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O patriarca em seu crepúsculo mostra a face repulsiva do Brasil

Foi patética a performance do patriarca em seu crepúsculo. Mãos trêmulas, voz claudicante, boca semicerrada pela insegurança, o senador José Sarney fez o que pôde para provar que não conhece gente conhecida, que não tem parentesco com parentes, que não fez o que fez. Como na primeira aparição depois da crise,  consumiu parte dos 50 minutos na tribuna lembrando atos de bravura imaginários e protagonizando […]

Foi patética a performance do patriarca em seu crepúsculo. Mãos trêmulas, voz claudicante, boca semicerrada pela insegurança, o senador José Sarney fez o que pôde para provar que não conhece gente conhecida, que não tem parentesco com parentes, que não fez o que fez. Como na primeira aparição depois da crise,  consumiu parte dos 50 minutos na tribuna lembrando atos de bravura imaginários e protagonizando façanhas alheias. Em seguida, caiu fora de ilegalidades que protagonizou. Nunca ouviu falar de atos secretos. Nem desconfiava do milagre da multiplicação dos diretores do Senado.

Eleito deputado há 54 anos, parecia um novato. Foi impiedoso com regras gramaticais, perdeu-se em falatórios erráticos sempre que saiu do script, tropeçou numa vogal a cada 15 consoantes, conseguiu até trocar o nome da filha. “Roseana Macieira”, confundiu-se ao atribuir a Roseana Sarney a nomeação de Maria do Carmo Macieira. Avesso a audácias, o donatário da capitania do Maranhão teria enveredado por uma trilha que seria perigosa ─ mentir configura quebra de decoro, punida com a perda do mandato ─ se o Conselho de Ética não estivesse reduzido a uma caricatura medonha.  Sarney confia na tropa de choque escalada para prolongar-lhe a agonia na presidência do Senado.

Alguns comparsas apareceram nos flashes da TV, que exibiu ao vivo o espetáculo do primitivismo. Fernando Collor endossando o discurso com movimentos verticais de cabeça, simulando a sobriedade que nunca teve. O sorriso cafajeste de Wellingon Salgado. A senilidade envilecida de Paulo Duque. Renan Calheiros com ar pensativo, planejando a próxima tramóia. Somadas, as imagens ofereceram a milhões de brasileiros a face cafajeste do Brasil. E é dessa gente que Sarney depende. E é esse o bando a que o PT se juntou “para garantir a governabilidade”. E é essa a turma que entra sem bater no gabinete de Lula.

Embora aposte na competência dos companheiros recrutados para o serviço sujo no Conselho de Ética, o orador desfechou no fim do discurso o que lhe pareceu um golpe de misericórdia. Revelou que um jornalista invadiu o escritório de um parceiro de negócios, capturou documentos particulares que estavam sobre a mesa e saiu em disparada. Para azar do vilão, tudo foi gravado. “Aqui está a fita”, mostrou-a Sarney na mão direita. Mas seria magnânimo: para não prejudicar o gatuno (“que é uma figura humana”), resolveu engavetar a prova do crime. Só divulgará as imagens se alguém duvidar do que disse.

Não seja por isso: eu duvido, senador. Mostre a fita.

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  1. Comentado por:

    FERNANDO

    AUGUSTO, perdão meu camara pelo erro de ter colocado ” DÁCIO NUNES ” ao invés de ‘ DÁCIO VIEIRA, quesira tal magistrado ter a dignidade, honradez, caráter e espírito público que você tem, portanto, em nenhum momento quis fazer qualquer menção ou comparação sua com aquele desembargador pilantra DÁCIO VIEIRA. No momento que eu estava digitando o comentário postado em 06/08/09 às 02:50h chegaram algumas pessoas falando comigo e troquei (vieira) por (nunes), por isso de minha parte nada mais justo que justificar para vossa compreensão tal erro. Desde já espresso meus votos de respeito e consideração. Um abraço e pode ter certeza que sua luta é a minha.

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  2. Comentado por:

    jACI

    Parabéns, Augusto Nunes. Você falou tudo o que estava engasgado na nossa garganta. Só que os canalhas não estão nem aí, não é mesmo? Mas, água mole em pedra dura…. uma hora a casa cai, embora MORALMENTE toda essa corja já caiu. Só mesmo em cima dos pobres coitados analfabetos, descamisados, desdentados, dos sem-nada, dos famintos do Bolsa-esmola é que eles poderão dar uma de bacana e angariar votos. Em cima da gente, não, NEVER MORE.

