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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Oliver: ‘O ministro das economias alheias quer tungar a classe média’

VLADY OLIVER Tenho lá minhas desconfianças de empregados que fingem ser durões com a faxina, mas batem continência para a vigarice com requintes de agachamento moral e profissional. Em geral, não dá boa coisa. É o caso das recentes declarações de um certo ministro duplipensante cheio de currículo, que valem bem mais pelo efeito desastroso […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 02h20 - Publicado em 14 jan 2015, 17h36

VLADY OLIVER

Tenho lá minhas desconfianças de empregados que fingem ser durões com a faxina, mas batem continência para a vigarice com requintes de agachamento moral e profissional. Em geral, não dá boa coisa. É o caso das recentes declarações de um certo ministro duplipensante cheio de currículo, que valem bem mais pelo efeito desastroso no bolso que podem causar que dois ou três desses Hiltons sem estrela nenhuma, recém hospedados na esplanada dos menestréis do espanto.

Nosso vizinho de teclas, Reinaldo Azevedo, pegou no fígado a vigarice acobertada pelo jornalismo a soldo que nos ataca diariamente pelas tevês aparelhadas pela causa bufa. O ministro das economias alheias quer declarar guerra aos profissionais liberais, que hoje pagam 6% de imposto e, passariam a desembolsar 27% , como os demais rapinados por este país de ladrões do erário impunes e solertes. É uma elite profissional e, como tal, tem de ser enquadrada na fábrica de Trabants desses bandidos com mandato que nos assolam impunemente.

Cortar custos do encosto estatal, nem pensar. Mais fácil e alinhado com a vigarice é sacar do coldre uma lista nova de “inimigos da economia”, como foram os chuchus de Mário Henrique Simonsen ou os bois no pasto com direito a hino nacional dos Ribamares, de triste lembrança. Falou em “egrégio” e fui procurar no pai dos burros digital o significado de tal xingamento. Bingo. Tungar a classe média ao extremo é o que pretende a pasmaceira, elevada à categoria de “célebre, extravagante, ilustre e aristocrática” pelo senhor das mãos levinhas na contribuição alheia.

Poderia enfileirar mil argumentos aqui para demonstrar como se foge dessa sua ideia brilhante, com requintes de crueldade para a economia esquálida que o senhor tenta levantar da UTI em que sua chefe a colocou. Mas limito-me a convidá-lo para dar uma voltinha pelos corredores comerciais de Sampa, para ver o que anda acontecendo com as tais “MICO EMPRESAS” – sem R – que esse bando desenhou em passado recente. Para um comunista, dinheiro dá em árvores, não nasce do trabalho árduo de gente decente, que o senhor escolheu como alvo de seus superávits.

Vai indo assim, ladeira abaixo, nobre ministro. Quer um conselho? Aquela ministra diastêmica que casou com a piada ainda está dançando um tango do balacobaco. Vai fundo que é raso.

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