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O ministro Dias Toffoli precisa compreender que o caminho da desonra não tem volta

PUBLICADO EM 18 DE JULHO A poucos segundos da hora da verdade, os amigos repetem que José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, ainda não decidiu se participará do julgamento do mensalão. A folha corrida do advogado recomenda aos berros que se declare impedido: quem passou quase 15 anos trabalhando para o PT, […]

PUBLICADO EM 18 DE JULHO

A poucos segundos da hora da verdade, os amigos repetem que José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, ainda não decidiu se participará do julgamento do mensalão. A folha corrida do advogado recomenda aos berros que se declare impedido: quem passou quase 15 anos trabalhando para o PT, servindo a José Dirceu ou dando razão a Lula está desqualificado para julgar com isenção velhos companheiros. A agenda das últimas semanas grita que Dias Toffoli optou por afrontar os fatos e demitir a sensatez: a sequência de encontros com advogados de mensaleiros avisa que o mais jovem integrante do Supremo não vai cair fora do caso.

Na tarde de 25 de junho, por exemplo, ele recebeu em seu gabinete o amigo José Luiz de Oliveira Lima, que há sete anos cuida da defesa de José Dirceu. O site do STF comunicou que, como nos demais encontros mantidos com doutores a serviço dos réus, os dois trocaram ideias sobre a AP 470, codinome em juridiquês do processo que começará a ser julgado em 2 de agosto. Se sobrou tempo, talvez tenham evocado episódios que os juntou na mesma trincheira.

Em 2005, por exemplo, quando foi contratado para tentar evitar a cassação do mandato do deputado José Dirceu, o visitante contou com a ajuda de Toffoli, que acabara de deixar o empregão na Casa Civil em companhia do chefe despejado. No processo do mensalão, Oliveira Lima já atuou em parceria com a advogada Roberta Maria Rangel, então namorada do ministro com quem vive há quase um ano.

“O ministro Dias Toffoli já julgou dois agravos regimentais nessa ação penal 470″, animou-se nesta segunda-feira Marcelo Leonardo, advogado do publicitário Marcos Valério. “Então, ele já se reconheceu habilitado a julgar”. O defensor do diretor-financeiro da quadrilha do mensalão teima em pleitear o impedimento do relator Joaquim Barbosa, mas nunca viu motivos para que Toffoli se afastasse. Faz sentido. O doutor quer um ministro fora por achar que condenará seu cliente. Quer outro dentro por ter certeza de que absolverá todo mundo.

Tal convicção se ampara no passado recente. Paulista de Marília, diplomado em 1990 pela Faculdade do Largo de São Francisco, Toffoli sonhava com a vida de juiz de direito. Tentou o ingresso na magistratura nos concursos promovidos em 1994 e 1995, Duas reprovações consecutivas, ambas na primeira fase dos exames, aconselharam Toffoli a conformar-se com a carreira de advogado do PT, anabolizada pela ficha de inscrição no partido. Nem desconfiou que começara a percorrer uma curtíssima trilha que o levaria ao Supremo Tribunal Federal.

Nos anos seguintes, foi consultor jurídico da CUT, assessor parlamentar do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, assessor jurídico da liderança do PT na Câmara dos Deputados, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência e, a partir de março de 2007, chefe da Advocacia Geral da União. Em outubro de 2009, Lula entendeu que deveria premiar com uma toga o aplicado companheiro que também chefiara a equipe jurídica do candidato nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006.

Sem saber o suficiente para virar juiz de primeira instância, Toffoli tinha 42 anos quando se viu premiado com um cargo reservado pela Constituição a gente provida de “notável saber jurídico”. No País do Futebol, a torcida brasileira condenaria à morte na forca um treinador que ousasse transformar em titular da Seleção um jogador da categoria sub-20 reprovado em duas tentativas de subir para o time principal. No Brasil Maravilha, o presidente da República escalou um advogado para jogar no STF a favor do governo. Lula já deixou o Planalto, mas faz questão de ver seu pupilo em campo na final do campeonato que faz questão de ganhar.

