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Paixão rima com dignidade

Torcedor do Palmeiras, estou à vontade para erguer um brinde ao futebol brasileiro. Para tornar-se campeão, o Flamengo precisou vencer jogadores que, no Maracanã, não renunciaram à luta, como exigiram milhares de gremistas que preferiam a derrota desonrosa ao possível triunfo do Inter. Não teria sido a primeira malandragem do gênero: lastimavelmente, vão se tornando […]

Torcedor do Palmeiras, estou à vontade para erguer um brinde ao futebol brasileiro. Para tornar-se campeão, o Flamengo precisou vencer jogadores que, no Maracanã, não renunciaram à luta, como exigiram milhares de gremistas que preferiam a derrota desonrosa ao possível triunfo do Inter. Não teria sido a primeira malandragem do gênero: lastimavelmente, vão se tornando frequentes esses delitos debitados na conta de rivalidades históricas, identidades regionais, heranças culturais e outras cretinices. Mas seria a mais acintosa.

Multidões de torcedores de todos os times, sobretudo  os devotos das seitas organizadas, agora acham legítima qualquer trapaça que impeça comemorações na frente inimiga. Nessa linha de raciocínio, a Seleção deveria ter perdido dois ou três jogos na fase eliminatória da Copa do Mundo: sem se arriscar a perder a vaga, já garantida, provocaria a desclassificação da Argentina. Prefiro ver o Brasil derrotando o maior dos rivais na África do Sul. Em campo. Sem gol de mão.

Os jogadores do Grêmio ─ não me refiro aos que titulares que desertaram, nem aos diretores e ao técnico que conspiraram para escalar oito reservas ─ impediram que o País do Futebol parecesse ainda mais cafajeste que o outro. Tanto quanto os heróis que levaram o Flamengo ao título, ou os que livraram do rebaixamento o Botafogo e, sobretudo, o Fluminense, merecem a admiração da ainda imensa torcida formada pelos que sabem rimar paixão com dignidade.

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  1. Comentado por:

    Anônimo

    A entrega foi clara. Dois dias antes eu havia escrito um texto em meu blog falando que nunca antes na história deste país as maracutais foram tão às claras, inclusive no futebol. Não há mais razão para ter vergonha, ou fazer escondido. Mas aí li a coluna do Augusto e vi que ele havia visto outro Grêmio em campo, não o que eu vi. Só que agora acabo de ver um vídeo postado no youtube onde, durante uma substituição, o novo jogador do Grêmio entra passando para os colegas a instrução do banco: “não chuta mais em gol”. Nunca antes…

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  2. Comentado por:

    Moisés Rosauro

    Augusto, voce é um dos melhores mas não tente nos entender. Como disse o filósofo Ortega Y Gasset, nós somos nós e nossas circunstâncias. Voce, que já morou na aldeia, devia saber disso. Um abraço
    Torcer pela derrota eu entendo, Moisés. Entregar o jogo, não. O time reserva do Grêmio fez o que pôde. Todos os gremistas têm o direito de festejar o malogro do Inter. Festejar trapaça não dá. A aldeia não é tão diferente, amigo. O Corinthians entregou o jogo com o Flamengo pra atrapalhar os rivais paulistas. Manchete do jornalzinho do clube: Doce Derrota. Nenhuma diferença entre fazer a vontade da torcida ou entregar por dinheiro. Nenhum corintiano sério comemorou. Só a seita organizada. abração, Augusto

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  3. Comentado por:

    Walter Decker

    Uma pergunta para um palmeirense.
    O que o Palmeiras e o Serra tem em comum, além do fato de ele também torcer para o clube ?
    Resposta : Os dois são cavalos paraguaios e só ganham títulos à nível estadual. Eh,eh,eh…
    Mais respeito com o reprodutor paraguaio Fernando Lugo, Walter. E com a crase: “à nível” é coisa de doutoras dilmas.

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  4. Comentado por:

    Leonardo Fleck

    O Gremio, em 2009, devolveu ao SC2006 o que este fez em 2008 no jogo contra o Sao Paulo. Escalou reservas.
    Moral de cuecas = colorados = amargo
    =D

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  5. Comentado por:

    Leandro

    Auro disse: “..O Brasil é o país da impunidade, logo não seria novidade, algum time entregar um jogo…”
    Realmente. Como o Inter, que disputava vaga na Libertadores ano passado, escalou reservas e tomou uma goleada do São Paulo apenas dando passes para o lado. Se o Grêmio entregou, pelo menos teve vergonha na cara de não fazer de forma escancarada.

