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Pimenta Neves prova que a Justiça é tão lenta para prender quanto ágil para soltar

“Antonio Pimenta Neves vai morrer desfrutando da liberdade que Sandra Gomide perdeu ao procurar um namorado e encontrar o algoz”, termina o texto de Bruno Abbud publicado em 16 de agosto de 2010 e reproduzido na seção O País quer Saber. Ao saber que o Supremo Tribunal Federal rejeitou nesta tarde o último dos incontáveis […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 11h53 - Publicado em 24 Maio 2011, 22h10

“Antonio Pimenta Neves vai morrer desfrutando da liberdade que Sandra Gomide perdeu ao procurar um namorado e encontrar o algoz”, termina o texto de Bruno Abbud publicado em 16 de agosto de 2010 e reproduzido na seção O País quer Saber. Ao saber que o Supremo Tribunal Federal rejeitou nesta tarde o último dos incontáveis recursos apresentados pelo assassino confesso, e que o ex-diretor do Estadão foi recolhido a uma cela no começo da noite, a coluna preparou-se para admitir, com muito prazer, que errou. Infelizmente, a previsão foi correta.

À saída de sua casa, uma jornalista perguntou-lhe se está pronto para passar os próximos 15 anos numa cela. “Claro”, retrucou o ex-diretor de redação do Estadão. O tom de voz e a expressão desafiadora informam que Pimenta Neves não perdeu a arrogância. E não perdeu por saber que a Justiça brasileira, tão lenta para prender, é espantosamente ágil para soltar. Graças aos infinitos malabarismos jurídicos que não só encurtam a pena como permitem que seja cumprida em liberdade, os 15 anos serão reduzidos a 23 meses.

O Brasil esperou 11 anos pela prisão de Pimenta Neves. A boa notícia chegou em companhia de outra péssima: o paraíso dos bandidos impunes trata com indulgência até quem mata uma jovem indefesa com uma bala nas costas e um tiro de misericórdia na cabeça.

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