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  3. Comentado por:

    Mané

    Não tive saco de ouvir este canalha se defendendo no senado. Ouvindo hoje comentário do Sardemberg na CNN, o assunto foi a defesa que o canalha fez: coragem para fazer a moratória, que o plano cruzado foi precursor do Real, portanto inúmeros fatos positivos se sua folha corrida.
    Quem viveu aquele período sabe muito bem que ele fez tudo errado: não gerenciou o plano Cruzado, que fez água em seguida; a moratória não foi negociada mas feita à revelia dos credores, e o resultado foi que o Brasil perdeu credibilidade por muitos anos.
    Entregou o governo com uma inflação mensal de 80%.
    Lembra-se da concorrência da ferrovia Norte-Sul, que a Folha publicou o resultado antes da divulgação? Pois é, um executivo de uma grande construtora me confidenciou que a comissão da obra foi de 140 milhões de dólares; só não sabia com quanto cada personagem ficaria.

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  4. Comentado por:

    Hugo Werneck

    Caro Augusto,
    Apesar de esperarmos tudo de indivíduos como Ribamar, que bota a patifaria a serviço dos interesses mais mesquinhos de sua famiglia, desta vez ele exorbitou. O discurso de Ribamar, como bem observado por você, foi a fala de um velho bandoleiro que não pode aposentar porque a sua quadrilha depende do pouco respeito que ele impõe à gentalha do saloom. E todas as tardes, lá está ele, chapéu amarfalhado e cheio de fungos, calças em frangalhos, camisa puída, bota furada, colete sem botão, revólver enferrujado e, pior, as mãos trêmulas que denunciam a fragilidade que procura esconder, enfiando os dedos polegares no sinto, quase sem balas. Mas jamais se esquece de obedecer a “liturgia do velho oeste”: farinha pouca o meu pirão primeiro!
    Mas a verdade é que ainda é temido, não pelo que pode fazer pessoalmente mas pela proteção que recebe dos mais novos e perigosos bandidos do oeste: Durango Renan, e Billy The Jucá, dois facínoras que, individualmente, não representariam muito perigo mas, reunidos à escumalha que perambula pelas empoeiradas ruas de Brazilian City, comprados por míseros copos de bourbon de péssima qualidade, podem matar pelo prazer de matar, sem que o xerife, que defende o velho bandoleiro porque espera obter os votos para uma xerife que pretendo experimentar na cidade.
    Mas, ainda assim, dá pena ver o decrépito bandoleiro tentando o andar ereto como os jovens bandidos, mas o olhar já não tem o mesmo brilho do tempo das diligências, além de não ter mais a mesma destreza no gatilho. É verdade que ainda tem parceiros dos velhos tempos como o inefável Giárdia Kid Falante, mas esse nada mais espera da vida. Já está morto. Apenas se esquecer de deitar!

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  5. Comentado por:

    clarice

    O cromossoma ancestral e o Google Maps.

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  6. Comentado por:

    Jota

    O dia da morte do Sarney deverá ser um feriado nacional, com festas por todo o Brasil. Será um dia de grande alegria! Eu farei um jantar em um local especial com minha esposa, pois para mim será uma imensa alegria pensar “poxa, o Sarney não está vivo!”.
    Augusto, seria eu uma pessoa muito cruel com o Sarney? Eu sinto um nojo muito grande dele, a ponto de ter até dificuldades de enxergá-lo como um ser humano. O discurso dele é, para mim, muito esperto. Ele se faz de coitado. Na verdade, tem mais poder do que nunca. Não tem absolutamente nada a temer. Por falar em temer, comemorarei também o dia da morte do Michel Temer. Como pena de bandidos e, para mim, não poderia ter pena dessas figuras políticas, que representam o verdadeiro lixo da humanidade.

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  7. Comentado por:

    Jota

    Corrigindo, “Como não tenho pena de bandidos, não poderia ter pena dessas figuras políticas, que representam o verdadeiro lixo da humanidade.”

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  8. Comentado por:

    beryl de lucena

    el se fortalece porque existe ibope. esqueçam, como acm ele logo desaparecerá, e por ironia do destino não deixará herdeiros (homens).

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