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  6. Comentado por:

    Alvaro

    VOU VOTAR NO TÉCNICO DO FLAMENGO
    O campeonato nacional revelou um líder popular ético, em quem eu votaria, para presidente na eleição de 2010, se ele fosse candidato. O técnico da equipe de futebol do Flamengo, cuja campanha empolgou a maior torcida do Brasil em se tratando de uma equipe de futebol, merece todas as honras como cidadão modelo. Ele nasceu pobre, ralou muito, venceu na profissão, como jogador – atleta de uma equipe de futebol. Teve a humildade de começar de novo em outra função, integrando a comissão técnica de um clube de futebol. Trilhou seu caminho de modo discreto, com muita humildade, e esperou sua hora como técnico titular. Sem arrogância chegou a finalista do maior campeonato de futebol do mundo. E, sagrou-se campeão.
    Enquanto isso alguns políticos vivem da mentira e da arrogância. Não respeitam a liturgia do cargo, defendem corruptos e fazem alianças até com Judas para governar ou vencer eleições, e desse modo se manter no poder. Alguns até, são capazes de defender os mensaleiros denunciados pelo Procurador da Republica, Antonio Fernandes, como membros de quadrilha de delinqüentes fora-da-lei. Do mesmo modo que fraudadores não são punidos no Brasil com o rigor da lei como deveria ser, facilmente reincidem, como mostram as gravações de Arruda e sua gang.
    Guerrilheiros mudam de arma, mas não deixam de ser guerrilheiros. Guerrilheiros não são autênticos, não declaram guerra, agem atacando de emboscada, não mostram a cara, fazem cirurgia plástica na face para virar cara de pau, não mostra a identidade nem para suas próprias companheiras, mudam de nome tal quais prostitutas nos bordeis.
    O técnico do flamengo é negro, tem mais de cinqüenta anos, é gordinho, baixinho, portanto não está enquadrado em nenhum padrão internacional, nem nacional de beleza física. Não tem mestrado nem doutorado, oficialmente. Não toma café ao microfone. Não escreve em grandes revistas ou jornais. Mas agrada de todas as maneiras e serve a todos os gostos a simplicidade e humildade que exala do seu espírito em tudo aquilo que exprime seu semblante. Tem uma estória de vida digna de qualquer filme editado sem cortes nem acréscimos de marqueteiros de campanhas eleitorais. Promete pouco e mostra muitos resultados. É amado e respeitado sem ser endeusado. Consegue chorar, indignar-se, sofrer, sorrir. Mas não mente, não engana e não atropela. Eu confio nele.
    O que se poderia dizer de um homem desses – Ético. Campeão. Padrão de dignidade profissional. Exemplo de vida. Cidadão exemplar. Não faz propaganda enganosa nem fala mal de seu antecessor. Ele é tudo isso e mais. É o melhor exemplo para os políticos no Brasil. Poderia ser o Governador de Brasília, Presidente do Senado Federal ou o Presidente da República Federativa do Brasil. Eu voto em Andrade para Presidente em 2010, que me perdoem os flamenguistas. E já que eu lancei a candidatura, vou aproveitar para indicar alguns ministros: Pedro Simon, Cristóvão Buarque, Marina Silva, Flávio Arms, Artur Virgilio, José Agripino Maia, Heloisa Helena, Fernando Henrique Cardoso, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Paulo Paim, José Serra, Aécio Neves, Zilda Arms, Paulo Souto, Marcelo Cordeiro.

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  7. Comentado por:

