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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Os idiotas eram apenas idiotas. Agora estão nos Três Poderes

Passados quase 50 anos da profética crônica de Nelson Rodrigues, o Brasil vem confirmando que o que está péssimo sempre pode piorar

Por Augusto Nunes 30 abr 2018, 17h20

Em 20 de maio de 1969, em sua coluna no Globo, Nelson Rodrigues tratou de um dos mais perturbadores fenômenos do século 20: a ascensão espantosa e fulminante do idiota.

Até então, lembrou o grande cronista, os integrantes da tribo se limitavam a babar na gravata. “O idiota era apenas idiota e como tal se comportava”, escreveu Nelson. “Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha ou tirar uma cadeira do lugar”.

“Nunca um idiota tentou questionar os valores da vida”, segue a procissão de verdades. “Decidiam por eles os que tinham cabeça para pensar e sabiam o que faziam”.

Para o cronista, as coisas haviam mudado dramaticamente. “Houve, por toda parte, a explosão dos idiotas”, espantou-se Nelson. Passados quase 50 anos, o Brasil vem mostrando que o que está péssimo pode piorar. Os idiotas estão nos Três Poderes. Pelo menos dois chegaram à Presidência da República. São majoritários no Congresso. E vem ensinando no Supremo Tribunal Federal o que deve ser feito para submeter um país à permanente insegurança jurídica. Os idiotas perderam de vez o pudor.

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