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O Primeiro Árbitro e o bandeirinha risonho

O advogado Ricardo Lewandowski chegou aonde chegou sem que se averiguasse se é provido ou não de notável saber jurídico. Não precisou disso para subir na vida: alguns amigos influentes e muita sorte foram suficientes para transformá-lo em desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e, depois, em ministro do Supremo Tribunal Federal, posto […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 21 fev 2017, 13h10 - Publicado em 14 jul 2010, 20h26

O advogado Ricardo Lewandowski chegou aonde chegou sem que se averiguasse se é provido ou não de notável saber jurídico. Não precisou disso para subir na vida: alguns amigos influentes e muita sorte foram suficientes para transformá-lo em desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e, depois, em ministro do Supremo Tribunal Federal, posto que no momento acumula com a presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

O círculo de amizades o ajudou a convencer o eleitorado de que o doutor formado pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo merecia ocupar a vaga de juiz reservada aos bachareis. O voto de uma amiga da família bastou para que que fosse instalado no STF. Vizinhas em São Bernardo do Campo, Marisa Letícia Lula da Silva vivia ouvindo da mãe de Lewandowski elogios ao filho estudioso, inteligente e muito capaz. Assim que apareceu uma toga sem dono, a primeira-dama indicou o menino, o ministro Márcio Thomaz Bastos topou assumir a paternidade da ideia e Lula nomeou mais um.

Não tem motivos para arrepender-se. Disposto a cometer qualquer ato ilegal para eleger Dilma Rousseff, o padrinho conta com a brandura do afilhado incumbido de presidir a temporada eleitoral. Em 18 de abril, Lewandowski recorreu a uma espécie de imagem muito cara ao presidente para justificar a cumplicidade por omissão: “Se o árbitro toda hora apita impedimentos e pênaltis, a partida não anda. Quanto menos a justiça intervier, mais bonita será a eleição”. Comparou-se a um juiz de futebol para ensinar que o presidente da República só quer embelezar o espetáculo da corrida às urnas com uma vistosa sequência de crimes.

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Só faltava o registro visual do compadrio que desmoraliza o Poder Judiciário. Não falta mais nada, informa a foto acima. Numa cerimônia no Itamaraty, Lula fingiu desculpar-se pela delinquência da véspera para reincidir no pecado. “É que fiquei com a obrigação moral de dizer que quem começou o trem-bala foi a companheira Dilma”, fantasiou o palanqueiro irrecuperável. “Foi ela que começou, trabalhou, organizou”.

Confiram a imagem que capturou o presidente em flagrante delito. Com a falsa seriedade de quem se sabe culpado, Lula capricha na pose de Primeiro Árbitro. O sorriso de Lewandowski é o do bandeirinha que concorda com todas as bandalheiras do juiz de araque a quem deve o emprego.

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