Sabe-se desde o Dia da Criação que, para ser justa, uma decisão não pode agredir os fatos. Sabe-se desde a inauguração do primeiro tribunal que toda sentença judicial deve amparar-se nos autos do processo. Não pode subordinar-se a vínculos partidários, laços afetivos ou dívidas de gratidão. Caso insista em viciar o julgamento mais importante da história do Brasil com o voto que endossará a institucionalização da impunidade, Toffoli será reduzido a uma prova ambulante da tentativa de aparelhar o Supremo empreendida durante a passagem do PT pelo coração do poder.
Em princípio, o ministro ficará onde está mais 25 anos, até a aposentadoria compulsória em 2037.  A Era Lula acabará bem antes. Se errar na encruzilhada, vai percorrer durante muito tempo, e sem padrinhos poderosos por perto, o caminho da desonra. É um caminho sem volta.
Comentários
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  1. Comentado por:

    @MensalaoNao

    Bom dia, Augusto!
    Se o ministro Dias Toffoli não pede pra sair, precisamos dar uma ajuda, certo? #ToffoliPedePraSair
    Assinando o abaixo-assinado que será enviado ao PGR! http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=P2012N26022
    Muito obrigada

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  2. Comentado por:

    francisco

    Ministro Toffoli, o Senhor não tem as mínimas condições de julgar alguem, o Senhor é um “CAPACHO” do PT, peça seu BONE e caia fora. O Senhor é uma vergonha NACIONAL.

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  3. Comentado por:

    Zé Na Estrada!.

    A irresponsabilidade de LIS nessa indicação é assustadora. Conta a verdade sobre a responsabilidade total de LIS, nos inúmeros desmandos do PT.

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  4. Comentado por:

    Rakel Maia

    Esperamos que em 2013 Toffoli entenda que o papel de Ministro do Supremo não é o que ele anda representando. Aguardemos. Mas sem grandes expectativas, pois vindo desse senhor…..
    Rakel Maia

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  5. Comentado por:

    Carlos Aurelio

    Pois é deu no que deu. Hoje podemos afirmar que as previsões do guru Augusto Nunes infelizmente se fizeram valer, não é verdade?
    Mestre, tem certeza que o prezado não faria uma “fézinha na loteria” para mim?

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  6. Comentado por:

    Mari Labbate – SP

    TOFFOLI + LEWANDOWSKI + CARMEN LÚCIA + ROSA WEBER = INIMIGOS-DO-BRASIL!

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  7. Comentado por:

    marcos

    A droga tem que ser legalizada ,não da mais pra ver tantos inocentes morrendo por causa das drogas e,a policia não sabe fazer outra coisa se não ficar atras de usuários,se legalizar ,o crime vai ser extinto e,ao invez de se gastar milhões em presídios ,vão se arrecadar milhões em impostos,mas é obvio que não é legalizada porque ai muitos politicos e milhares de policiais não iram mais ganhar dinheiro com a propina ,tem que haver uma mobilização popular para preciona-los ha legalizar ,é o único jeito de vencer as drogas.

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  8. Comentado por:

    wagner

    Todo os grandes petistas tem uma GRANDE CARA DE PAÚ,este não é diferente.Mais como o Brasil tem um povo de me…,estas figuras deitam e rolam.Tudo é culpa do povo que não se mobiliza para tirar aqueles que são nocivos ao Brasil.ACORDA BRASIL!

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  9. Comentado por:

    Raymundo

    A legalização da Maconha, beneficiará a sociedade. É uma grande hipocrisia de quem está do lado oposto da legalização, dizendo que via aumentar o consumo, que vai ser uma calamidade na saúde pública, como se a saúde púbica já não fosse uma calamidade. Tal fato, acabará com o chamado “Arrego” aos policiais, reduzirá o comércio de armas que vão parar nas mãos dos que comerciam drogas nas Favelas e, principalmente, reduzirá o nível de violência e assassinatos ditos como “Atos de Resistências” pela PM, para justificar a sede de exterminar pobres e negros. E mais; aparecerão, os verdadeiros traficantes que, de acordo com o Relatório Final da CPI do Narcotráfico, estão no asfalto e que as Favelas, são apenas a ponta do iceberg.

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