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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Oliver: ‘A régua’

VLADY OLIVER Apesar de não acreditar num movimento orquestrado para fraudar as urnas nesta eleição, acredito sim em fraudes pontuais espalhadas por todos os rincões deste Brasil varonil. Todas contra Aécio. É o tal “efeito militância”, que saiu às ruas e invadiu as redes sociais com uma virulência e uma indecência até hoje inéditas para […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 31 jul 2020, 02h45 - Publicado em 28 out 2014, 16h16

VLADY OLIVER

Apesar de não acreditar num movimento orquestrado para fraudar as urnas nesta eleição, acredito sim em fraudes pontuais espalhadas por todos os rincões deste Brasil varonil. Todas contra Aécio. É o tal “efeito militância”, que saiu às ruas e invadiu as redes sociais com uma virulência e uma indecência até hoje inéditas para o cidadão comum ainda acostumado com a democracia. Ganhar no grito tem seu preço. Neste episódio insano, acho importante ressaltar mais uma vez o papel de nossas oposicinhas.

Já havia registrado aqui mesmo que Aécio Neves obteve uma grande vitória quando começou a vencer a pusilânime inércia ideológica do seu próprio partido, capitaneando a CPI do fim do mundo que finalmente vem desembocando na possibilidade de um impeachment. Sob a perspectiva histórica, Aécio representou o primeiro rompimento verdadeiro da dupla PT-PSDB, que sonhava mesmo com um socialismo rombudo eternamente instalado em nosso lombo, flertando com uma alternância cordata entre o ruim e o pior em nossas contas públicas.

Resta evidente que, quando uma eleição provoca uma rachadura tão grande e visível, as forças em cena não cederão até que a estrutura venha inteiramente abaixo. Se por um lado não será Aécio Neves que terá de anunciar o aumento indecoroso da gasolina, o racionamento de energia, o tabelamento de preços para conter a inflação nos moldes do kirchnerismo e outras vigarices decorrentes dessa fraude em andamento, por outro ficou claro que ele representa o grito de um pensamento oposicionista que não vai contemplar estupros institucionais calado e pisando nos astros, distraído.

Sinceramente, não tenho tantas esperanças. Já não as tinha mesmo quando se imaginava que o resultado da apuração poderia ser diferente. Se há algo de bom a comemorar na derrota da decência é que ser oposição neste estado de coisas nunca foi tão fácil. Basta querer. O Estado mais pujante da Federação vem sendo alvo de uma campanha difamatória sem precendentes. Nordestinos mandam paulistas “tomar banho” e paulistas mandam mineiros para lugares ainda mais indecorosos, num claro sintoma de que o país se prepara para rechaçar qualquer nova investida destes picaretas contra nossa combalida democracia.  O modelo se exauriu. Ganhou no grito e na intimidação, mas perdeu totalmente a legitimidade que já não tinha. Mostrou sua face pilantra e autoritária para quem quiser ver do que se trata essa camorra no poder.

O ano difícil de 2015 vai tornar-se insuportável. Sabemos o que eles querem para nós, o público pagante. Ligada em aparelhos, a democracia que queremos está na UTI, envenenada de véspera para que não se possa denunciar o já sabido. Anda estável, mas ainda não foi ouvida sobre onde foi parar o dinheiro desviado por essa camorra, num teatrinho mambembe digno dos melhores momentos de Macunaíma. Isto é o Brasil, meus caros. Não dá pra viver com um pingo de dignidade aqui. Uma lástima.

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