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O orador da manifestação que juntou menos de 20 milicianos culpa a mídia golpista pelo fiasco do protesto contra a mídia golpista

Os organizadores dos atos de protesto de 7 de setembro decidiram que nenhum partido seria mencionado nas palavras de ordem gritadas nas ruas ou inscritas nas faixas. Cautela dispensável: tão logo souberam que o alvo das manifestações era a corrupção impune, militantes do PT reivindicaram a carapuça e deixaram claro que quem combate a roubalheira […]

Os organizadores dos atos de protesto de 7 de setembro decidiram que nenhum partido seria mencionado nas palavras de ordem gritadas nas ruas ou inscritas nas faixas. Cautela dispensável: tão logo souberam que o alvo das manifestações era a corrupção impune, militantes do PT reivindicaram a carapuça e deixaram claro que quem combate a roubalheira é inimigo do partido. Açulados por blogueiros estatizados, jornalistas federais, companheiros vigaristas e comparsas da base alugada, atribuíram a paternidade do movimento à imprensa reacionária. E resolveram mostrar aos filhos dos granfinos quatrocentões como se faz uma manifestação de verdade.

Marcado para 17 de setembro, um sábado, o “protesto contra a mídia golpista” foi precedido de veementes exortações aos jovens guerreiros governistas, difundidas pelo Facebook e por sites da internet. Todos deveriam juntar-se no mesmo vão do Masp, na Avenida Paulista, onde 4 mil brasileiros honestos haviam exigido o fim da ladroagem. Desafiada até a véspera da manifestação a registrar o momento histórico, a coluna estranhou o sumiço dos milicianos nos dias seguintes. A explicação está no vídeo abaixo. O protesto contra a mídia golpista foi abortado pelo mais singelo e desmoralizante dos motivos: não apareceu ninguém. Corrijo-me. Apareceram menos de 20 gatos pingados e um orador. Que nem estudante é. Se não mentiu, é professor.

Enquanto filma o cenário de Saara, o combatente solitário fala para o nada: “Adoráveis alunos da juventude politizada do Brasil. Aqui é o professor Marcelo de Paula, de novo, de Sociologia”. Ouve-se o silêncio estrepitoso. O tribuno vai em frente. “Ó, tamo aqui no vão do Masp.  Tá vendo como é complicado você fazê uma mobilização? Ó, esse aqui é o pessoal que compareceu até o momento para o protesto contra a mídia golpista”. O que se vê são transeuntes distraídos e meia dúzia de milicianos tão animados quanto uma Quarta-Feira de Cinzas.

“Qué dizê, não é fácil você fazê qualqué trabalho sem a participação da mídia, sem a mídia apoiando, cobrindo, dando visibilidade pro evento”, explica o professor que, simultaneamente, comanda a multidão que não há, grava imagens de uma paisagem desoladora e narra o próprio naufrágio. Ele faz o que pode para provar, em 1min48, que o ato de protesto contra a mídia golpista foi um fiasco por falta de apoio da mídia golpista.

“Mas tamo aqui. É assim que é a nossa luta. Difícil as pessoas aderirem, mas tem aqui alguns corajosos, com essas faixas aqui que vocês estão vendo”. Aparecem algumas faixas filmadas pelas costas. “Pessoas que vieram pelo Orkut, pelo Facebook, atendendo ao chamamento”. Fica feliz com a aparição de um companheiro que qualifica de “amigaço meu, gente boa esse cara”. Um pedaço de plástico cruza a tela voando baixo. O amigaço começa a sair à francesa enquanto passam, apressados, um mascarado e um punk da corrente moicana.

“Tem uma galerinha aí fazendo um protesto diferenciado”, entusiasma-se o narrador. A dupla passa direto, rumo a outra manifestação. “Isso é democracia, pluralidade de opinião, pessoal”, conforma-se. Mais alguns segundos e resolve dirigir-se aos ausentes. “Daqui a pouco chega mais gente. Seria muito bom se vocês estivessem aqui. Foi tudo muito em cima. Numa próxima com certeza vocês estarão aqui”.

Pela primeira vez na história, um orador conclamou uma plateia imaginária a voltar a um local onde não esteve. A câmera se aproxima de uma mostra de faixas, cada uma carregada por dois companheiros. “Movimento dos Sem Mídia. Campanha nacional pela democratização e regulamentação da mídia”, avisa uma inscrição. Outra fala em corrupção da mídia. “Beleza? Vô nessa”, encerra abruptamente a aulae a manifestação o professor Marcelo. E dá o vídeo por concluído.

O PT, quem diria, tornou-se um fracasso de público. Como vêm reiterando nos últimos anos as comemorações do Dia do Trabalho, agora só junta gente se primeiro juntar muito sanduíche, muito refrigerante, um sorteio de apartamentos e duas ou três duplas sertanejas.