    Vascão

    A imprensa tem tido um trabalho danado para lustrar o título do Flamengo. Dentre os bordões repetidos, aparece até a pérola de que “o Grêmio foi valente” no jogo decisivo.
    Como diria John Lennon, just gimme some truth (dêem-me só um pouco de verdade).
    Numa das páginas mais negras do futebol brasileiro, o Grêmio construiu seu roteiro de derrota verossímil. Tinha que perder o jogo para não dar o título ao rival Internacional. O Brasil ficou refém do campeonato particular dos gaúchos.
    Entrou em campo com o time reserva, deliberadamente instruído para perder o jogo e aparentar dignidade. Um paradoxo mais complicado do que a honradez do governo Arruda.
    Mas o Flamengo entrou em campo paralisado. Como sempre acontece com o dono da maior torcida e da maior empáfia do país, a festa estava pronta antes da batalha. Bastava desfilar o oba-oba e esperar a taça. Aí a bola acabou entrando no gol errado.
    Daí em diante, os garotos gremistas ficaram aturdidos. Não podiam simplesmente parar em campo, mas o adversário (o campeão, no script) não fazia a sua parte. O juiz diligente fez a sua, ignorando o empurrão pornográfico de Adriano no seu marcador. Um a um.
    O Grêmio tinha que jogar com garra, para não esculhambar sua tradição, e tinha que perder, para não apanhar na volta a Porto Alegre. Veio então o alívio com o segundo gol rubro-negro. E a instrução, flagrada na leitura labial, para que os gremistas não mais chutassem em gol. Um vexame.
    Em pleno jogo, o imperador Adriano e um plebeu adversário batiam papo com a mão sobre a boca para não dar bandeira. Num chute tolo do ataque gremista, a bola cismou de se oferecer diante do gol para outro ator, que exibiu toda sua veia cômica dando uma canelada para fora.
    O Flamengo merecia ser o campeão, mas não dessa maneira. Um final de campeonato como esse desmoraliza o próprio futebol.
    Os profetas da virtude apregoam a fórmula atual de disputa, por pontos corridos, como a apoteose do mérito. Mais uma verdade alquebrada.
    O Brasil, como sempre colonizado, imita os europeus e se contenta com a emoção paraguaia dessa última rodada, com os melhores times do campeonato enfrentando adversários liquidados ou desistentes. Uma apoteose vagabunda.
    Os pontos corridos (soma dos enfrentamentos entre todos os clubes, sem eliminação) são um ótimo critério para apontar os quatro melhores, ou os dois melhores, como se queira. Mas a falta do confronto direto entre eles, ao final de tudo, corrompe o critério supostamente virtuoso.
    Flamengo, Internacional, São Paulo e Palmeiras chegaram à última rodada separados por apenas dois pontos, em mais de 60 conquistados. Ou seja: embolados, nivelados como os melhores. Era a hora do quadrangular decisivo, dando vantagem de empate aos que pontuaram mais.
    Nos jogos verdadeiramente decisivos, não há teatro possível. E aquele pontinho arrancado do Santo André ou de algum time de aluguel do Luiz Estevão seis meses antes não vai decidir campeonato nenhum. Só os jogos decisivos, entre os melhores, são realmente capazes de exigir a máxima performance de um time.
    Essa conversa carola de que “todos os jogos são decisivos”, e de que os pontos corridos do início ao fim “premiam o trabalho”, é a mais bem intencionada das fraudes. Futebol não é caderneta de poupança. Boa parte dos times se desmotiva ao longo de um campeonato imenso, arrastado e chato. A virtude passa a ser a resistência ao tédio. Uma equivocada aferição de mérito.
    Sem finais, o campeonato brasileiro continuará sujeito às malas brancas e aos jogos de um time só. Por que não confrontar os melhores no final, em jogos valendo tudo ou nada?
    Os profetas da virtude vão acabar transformando o futebol em laboratório de análises clínicas.
    (Guilherme Fiúza)

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  8. Comentado por:

    Paulo Potiguara

    Augusto, sou gremista e no meu blog (www.blogdopoti.blogspot.com) publiquei uma postagem com o título “NÃO ENTREGA GRÊMIO” e, ao mesmo tempo, enviei o texto via e-mail para várias pessoas. Dentro dos meus limites achei que o texto ficou bom e a mensagem era clara: jogar para ganhar.
    Pois bem , a imensa maioria das pessoas que retornaram o e-mail, ou leram o blog, eram favoráveis a que o Grêmio perdesse deliberadamente a partida para o Flamengo.
    A paixão acima da razão.
    Uma pena.

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  9. Comentado por:

    vania

    a onde entra o mengão aí nessa pooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! entendeu

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  10. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Até mesmo num post sobre futebol os pastores do atraso erguem um torpe muro ideológico, com essa babaquice de restringir o mundo entre direita e esquerda. Que chatice e que burrice, ô Herlom (07/12/2009, 22:22)! O post é irretocável, querido colunista. Você tem fome de quê? Pergunta retórica para dizer que a paixão pelo futebol, como qualquer outra, provoca esta fome pelo objeto da paixão, e dele quanto mais o apaixonado se alimenta, mais plenamente insaciado estará, ainda que nutrido. Paixão digna sabe ser descabelada – que insípida aquela que não se descabela! E não é pelo gol, vitória, ou triunfo a qualquer custo; não é por vingança, nem por dinheiro, muito menos por egoísmo. É tão somente pela beleza de jogar o jogo. Como em toda paixão, é a celebração de estar ali a oferecer (e receber!) o melhor. Claro que são desejados o gol e o triunfo; mas para o bem da paixão, para elevá-la. Assim o apaixonado se eleva também. Já houve jogos magníficos que terminaram empatados, os gols que Pelé perdeu são quase tão plásticos quanto os feitos. Quem joga com este espírito apaixonado sai abatido de uma derrota, mas de cabeça erguida; quem não o alcança, pode sair menor de uma vitória. Mas sem essa de igualar vitória e derrota. Dignamente, dentro das regras, a primeira deve ser conquistada; a segunda, evitada. Exatamente o que o Flamengo mostrou à turba no Maracanã que, mais irracional do que apaixonada, perverteu a coisa toda pedindo uma trapaça na forma de derrota. Paixão que não rima com dignidade é apenas ferocidade estúpida, tão ruinosa que desfaz a essencial rima com tesão. Caloria vazia, não nutre e não mata a fome, só tira o apetite. Um beijo, Valentina.
    Um beijo, Valentina.

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