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O prefeito que governa de joelhos e o ‘senhor executivo’ descoberto por Orlando Silva

“Ricardo Leyser é um senhor executivo”, acha o prefeito Eduardo Paes. O ministro Orlando Silva concorda. Depois de promover a secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento o camarada que conheceu em reuniões do PCdoB, Silva transformou-o em Secretário Executivo do Comitê de Gestão das Ações Governamentais nos Jogos Pan-Americanos de 2007 ─ o palavroso codinome que agora designa o velho chefe da tesouraria. O […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 16h42 - Publicado em 7 out 2009, 20h55

“Ricardo Leyser é um senhor executivo”, acha o prefeito Eduardo Paes. O ministro Orlando Silva concorda. Depois de promover a secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento o camarada que conheceu em reuniões do PCdoB, Silva transformou-o em Secretário Executivo do Comitê de Gestão das Ações Governamentais nos Jogos Pan-Americanos de 2007 ─ o palavroso codinome que agora designa o velho chefe da tesouraria. O ministro gostou tanto do desempenho do afilhado que o escolheu para representar o governo federal no comitê organizador dos Jogos do Rio. Muito justo, endossou Eduardo Paes: “Ele coordenou todo o Pan-americano, fez um belo trabalho”, disse o prefeito.

Ambos com o olhar deformado pela estética da bandidagem, é compreensível que o ministro da tapioca e o ex-tucano que vendeu a alma para virar prefeito vejam belos trabalhos em performances criminosas. Nesta terça-feira, baseado em provas copiosas e irrefutáveis aglomeradas em dois processos, o Tribunal de Contas da União ordenou a Leyser e sua turma que devolvam aos cofres públicos os R$ 18,4 milhões que saíram pelo ralo das despesas superfaturadas e dos pagamentos por serviços não prestados.

Um dos processos documenta o sumiço de R$ 16 milhões “na montagem das estruturas provisórias dos Jogos Pan-americanos”. O segundo radiografa o superfaturamento dos serviços de hotelaria e infra-estrutura da Vila Olímpica, produzido por Leyser em parceria com um consórcio liderado pela empresa JZ Engenharia. Só um senhor executivo, excepcionalmente preciso e bastante imaginoso, conseguiria gastar exatos R$ 390.694,34 no item “montagem de cadeiras”, ou R$ 876.262,40 em “instalação de persianas”. O “total corrigido” da gastança somou R$ 2.740.402,54. O TCU quer todo o dinheiro de volta. O prefeito acha que a cobrança é “precipitada”.

Não pensava assim o deputado tucano Eduardo Paes, informa uma entrevista publicada em agosto de 2006. “O conjunto de escândalos que envolvem o governo é tanto, e a desfaçatez dos principais atores envolvidos neles tão grande, que às vezes parece que a CPI não conseguiu ainda provar muita coisa”, indignou-se o parlamentar carioca. “Comprovamos o mensalão com cópia de recibo e tudo. Como é que o Lula ainda tem coragem de negar?”. O prefeito eleito pelo PMDB tem coragem de negar que sobram provas contra Ricardo Leyser.

“O TCU apontou algumas irregularidades, que estão sendo investigadas. A gente tem que ter muita calma antes de sair apontando o dedo para as pessoas”, acaba de recomendar o mesmo Eduardo Paes que colocou sob suspeição negócios muito lucrativos do Primeiro-Filho e acusou o presidente da República de fazer de conta que desconhecia a movimentação de bandidos amigos nas salas ao lado. Disposto a tudo para chegar à prefeitura, o ex-deputado pediu perdão por escrito a Marisa Letícia e ajoelhou-se aos pés de Lula. É improvável que volte a ficar de pé, sugere o palavrório sobre Leyser.

“Ele tem de continuar no comitê organizador”, insiste. Entre janeiro e agosto deste ano, no papel de cabo eleitoral do Rio, o prodigioso multiplicador de zeros consumiu R$ 230 mil em diárias de viagens. E daí?, acha Paes, convencido de que  “a participação dele é fundamental na construção dos Jogos. A  “construção” está orçada em R$ 26 bilhões. Por enquanto.

“Claro que Lula sabe quem é Delúbio Soares”, vivia repetindo o deputado Eduardo Paes. Claro que o prefeito sabe quem é Ricardo Leyser. É um senhor vampiro homiziado num cargo de direção do grande banco de sangue. E continua ao lado de um dos cofres mais cobiçados do ministério que, sob a gerência de Orlando Silva, serve aos interesses do Partido Comunista do Brasil,.

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