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  1. Comentado por:

    Razumikhin

    Hahahahahaaaa

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  2. Comentado por:

    Mamed

    “Pela primeira vez na história, um orador conclamou uma plateia imaginária a voltar a um local onde não esteve.”
    .
    Ainda vou ser demitido por ficar rindo dessas tiradas geniais do AN.

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  3. Comentado por:

    J.Torres

    Por pura decepção, há alguns meses entrei num período de quarentena, referente à assuntos de política brasileira. Sabia que iria perder muita coisa. Esse video comprovou a suspeita. Por incrível que pareça, me lembrou do genial cineasta Jacques Tati, mestre em dirigir cenas em que coisas acontecem como que ‘por acaso’, mas carregadas de mensagens e símbolos – por exemplo, o saco plástico voando no espaço vazio, a dupla bizarra passando, o manifestante de muletas, o manjado pagode para atrair pessoas, etc.etc.
    Dei muitas gargalhadas aqui, e o video enviado pelo Celso Arnaldo com a entrevista do professor de História (não dá para entender nada do que ele fala!) completa o quadro.
    Parabéns também pelo texto, e um abraço.

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  4. Comentado por:

    Robespierre

    Eu só não comparo essa reunião com a Marcha com Deus e com a Família pela Liberdade, feita no dia 19 de abril de 1964, tempo em que não existia nem Orkut, nem Facebook, nem Twitter nem nada, e ainda por cima os (poucos) telefones que existiam funcionavam mal, porque aí entrego a minha idade, da qual eu já sinto vergonha. Eu não fui à Marcha. Mas vi pela televisão, a DªLeonor Mendes de Barro na frente, de braços dados com um monte de gente, a banda da Força Pública tocando Paris Belfort, e o Tico-Tico narrando ! E o povo todo gritando: UM DOIS TRES, BRIZOLA NO XADREZ ! E SE TIVER LUGAR, PÕE TAMBÉM O JOÃO GOULART ! Ai que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida (o restou eu esqueci).

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  5. Comentado por:

    anticorruptos e anticorruptores

    O TEXTO ABAIXO É A CARA DOS SÓCIOS E BAJULADORES DA PETRALHAS S.A.
    .
    .
    O Vício da Ganância
    Por Jorge A. F. Proença
    .
    O que leva as pessoas a ganhar dinheiro sem objetivo? Qual é o nível de consciência dessas pessoas em relação ao dinheiro? Algum escrúpulo envolve o ato de ganhar muito dinheiro? Por que elas têm esse comportamento? (…)
    .
    O maior e mais alto grau do Vício da Ganância é análogo à dependência química da heroína e/ou cocaína, onde estão inseridos os corruptos, traficantes, terroristas, e outros perfis semelhantes. Se você perguntar para qualquer um deles, por que estão fazendo isso, receberá a seguinte resposta: Eu já atingi o nirvana, estou em outro nível de sabedoria, você nunca irá entender isso, etc. e tal. Nesses casos, a situação é quase irreversível e dificilmente ambos aceitam um tratamento. Assim, encontramos corruptos que já têm milhões de dólares num paraíso fiscal, sem saber quando, quanto, onde ou como gastá-los e, mesmo assim, continuam corrompendo e roubando, corrompendo e roubando, corrompendo e roubando… (…)
    .
    Texto completo: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-vicio-da-ganancia/43814

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  6. Comentado por:

    Laudelino Marcos Silva

    Sobre a Unicel:
    A Unicel virou uma operadora fantasma. Pelo menos é o que parece. Ao que tudo indica a operadora brasileira sumiu do mapa deixando clientes órfãos e dívidas de cerca de 100 milhões de reais com licenças da Anatel. O operadora tem mais de 70 reclamações no site Reclame Aqui e 36 no Proteste.
    Até o momento não há informações sobre o paradeiro da empresa, segundo a própria Anatel, que publicou um comunicado no “Diário Oficial da Uníão” em Agosto dizendo que “a Unicel se encontra em local incerto e não sabido”. A Agência Nacional de Telecomunicações sequer sabe se a empresa está em atividade, e até mesmo oficiais de justiça não conseguiram encontrar os responsáveis para entregar intimações envolvendo processos contra a empresa.
    Parece que a operadora, que tem como razão social com o nome Aeiou, enfrentou problemas com a concorrência no setor. A Unicel chegou ao mercado em 2008 na Grande SP e tinha o objetivo de conseguir atingir 500 mil clientes (assinantes) em um ano, mas não conseguir passar dos 22 mil. Em Maior, quando sumiu do mapa, a operadora tinha cerca de 14 mil clientes.
    Não bastasse isso a empresa se envolveu numa polêmica em 2010. Havia suspeitas de que a Unicel teria sido favorecida pela Casa Civil que, na época, era comandada por Erenice Guerra. Um detalhe interessante sobre o assunto é que o marido da ex-chefe do órgão, José Roberto Camargos Campos era consultor da operadora.

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