Seca, o ítalo-americano Caesar Cardini abriu um restaurante em Tijuana, no México, na fronteira com os EUA, para poder atender os clientes de San Diego, na Califórnia, onde ele não podia vender bebidas alcoólicas. Atravessar a fronteira para comer a célebre salada tornou-se pretexto de pessoas simples e famosas. E no entanto o prato nasceu acidentalmente. O restaurante encheu demais num certo dia, e o seu proprietário não sabia o que fazer. Havia apenas alface, azeite, alho, ovos, pão e limão.

Com algumas folhas de alface, seis colheres de sopa de azeite, um dente de alho, um ovo caipira, uma colher de suco de limão, um pouco de molho inglês, uma pitada de pimenta, duas fatias de pão branco cortadas em cubinhos e 25 gramas de queijo parmesão ralado grosso, ele passou a fazer o prato para servir quatro pessoas, que se tornou apreciado por gente como Wallis Simpson (Duquesa de Windsor), Clark Gable, Yves Saint Laurent e o barão de Rothschild, que atravessavam a fronteira para juntar o prazer de comer e beber, quando a segunda atividade era crime nos EUA.

“A descoberta de um novo prato traz mais alegria à humanidade do que a descoberta de uma nova estrela”, escreveu o celebérrimo gastrônomo francês Anthelme Brillat-Savarin no seu livro referencial A fisiologia do gosto.

Degustar pratos inventados há tanto tempo é mais simples: será sempre um bom modo de matar a fome.

*Deonísio da Silva
Diretor do Instituto da Palavra & Professor
Titular Visitante da Universidade Estácio de Sá
http://portal.estacio.br/instituto-da-palavra

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